Stevia: o que é, benefícios do adoçante e como usar

Além de ser um adoçante natural e não ter calorias, a stevia ainda adoça 300 vezes mais do que o açúcar comum

O que é stevia?

A stevia é um adoçante natural não calórico feito com a planta Stevia rebaudiana bertoni, um arbusto herbáceo presente no norte do Paraguai e no Brasil. O adoçante produzido com essa planta tem se popularizado graças a sua capacidade de adoçar os alimentos em cerca de 300 vezes mais do que açúcar.

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Origem da stevia

Apesar de ter se popularizado recentemente, a stevia é comercializada no Japão e no Brasil há mais de 20 anos, de acordo com a nutricionista clínica Isadora Kaba Gomes, do Hospital Edmundo Vasconcelos. "Sua história remonta a 1900, quando Ovídio Rebaudi, um químico paraguaio, isolou o composto adocicado da Stevia rebaudiana bertoni, que já era usada por índios Guaranis nativos da região da fronteira entre o Paraguai e o Mato Grosso do Sul. Setenta anos depois, a planta foi pesquisada por cientistas japoneses que, após estudos toxicológicos, iniciaram sua extração comercial", ela explica. Já em 1995, o Food and Drug Administration (FDA) liberou a importação da stevia como suplemento alimentar.

Benefícios da stevia

Os principais benefícios ao incluir a stevia na alimentação, de acordo com Isadora, são:


  • Stevia não possui calorias
  • Adoça 300 vezes mais do que o açúcar
  • Não é metabolizada no organismo
  • Resiste tanto a altas quanto a baixas temperaturas.

"Além de não conter calorias, há estudos que comprovam que os adoçantes à base de glicosídeos de esteviol não provocam cáries. Um estudo de 2012 avaliou a atividade antibacteriana de extratos de folhas de Stevia rebaudiana bertoni contra bactérias causadoras de cáries. Antes disso, um outro estudo de 2010 comparou a redução de placa dental com bochechos de sacarose (açúcar de mesa) e stevia. Foi demonstrado que a stevia, após o enxágue, reduziu a placa dental, quando comparada à solução de sacarose", explica a especialista.

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E não para por aí: a nutricionista destaca ainda que a stevia é capaz de reduzir a glicemia pós-prandial (após as refeições) de pacientes com diabetes tipo 2. Por outro lado, isso mostra que o uso de stevia pode modificar o resultado de testes de tolerância à glicose, reduzindo significativamente os níveis de glicemia. Portanto, a stevia deve ser evitada antes de realizar exames de rastreamento ou diagnóstico de diabetes durante a gestação.


Pontos positivos e negativos da stevia

Pontos positivosPontos negativos
Adoçante 100% natural Pessoas com alergia a algum componente do produto podem apresentar alguns efeitos colaterais, como náuseas, dor e fraqueza muscular, tonturas e alergia
Não possui caloriasO consumo por crianças, grávidas e pessoas com doenças renais deve sempre ser acompanhado por médico ou nutricionista
Pode ser utilizado em preparações que precisam ser levadas ao fogoPossui sabor amargo no momento inicial da ingestão dos alimentos adoçados com stevia
Possui alto poder de doçura-
Prevenção de cáries em relação à sacarose-
Possível redução da glicemia em pessoas com diabetes-

Abaixo, a nutricionista Camila Afonso Alho, da Rede de Hospitais São Camilo de SP, e a nutricionista Isadora Kaba Gomes, do Hospital Edmundo Vasconcelos, destacam as vantagens e desvantagens da stevia:

A stevia é mais saudável que os outros adoçantes?

O fato de ser um adoçante 100% natural, explica Camila, faz com que ela seja considerada mais saudável que os edulcorantes artificiais (ciclamato de sódio, aspartame e acessulfame K, sacarina sódica), com exceção da sucralose, que é um edulcorante artificial, porém seu consumo é seguro também. "Outras opções de adoçantes naturais e saudáveis são o eritritol e o xilitol. Deve-se ficar atento ao rótulo e garantir que a stevia adquirida não esteja associada a outros adoçantes artificiais", ela ressalta.

Stevia adoça 300 vezes mais que o açúcar

Ela está entre os adoçantes com maior poder de doçura e adoça 300 vezes mais que o açúcar. Entretanto, a nutricionista Cintya Bassi, do Grupo São Cristóvão Saúde, afirma que, mesmo com esse alto poder de adoçar, a stevia ainda fica atrás da sucralose que adoça entre 600 e 800 vezes mais que o açúcar.

Para efeito comparativo, a nutricionista Camila detalha: cada 1 grama de stevia corresponde a 300 gramas de açúcar (4 gotas equivalem a 1 colher de sopa de açúcar) e adoça 50% mais que em relação ao aspartame.

