Gene FTO dificulta reconhecimento da saciedade

Crianças com a duplicidade do gene tendem a comer além do necessário

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 28/07/2008

Crianças com duas cópias do gene FTO têm dificuldade no reconhecimento da hora de parar de comer. O dado é apontado por pesquisadores do University College of London e do King´s College, em um estudo divulgado pela publicação científica Clinical Endocrinology & Metabolism.

O gene FTO é identificado como um dos contribuintes da obesidade. A presença dele foi avaliada em três mil crianças, entre 8 e 11 anos. Os pesquisadores estudaram o impacto do gene na queima de calorias e no apetite dos participantes.

Para obter resultados, os especialistas levaram em conta o tamanho, o peso e a circunferência da cintura das crianças. Os estudiosos britânicos avaliaram ainda as respostas dos pais a um questionário sobre o comportamento dos filhos diante das refeições.

A conclusão da pesquisa é que as crianças que apresentam o gene FTO duplicado costumam comer mais que o necessário, além de terem dificuldade para perceber quando estão satisfeitas. Os cientistas afirmam que os efeitos do gene no apetite independem de idade, sexo, condição sócio-econômica e índice de massa corporal.

Em adultos, estudos anteriores também mostraram influência do gene FTO sobre o excesso de peso. Enquanto as pessoas que carregam uma cópia do gene costumam ser 1,5 kg mais pesadas, aquelas que apresentam o gene duplicado tendem a somar 3 kg a mais, se comparadas às pessoas que não carregam o FTO.

Vale lembrar, no entanto, que não existe um único gene responsável pela obesidade. A doença é conseqüência de uma série de fatores e da soma de muitos genes. A ação isolada do gene FTO, portanto, pode não ser significativa.

Deixando os genes de lado
Enquanto as pesquisas sobre a influência dos genes avançam, a melhor forma de evitar a obesidade é atentar aos hábitos alimentares. Filhos de pais obesos, realmente, tendem a ter o mesmo problema. Mas não pela genética, e sim pelos hábitos , alerta Carlos Domene, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital 9 de Julho.

O especialista afirma que os doces não precisam ser completamente excluídos da rotina da criança. Os problemas se escondem atrás dos excessos. Guloseima não pode substituir refeição ou servir para lanche da escola. Balas, refrigerantes e tudo que contém muito açúcar precisa ser consumido com moderação , orienta.

Mais um conselho para driblar o excesso de peso é incentivar os pequenos a praticar atividades físicas. Em geral, as crianças têm o metabolismo mais acelerado e se exercitam mais que os adultos. No entanto, o sedentarismo e o habito de passar muito tempo à frente da TV, do videogame e do computador vêm abalando o quadro.











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