Por que as mulheres estão perdendo mais cabelo?

Calvície feminina tem sido cada vez mais comum na vida da mulher moderna

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 20/07/2016

Dr. Ademir Carvalho Leite Junior
Dermatologia - CRM 92693/SP

Nos últimos 10 anos tenho acompanhado uma mudança no perfil dos pacientes que procuram tratamentos para quedas capilares. Se no passado os homens eram os grandes preocupados com os efeitos estéticos e psicossociais relacionados à calvicie, a cada dia que passa observamos um número maior de mulheres sofrendo com o problema.

A queda capilar tem impactado tanto as mulheres, que elas já são maioria nos atendimentos médicos e de terapia capilar em clínicas especializadas. Mas o que vem acontecendo nos últimos anos para fazer com as mulheres tornem-se cada vez mais vítimas dos problemas capilares? Por que as mulheres hoje perdem mais cabelos do que há anos atrás?

Se fizermos uma avaliação das mudanças sociais, comportamentais e até mesmo psíquicas em relação às mulheres de cinco a seis décadas atrás para os dias de hoje, veremos que muita coisa está diferente e aconteceu de forma rápida e abrupta.

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"A queda capilar tem impactado tanto as mulheres, que elas já são maioria nos atendimentos médicos"

Mulheres que até então eram donas de casa e viviam tomando conta dos filhos tiveram que ir em busca de seu espaço no mercado de trabalho e ficaram expostas a inúmeras situações, que anteriormente não precisavam enfrentar.

Cobranças, estresse, planos de carreira, responsabilidades, metas no trabalho, alimentação inadequada, sono insuficiente, uso de anticoncepcionais e necessidade de estar sempre em forma e de bem com a vida, somam apenas uma parte das preocupações da mulher moderna.

Se formos pensar que esta mulher, após o trabalho, ainda tem que manter a casa bem arrumada, estar atenta às necessidades dos filhos e ter uma vida afetiva saudável, podemos afirmar que este cenário é o de um estilo de vida muito intenso.

Em virtude de tudo o que foi descrito, e sabendo que os cabelos são estruturas sensíveis ao estresse, aos erros alimentares, a problemas hormonais relacionados ao ciclo menstrual ou à tireóide, ao sono insuficiente, ao uso de medicamentos e também a uma possível genética favorável à queda de cabelos.

Não me estranha o fato de vermos as mulheres perdendo cada vez mais cabelos. E por isto, elas tem procurado mais o auxílio profissional.

É importante lembrar que as mulheres realmente tem uma relação muito forte e intensa com seus cabelos desde a infância, quando começam a usar presilhas e lacinhos, e não aceitam perdê-los sob nenhuma circunstância.

Nestes casos a maior preocupação refere-se ao diagnóstico do problema, que deve ser realizado na fase inicial. Esse acompanhamento é de extrema importância, haja visto que em estágios avançados o tratamento pode ficar comprometido.

Em virtude disto, entendo que a melhor conduta para a mulher que percebe um aumento da perda capilar na escova, no banho, na mesa do trabalho ou pelo chão da casa, é procurar ajuda médica o mais rápido possível.

Além do tratamento medicamentoso, acredito que seja essencial reorganizar a vida da paciente para que haja menos impacto negativo relacionado a este estilo de vida mais agitado.

Não acredito que o ideal é voltar no tempo e exigir que as mulheres fiquem em casa fechadas e livres dos problemas do mercado de trabalho, até porque o mundo evoluiu mais e melhor com a presença e a sensibilidade feminina no mercado de trabalho.

Mas creio que cabe ao médico, em parceria com a paciente, buscar uma forma de conciliar este novo estilo de vida à prevenção e recuperação da perda de cabelos. Desta parceria o objetivo será a manutenção dos cabelos sempre bonitos, volumosos, bem cuidados e saudáveis.