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O consumo da stevia é seguro?

De forma geral, os glicosídeos de esteviol são reconhecidos como seguros pelo Food and Drug Administration - FDA. "As principais autoridades mundiais de saúde, como a European Food Safety Authority (EFSA), Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA), Japan Ministry of Health and Welfare, Food Standards Australia New Zealand and Health Canada também estabeleceram que os adoçantes purificados de stevia são seguros. A stevia pode ser usada em pacientes com fenilcetonúria, ao contrário dos adoçantes sintéticos comuns, por exemplo. Alimentos que contém adoçantes de stevia também podem ser utilizados na dieta infantil sem contribuir para o aumento da ingestão calórica, de açúcar ou risco de cáries", defende a nutricionista Isadora Kaba.

Ela destaca que, embora nenhuma pesquisa publicada tenha examinado possíveis efeitos de glicosídeos de esteviol em mulheres grávidas e lactantes, vários estudos importantes com animais não demonstraram efeitos adversos na mãe ou no desenvolvimento de seus filhos. Os resultados se mantiveram mesmo quando os animais foram expostos à stevia todos os dias, durante longos períodos de tempo, a níveis 100 vezes superiores à Ingestão diária aceitável - IDA (taxa que regula a porção adequada de consumo dos alimentos diariamente, determinada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e pela Organização Mundial da Saúde).

"Os adoçantes de stevia são considerados seguros para a população em geral, incluindo mulheres grávidas e lactantes, quando consumidos dentro dos limites da IDA. Os produtos com adoçantes de stevia proporcionam um sabor adocicado e costumam ter baixo teor de carboidratos, o que é importante para as pessoas que precisam monitorar sua ingestão. Os adoçantes de stevia não aumentam os níveis de açúcar no sangue", reforça Isadora.

De acordo com a Global Stevia Institute, mais de 200 estudos foram revisados para que se atestasse a segurança da stevia. Com base nessas evidências, foi estabelecida a IDA para esse alimento, que se aplica a todos os grupos de consumidores. A IDA foi definida para os glicosídeos de esteviol (os componentes doces extraídos da folha da stevia) e é representada como equivalentes de esteviol de 4 mg/kg de peso corporal por dia. Em perspectiva, uma pessoa de 70kg precisaria consumir cerca de 40 pacotes de adoçante de mesa de stevia por dia, durante o resto de sua vida, para alcançar a IDA.

Stevia não tem calorias

Não é fake news: a stevia realmente não possui calorias. Isso acontece porque "os glicosídeos de esteviol não são absorvidos pelo organismo humano, pois nenhuma das enzimas digestivas é capaz de degradá-los e, por este motivo, são considerados pouco calóricos. A maior parte do adoçante ingerido é utilizada por bactérias intestinais, como fonte de energia, enquanto o restante é excretado nas fezes", explica Isadora Kaba.


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Stevia ajuda a emagrecer

Por não conter calorias, a stevia pode sim auxiliar no emagrecimento. "Porém, um produto ser à base de stevia como adoçante não significa que ele seja extremamente saudável e que sozinho vai ajudar no emagrecimento. É necessário avaliar os demais ingredientes. Entretanto, como uma alternativa ao açúcar para quem necessita evitá-lo, é, sim, uma boa alternativa", explica Michelle Mendes, nutricionista funcional e oncológica da Aliança Instituto de Oncologia.

A nutricionista Cintya Bassi ainda destaca que o açúcar tem 125 calorias por colher de sopa (25g), então, a stevia, por não ter calorias, apresenta uma grande vantagem nesse sentido, mas que apostar todas as fichas nessa substituição pode não ser o melhor caminho. "Apenas substituir o açúcar do café ou do suco e continuar com uma alimentação rica em gorduras, doces etc, pode não trazer os resultados esperados", ela explica. O consumo de adoçantes deve ser moderado e é importante estimular o paladar para adoçar menos as preparações e desfrutar mais do sabor natural dos alimentos, como explica Camila Afonso.

Pessoas com diabetes podem consumir stevia

Sendo totalmente substituível ao açúcar comum, a utilização da stevia é indicada aos pacientes com diabetes ou aqueles considerados pré-diabéticos (resistentes à insulina). "Os adoçantes de stevia não elevam os níveis de açúcar no sangue em humanos, muito pelo contrário - sabe-se que a população paraguaia utiliza a stevia como hipoglicemiante no diabetes. Esses indivíduos, ou aqueles que estão em risco de desenvolver diabetes, devem estar conscientes da ingestão de alimentos e bebidas de todas as fontes, incluindo os que contêm adoçantes de baixa caloria e açúcares. É importante conversar com um nutricionista e adotar uma dieta saudável e equilibrada para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle", explica Isadora.

