Comidas "gordas": por que seu corpo sente tanta necessidade desses alimentos?

Desejo por doces, salgadinhos, sorvetes e massas está relacionado com as emoções

POR BRUNA STUPPIELLO - ATUALIZADO EM 02/09/2016

Você é desses que não consegue ficar sem um chocolate? Ou você não gosta muito de doces, mas adora um salgadinho crocante? A ciência pode explicar por que é tão difícil ficar sem determinados alimentos e bebidas em geral bastante calóricos e pobres no quesito nutricional, como um brigadeiro ou um milk-shake, ou até mesmo a compulsão por eles!

O desejo específico por alimentos açucaradas, cremosos, crocantes e suculentos tem razões mais emocionais, como ansiedade, nervosismo, tristeza, euforia, estresse do que físicas como a fome ou a necessidade de nutrientes.

O problema é que essa turma é danada para ajudar a ganhar peso e não é lá muito saudável se for consumida em excesso. Entenda por que você gosta tanto deles e veja as dicas de como ingerir menores quantidades destes alimentos.

Açúcar, ou seja, os doces

Nosso sistema de recompensa cerebral estabelece sensações como bem-estar, conforto, prazer e saciedade. Ele é composto por neurônios que se comunicam entre si por meio de um neurotransmissor que é a dopamina. "Alimentos ricos em açúcar estimulam a maior quantidade de dopamina. Com mais dopamina há uma melhora no sistema de recompensa e as pessoas se sentem mais recompensadas", explica a endocrinologista Andressa Heimbecher Soares, especialista Minha Vida e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Assim, é natural que uma pessoa sinta uma sensação prazerosa após consumir uma bomba de chocolate, por exemplo. A questão toda é que o nosso cérebro sempre vai enviar a mensagem de que gostaria de mais dopamina. "Logo, toda vez que você ingere um alimento calórico, vai querer outro na sequência", explica Andressa.

Algumas atitudes podem te ajudar a reduzir o consumo de doces. Uma alternativa é substituí-los por alimentos ricos em zinco. "Isto porque alimentos ricos neste mineral ajudam na sensação de bem-estar cerebral. Algumas fontes de zinco são sementes de abóbora, amendoim, amêndoa", orienta Andressa Heimbecher.

Outra opção interessante é preferir doces menos calóricos, como uma bananada. "Também procure ingerir carboidratos complexos, como grãos integrais, nas refeições e evitar estoques do seu ?pecado preferido? em casa", explica o psiquiatra Adriano Segal, diretor de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade.