Só 41% dos bebês no Brasil são alimentados com leite materno

Ministério da Saúde lança o Guia dos Direito da Gestante para conscientizar as mães

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 02/08/2011

De acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas 41% dos bebês menores de seis meses no Brasil são alimentados exclusivamente com leite materno. A taxa é semelhante à média mundial, calculada em menos de 40% pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Segundo a organização, o ideal seria que 90% a 100% das crianças com essa faixa etária fossem alimentadas exclusivamente com leite materno.

O Ministério da Saúde informou que a estratégia deste ano para aumentar essa porcentagem será conscientizar a sociedade de que o hábito precisa ter o apoio não só da família, mas também dos profissionais de saúde e empregadores, entre outros.

Na abertura do evento para a Semana Mundial de Amamentação, que ocorreu nessa segunda feira no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou o Guia dos Direitos da Gestante, em conjunto com a Unicef (Programa das Nações Unidas para a Infância). A publicação tem o intuito de capacitar agentes à saúde a transmitir informações sobre o direito das mães à amamentação.

Segundo o Ministério da Saúde, o leite materno é tudo o que o bebê precisa até os seis meses. É um alimento de fácil digestão que funciona como vacina, protegendo a criança contra doenças, como diarreia, infecções respiratórias e alergias.

Para as mães, a amamentação contribui para a perda de peso após o parto e ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, reduzindo o risco de hemorragia e anemia. O aleitamento também diminui as chances de desenvolver diabetes e câncer de mama e de ovário.

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Acabe com todas as suas dúvidas sobre amamentação
Por que o leite empedra? Sentir dores no peito, durante a amamentação, é normal?
Tomar cerveja ajuda a produzir mais leite? Essas e muitas outras dúvidas assolam muitas mães, principalmente as de primeira viagem. Se esse é o seu caso, não deixe de ler o nosso dossiê completo sobre amamentação. Com a ajuda da consultora internacional em aleitamento, Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos, respondemos essas e muitas outras dúvidas para você alimentar seu filho com toda a tranquilidade que você e ele merecem.

Tenho pouco leite. E agora?
Quanto mais o pequeno suga ou a mama é ordenhada, maior é a produção do leite. Ou seja: se ele mamar mais, mais leite você vai ter. Outra opção para estimular a produção é tirar o leite você mesma, com as mãos ou com o auxílio de uma bombinha. Você pode guardá-lo no congelador para oferecer mais tarde ou doar a um banco de leite, que dispõe do alimento para outras mães.

Tomar caldo de cana e cerveja preta dá mais leite?
Não há comprovação científica. Alguns alimentos são chamados de galactogogos porque ajudariam a aumentar a produção de leite, como chá de erva-doce, caldo de cana e cerveja preta. Mas, atenção: o álcool, presente na cerveja, diminui a produção de leite, assim como a nicotina do cigarro e alguns medicamentos.

Acho que meu leite é fraco. Como faço para deixá-lo mais forte? Preciso complementar a alimentação do bebê?
Não existe leite fraco. Realmente, o leite materno não tem a mesma consistência do de vaca, por exemplo, que é bem mais grosso. Mas essa aparência aguada não quer dizer menos nutrição. Se você mantém uma dieta equilibrada e oferece o peito sempre que o bebê pede, vai produzir leite de qualidade, na quantidade certa, e não precisa complementar a dieta do pequeno com nada. Se, apesar de mamar, o bebê não está ganhando peso ou parece insatisfeito, chorando muito, converse com o pediatra para descobrir a origem do problema.

Meu peito vai ficar caído ou menor se eu amamentar?
O que acontece é que, durante os meses da gravidez e da amamentação, os seios aumentam muito de volume seu sutiã pode crescer até três números. Se você tem tendência a ter flacidez, ou se ganhar muitas estrias no período, quando deixar de amamentar pode ficar com a pele caída.

Mas nada disso é desculpa para não amamentar! Para prevenir flacidez e estrias, capriche na hidratação desde a gravidez, usando cremes específicos e se lembrando sempre de lavar os seios antes de amamentar, para o bebê não comer o hidratante. E trate de usar bons sutiãs de sustentação, com alças largas, aros e bojos firmes.

Meu leite empedrou. O que eu faço?
O nome correto para o chamado leite empedrado é ingurgitamento mamário, quando a bebida fica presa na mama por causa da sucção inadequada ou do esvaziamento incompleto do peito. Isso deixa os seios rígidos, pode causar muita dor e até febre. Se não for tratado logo, o problema pode evoluir para uma mastite, como é chamada a inflamação da mama, que deixa os seios quentes, vermelhos, doloridos e, às vezes, com pus. Mas a prevenção e o tratamento, nos dois casos, é simples: basta deixar que o bebê mame bastante, para esvaziar o peito, ou fazer uma ordenha manual, retirando o leite com as mãos.

Meu filho não gosta de mamar e, agora, meu leite está secando.
Essa é a desculpa número um para muitas mulheres deixarem de amamentar. Na maioria das vezes, a rejeição da criança acontece porque a mãe andou oferecendo ao bebê mamadeira, bicos e chupetas. Eles confundem a criança, que desaprende a mamar no peito um exercício mais difícil do que chupar mamadeira.

Por isso, esses acessórios devem ser evitados a todo custo nos primeiros seis meses. Todos são extremamente prejudiciais à amamentação. Causam confusão de bicos, má formação da arcada dentária e infecções, entre outros problemas , alerta Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos, consultora internacional em aleitamento materno.

Tenho rachaduras no peito que provocam dor.
As fissuras no bico do peito são comuns no primeiro mês, especialmente entre mães de primeira viagem. A pele da aréola é muito fina e sensível e os fortes movimentos de sucção do bebê podem causar rachaduras e muita dor.

Para prevenir, trate de engrossar a pele da região tomando banhos de sol, usando buchas e deixando os seios descobertos por quanto tempo você puder. O próprio leite ajuda a cicatrizar, basta espalhá-lo por cima das rachaduras. Em casos graves, o médico pode recomendar uma pomada cicatrizante.