Stevia pode ser consumida à vontade?

Não há dúvidas que a stevia, em comparação com outros adoçantes, é a opção mais natural e saudável. No entanto, como tudo na vida, deve ser usada com moderação. "Uma observação importante é prestar muita atenção aos rótulos, pois existem muitas marcas de adoçante dizendo que tem stevia, mas na verdade colocam uma mistura de vários outros adoçantes e o stevia é um dos últimos ingredientes da lista (ou seja, o que está em menor quantidade na composição). Por esse motivo é importante a leitura da lista de ingredientes do rótulo antes de realizar a compra", ressalta Michelle.

Além disso, como explica Cintya, a indulgência, ou seja, o efeito psicológico de que se pode cometer estripulias alimentares por conta da substituição do açúcar por adoçante não deve ocorrer. "Estudos apontam mudanças no mecanismo de reconhecimento cerebral com o sabor doce, podendo impactar na saciedade. Por exemplo, pessoas que adoçam o suco com grandes quantidades de adoçante, mesmo que stevia, estão acostumando seu cérebro e paladar a preferirem o sabor extremamente doce, o que não é saudável", ela exemplifica. Portanto, o equilíbrio continua sendo a máxima mesmo quando o assunto é stevia.

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Afinal, stevia é uma boa opção? Veja opinião dos especialistas

Veja abaixo a opinião dos especialistas entrevistados pelo Minha Vida em relação ao consumo da stevia. Lembrando que é sempre importante consultar um nutricionista para entender as suas necessidades alimentares específicas:

"Sim, recomendo. Pode ser colocado no café, chás, sucos, receitas de doces, como bolos e tortas, já que se mantém-se estável tanto em altas quanto em baixas temperaturas. Mas é sempre bom estimular o paladar a conhecer e se acostumar com o verdadeiro sabor dos alimentos, fazendo, assim, com que você vá diminuindo sua necessidade de alimentos adoçados", Michelle Mendes, nutricionista funcional e oncológica da Aliança Instituto de Oncologia.

"Sim, se houver necessidade de adoçar as preparações ou alimentos, em substituição ao açúcar de mesa ou ainda para pacientes com alterações glicêmicas. Obviamente, uma vez que o paladar do paciente seja mais adaptado aos sabores amargos e/ou azedos, é melhor para a saúde não utilizar nenhum aditivo alimentar para esta finalidade", Isadora Kaba Gomes, nutricionista clínica do Hospital Edmundo Vasconcelos.

"Sim, desde que o consumo seja moderado. O adoçante não deve ser usado como desculpa para dietas desequilibradas", Cintya Bassi, nutricionista do Grupo São Cristóvão Saúde.

"Sim, recomendo o uso da stevia em substituição ao açúcar comum e os edulcorantes artificiais, mas reforço a importância do estímulo ao paladar para adoçar menos as preparações e desfrutar mais do sabor natural dos alimentos", Camila Afonso Alho, nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de SP.

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Como usar a stevia no dia a dia

O segredo para o uso dos adoçantes é a moderação. A princípio, como afirma Cintya Bassi, a indicação do consumo de stevia é para pessoas com diabetes e com obesidade, mas pessoas saudáveis podem utilizar desde que evitem o consumo indiscriminado. "A stevia pode ser utilizada no dia a dia para adoçar qualquer alimento ou bebida como o café, por exemplo. Como ela tem uma boa estabilidade quando é submetida a altas temperaturas, pode ser utilizada também para fazer bolos. A maior dificuldade que as pessoas sentem ao consumir a stévia é o sabor amargo e residual que fica. Para amenizar isso, o ideal é comprar o extrato de stévia feito apenas de rebaudiosídeo, que é o composto mais doce da planta", destaca Michelle.

Contraindicações e efeitos colaterais da stevia

A stevia não tem contraindicações até o momento. "Estudos têm demonstrado que o consumo de stevia é seguro para a população geral, incluindo crianças e gestantes, a não ser que exista alguma intolerância ou alergia aos componentes da planta, como esteviosídeo e o rebaudiosídeo", explica Michelle.

A nutricionista Camila Afonso destaca que, em casos de alergia a algum componente do produto, é possível apresentar alguns efeitos colaterais, como náuseas, dor e fraqueza muscular, tonturas e alergia. O consumo por crianças, grávidas e pessoas com doenças renais deve sempre ser acompanhado por médico ou nutricionista.

Referências

Michelle Mendes, nutricionista funcional e oncológica da Aliança Instituto de Oncologia

Isadora Kaba Gomes, nutricionista clínica do Hospital Edmundo Vasconcelos
Cintya Bassi, nutricionista do Grupo São Cristóvão Saúde
Camila Afonso Alho, nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de SP