Consumo de gordura trans é associado à baixa qualidade de vida

Cansaço crônico e pessimismo em relação ao trabalho são alguns dos malefícios

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/11/2011

Muitas pessoas consomem alimentos ricos em gordura trans pelo fato de eles promoverem sensação de bem-estar, mesmo sabendo os riscos que ela traz à saúde do coração. Agora, um estudo publicado no Nutrition Journal revelou que tal sensação é passageira e, no geral, esses indivíduos apresentam baixa qualidade de vida. A análise foi liderada por uma pesquisadora da University of Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha.

A pesquisa contou com a participação de mais de 8.400 pessoas. Todas foram submetidas a um questionário com cerca de 130 itens e, quatro anos depois, completaram a entrevista falando sobre a sua qualidade de vida.

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Os resultados apontaram que dietas ricas em gordura trans estavam significativamente associadas a relatos de baixa qualidade de vida, que incluíam sensação de cansaço constante, pessimismo em relação ao trabalho e a vida social, além de expectativas negativas em relação à saúde no futuro.

Gorduras trans, também conhecidas como óleos parcialmente hidrogenados, são um tipo de gordura criado em laboratório em um processo que adiciona hidrogênio a óleos líquidos para torná-los mais consistentes. Elas estão presentes em fast foods e alimentos processados, como cookies e biscoitos.

Consumo de gordura trans pela mãe prejudica o bebê
Pesquisadores da Universidade da Georgia (EUA) também descobriram que mulheres que estão amamentando e tem uma dieta rica em gorduras trans dobram as chances de seus filhos terem altos níveis de gordura corporal na infância e desenvolverem obesidade infantil nos primeiros anos de vida.

Gorduras: elas fazem bem ou mal?

O estudo observou 96 mulheres que estavam amamentando os filhos durante os últimos meses de gestação e durante os primeiros meses de vida dos bebês. Também foi feito um questionário sobre os tipos de alimentos que cada mãe consumiu diariamente. Eles separaram as participantes em três grupos: mães que consumiam altos níveis de gorduras trans, mulheres que consumiam pequenas quantidades de gorduras trans e aquelas que não ingeriam esse tipo de gordura.

Os pesquisadores descobriram que o consumo de 4,5 gramas de gordura trans diariamente pelas mães duplica as chances de os filhos terem problemas de peso na infância, se comparados aos bebês que foram amamentados por mulheres que tinham uma dieta mais saudável.

Também foi descoberto que, mesmo aquelas mulheres que tinham uma alimentação adequada durante a gravidez e passaram a consumir gorduras trans após o nascimento do filho, prejudicavam a saúde do bebê. Isso prova que as gorduras trans, como várias outras substâncias, são transferidas da mãe para o filho por meio da amamentação.

De acordo com os cientistas, relaxar na alimentação após o nascimento do bebê é normal. Muitas mães controlam a vontade de comer alimentos não saudáveis durante os nove meses de gestação, mas tiram o atraso após o nascimento da criança.

Os malefícios desse tipo de gordura para o bebê são graves. Além de aumentar a porcentagem de gordura, ela causa um quadro de obesidade infantil muito difícil de ser revertido nos primeiros anos de vida, o que aumenta as chances da criança ter problemas vasculares, cardíacos e psicológicos.