Suplementos não ajudam a prolongar vida ou evitar doenças cardíacas

Estudos afirmam que suporte vitamínico não traz mais benefício que placebos

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 17/12/2013

Os especialistas afirmam: os multivitamínicos não são mais eficazes do que placebos para diminuir o risco de morte por qualquer causa, proteger o coração ou brecar a perda de memória no decorrer da vida. Essas descobertas constam em três novos estudos, publicados na edição de 17 de dezembro revista Annals of Internal Medicine.

Na primeira pesquisa, os autores designaram aleatoriamente quase 6.000 médicos do sexo masculino com idade superior a 65 anos para dois grupos. Um tomava multivitamínicos e o outro uma pílula igual ao multivitamínico. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Brigham and Women's Hospital.

Durante 12 anos, os cientistas fizeram anualmente uma bateria de exames para verificar a qualidade da memória dos participantes. Todos os homens estavam com a saúde em dia no início do estudo, e 84% afirmou que ingeriu as pílulas todos os dias durante o período de acompanhamento.

Ao final do estudo, não houve nenhuma diferença entre os dois grupos no que diz respeito aos problemas de memória. Segundo os autores, suplementos são muitas vezes comercializados oferecendo benefícios ao funcionamento do cérebro, mas o estudo mostrou que isso pode não estar claro.

O relatório mostrou, no entanto, que suplementos podem modestamente reduzir o risco de câncer e catarata. O risco de câncer foi reduzido em 8%, enquanto o de catarata caiu 9%, em comparação com o grupo placebo.

No segundo trabalho, cientistas aleatoriamente designaram 1.700 sobreviventes de infartoque estavam em recuperação para um regime diário com altas doses de suplementos vitamínicos e ou pílulas de placebo. A equipe foi financiada pelo National Institutes of Health.

Os participantes foram convidados a tomar seis pílulas por dia, e quase metade deles em cada parte do estudo parou de tomar a medicação antes do tempo determinado. O tempo médio de aderência ao tratamento era de dois anos e meio.

Após uma média de 55 meses, não houve diferença significativa entre os dois grupos com relação ao número de mortes por qualquer causa, reincidência de infarto, episódios de AVCou dores graves no peito.

A última pesquisa foi uma revisão de outros 27 trabalhos sobre suplementos multivitamínicos e minerais, que incluiu mais de 450.000 pessoas. Esse estudo, realizado para a U.S. Preventive Services Task Force, não encontrou nenhuma evidência de que suplementos podem proteger de doença cardíaca ou aumentar a expectativa de vida. Eles encontraram apenas um benefício mínimo para o risco de câncer.

O editorial da Annals of Internal Medicine afirma que os dados são tão concretos que não vale a pena fazer tantos estudos para encontrar um benefício significativo dos multivitamínicos. Entretanto, a suplementação vitamínica tópica - ou seja, com um nutriente apenas - pode ajudar pessoas que tem indicação médica a sair da deficiência.

Evite sete erros ao tomar suplementos alimentares
Apesar de serem cada vez mais indicados pelos médicos e nutricionistas, os suplementos alimentares ainda são mal vistos por muitas pessoas. "Essa falta de informação pode prejudicar a saúde de quem realmente precisa desse novo componente na dieta", explica o nutrólogo Wilson Rondó, do Minha Vida. Segundo dados de pesquisas feitas pelo IBGE, 98% da população brasileira não ingere a quantidade ideal de vitaminas por dia. Por esse motivo, suplementos alimentares fazem parte da nova pirâmide alimentar chamada Healthy Eating Pyramid, desenvolvida recentemente por cientistas da Universidade de Harvard (EUA). Mas, na hora de incluir os suplementos na dieta, é preciso tomar alguns cuidados para evitar problemas, como evitar estes sete erros:

Consumi-los sem aconselhamento médico

"Os suplementos são importantes, pois evitam a deficiência e o excesso de nutrientes. Mas é sempre bom lembrar que a quantidade e a variedade de suplementos alimentares devem ser indicadas por um profissional e somente em casos específicos", explica o nutrólogo Máximo Asinelli, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

Não há estudos conclusivos sobre os efeitos colaterais da suplementação alimentar, mas há indícios de pessoas que fazem uso excessivo e que podem apresentar náuseas, tremores, aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Por isso, é importante que o consumo de suplementos seja feito sob a orientação de especialistas em esporte e nutrição.