Fumar é prejudicial à visão

Maços de cigarro deveriam estampar também esta advertência

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 24/04/2009

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, INCA, o tabagismo é responsável por:

200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora);
25% das mortes causadas por doença coronariana - angina e infarto do miocárdio;
45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;
90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral).

Em comparação com quem não fuma, os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de catarata e de duas a três vezes maior de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade. Por isto, defendemos a idéia de que os maços de cigarro deviam estampar também estas advertências.

Os efeitos maléficos do tabagismo também estão associados à queda das pálpebras, que provoca uma diminuição do campo visual e ao aparecimento da oftalmopatia de Graves, doença que apresenta como sintomas retração palpebral, lagoftalmo, edema palpebral, lacrimejamento, fotofobia, sensação de corpo estranho, proptose axial e, por vezes, disfunção da motilidade ocular.

Queda das pálpebras

É crescente o número de homens e mulheres que procuram a blefaroplastia, cirurgia de correção de pálpebra. Entretanto, mais do que a harmonia facial, este paciente busca enxergar melhor. Em casos extremos, a queda da pálpebra superior e da inferior resulta numa diminuição do campo visual, ardência, lacrimejamento constante.

A perda da elasticidade da pele, a ação da força da gravidade, o tabagismo e a radiação solar são fatores que causam o envelhecimento facial e, conseqüentemente, favorecem o surgimento de alterações nas pálpebras. A flacidez natural dos tecidos e alguns fatores genéticos e raciais têm papel preponderante no surgimento de alterações no formato das pálpebras e no aparecimento de bolsas de gordura que podem acarretar na diminuição do campo de visão.

No caso da queda da pálpebra superior, a frouxidão dos tecidos, ligamentos e músculos do olho ocasiona a diminuição do campo de visão. Já o deslocamento da pálpebra inferior, quando acompanhado pela existência de uma bolsa de gordura sob os olhos, pode trazer maiores disfunções. Com a queda dos tecidos, toda a borda inferior dos olhos é puxada para baixo. O olho fica exposto, provocando ardor, ressecamento e até mesmo uma disfunção da bomba lacrimal.

O maior objetivo da blefaroplastia é eliminar o excesso de pele e gordura ao redor dos olhos. O excesso de gordura nos olhos já começa a aparecer a partir dos 30 anos. O grau de intensidade do excesso de gordura ou de pele vai depender, sobretudo, da qualidade do tecido de cada pessoa e de fatores genéticos e características familiares.

Catarata

Doença que geralmente se desenvolve de maneira lenta e progressiva, a catarata pode ser causada por múltiplos fatores: idade, traumas e doenças oculares, diabetes e uso de cortisona. Existem também as causas congênitas, que são as mais raras. Há também indícios de que a exposição crônica à radiação ultravioleta, uma dieta não balanceada e o tabagismo possam favorecer o aparecimento da catarata.

À medida em que a catarata avança, a visão vai ficando progressivamente mais turva e embaçada, prejudicando as atividades mais comuns tais como a leitura, o caminhar ou até assistir TV. Nos casos extremos, a queixa óbvia é a perda da visão útil. Não são raros os casos de pacientes mais idosos que sofrem quedas e fraturas sérias devido à visão prejudicada pela catarata.

Como não existe tratamento clínico para a catarata, a única maneira de impedir o avanço da doença e a perda da visão é a cirurgia de remoção do cristalino e a colocação de uma lente intra-ocular artificial. A cegueira causada pela catarata pode ser reversível nos casos em que não há outras doenças oculares associadas, como a degeneração macular, a retinopatia diabética ou o glaucoma.

Há uma ligação direta entre o cigarro e a catarata. Diversos estudos científicos apontam que quanto mais alguém fuma, maior a chance desta pessoa desenvolver catarata. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios revelam que cerca de 20% da população brasileira com 25 anos ou mais é fumante, por isso a incidência de catarata crescerá no País. O Brasil faz apenas 400 mil cirurgias de catarata por ano (somando o Sistema Único de Saúde (SUS) e o sistema privado). Para uma taxa efetiva de cirurgia de catarata deveriam ser realizadas 800 mil.


Virgilio Centurion é oftalmologista e diretor do IMO - Instituto de Moléstias Oculares. Para saber mais, acesse: www.imo.com.br

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