Não deixe que a alergia afete a pele do recém-nascido

Até o terceiro ano de vida, o bebê não tem autodefesa suficiente

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 03/09/2008

Monica Carvalho
Dermatologia
especialista minha vida

Muitos casais cuidam intensamente dos bebês, mas, às vezes, nem sabem dos riscos das alergias, principalmente da pele, que é mais delicada e sensível nesta fase da vida. Só a partir do terceiro ano de idade é que a pele da criança amadurece completamente, com o desenvolvimento das glândulas sudoríparas e da imunidade do organismo. No entanto, até atingir este momento de autodefesa, o bebê precisa de muitos cuidados, pois é grande a probabilidade de adquirir alergias.

Além da predisposição genética, que é um fator relevante no mecanismo do desenvolvimento da alergia, há outras situações do dia-a-dia que podem desencadear o problema, como a poeira, pêlos de animais, clima seco, poluição, entre outros. No recém-nascido, é muito comum um tipo de lesão chamada dermatite seborréica, que vai desaparecendo com o tempo (são aquelas crostas geralmente no couro cabeludo). Já as dermatites atópicas (geralmente em áreas de dobras) podem aparecer nos primeiros meses de vida e ficar por anos.

O que poucos sabem é que muitas das alergias podem ser evitadas. Nos casos de dermatite atópica, que tem a genética como principal responsável, é importante que o bebê tome banhos mornos, rápidos e se evite sabonete, que retira a camada de gordura protetora da pele, e perfumes em excesso. Além destes cuidados, é essencial que o bebê tenha sempre a pele hidratada. Mesmo assim, há casos em que as lesões da dermatite persistem, o que significa a necessidade de cuidados médicos.

Os tratamentos mais comuns são à base de corticóides e uma nova medicação chamada de imunomodulador. Nos casos de picadas de insetos, o melhor remédio é a prevenção, ou seja, evitar a exposição do recém-nascido a lugares com muitos insetos, como fazendas e sítios, além do uso de repelentes e antialérgicos.

Há, no entanto, alergias que são consideradas graves, que podem continuar por muito tempo e, às vezes, evoluem cronicamente, isto é, apresentam crises de piora e melhora. Existem também, as alergias causadas por alimentos, tendo o leite de vaca como um dos principais vilões. Seja qual for o motivo da alergia do seu filho, não dê corticóides via oral para eles sem ordem médica. De fato melhora a alergia, mas pode trazer efeitos colaterais, como atraso no processo de crescimento e muitos outros problemas.

Dicas:
Mantenha a sua casa sempre limpa e arejada.
Evite passar qualquer tipo de produto em excesso no seu filho, até mesmo o sabonete.
Leia sempre as recomendações do fabricante antes de passar pomadas, talcos, xampus, entre outros. Estes produtos podem causar algum tipo de alergia se não forem indicados para a idade do seu bebê.
Roupinhas sempre limpinhas, mas cuidado para não lavá-las com amaciante e sabão muito fortes, pois podem irritar a pele.

Dra. Mônica F. Carvalho-Nakatsubo é médica formada pela Escola Paulista de Medicina UNIFESP com especialização em dermatologia, dermatologia infantil e Dermatoscopia (estudo detalhado das "pintas (nevos).

Para mais informações, acesse: www.clinicamonicacarvalho.com.br

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