Tipos de cicatrizes de acne e como tratar: dermatologista explica

A cicatrizes de acne podem ser divididas em atróficas e hipertróficas, o tratamento pode variar entre os tipos

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 11/04/2019

Dra. Bhertha Tamura
Dermatologia - CRM 67946/SP
especialista minha vida

As cicatrizes de acne (espinhas) podem se apresentar de várias formas e por isso, o tratamento varia muito em um mesmo paciente e dependendo dos tipos é possível fazer um planejamento para que o resultado do tratamento tenha sucesso.

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Quadros leves de acne ou acne tratada de forma adequada podem não apresentar sequelas, mas o melhor tratamento para as cicatrizes é detectar precocemente se a doença está começando a evoluir com cicatrizes, mesmo que muito superficiais e tratar a pele de forma objetiva e efetiva para o controle das espinhas impedindo que evoluam para cicatrizes.

Uma coisa primordial que deve ser orientada aos pacientes é que jamais manipulem, "espremam" ou "cutuquem" as espinhas. As acnes inflamadas na região central da face podem até causar trombose de vasos e se infectadas, espelhar as bactérias para a pele ao redor levando a possibilidade de se transformar numa celulite (infecção grave da pele e do subcutâneo) que são quadros que podem ser letais se não cuidadas imediatamente.

Quando programamos um tratamento para as cicatrizes precisamos classificá-las para um programa global e selecionar quais os tipos de procedimentos resultarão em sucesso, porém, costumamos dizer que quanto maior o número de opções terapêuticas menor a chance de uma só resolver tudo.

As cicatrizes da acne têm duas classificações, são elas:

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  • Atróficas: pele não é mais igual a normal, pode ser puxada e esticada (distensível), ser profunda, superficial ou não (não distensível)
  • Hipertróficas: são aquelas endurecidas, que não esticam e ficam mais elevada que a superfície da pele.

As cicatrizes precisam tratamento para retornar à textura e aspecto próximo à pele normal ao seu redor.

Tratamentos para cicatrizes atróficas

As atróficas mais superficiais podem responder bem a tratamentos que renovam a pele, dentre eles:

  • Peelings médios (químicos ou com aparelhos - laser, luz intensa, radiofrequência)
  • Microagulhamento sozinho ou associado a estimuladores de colágeno (vitaminas, plasma).

As de profundidade média podem melhorar com técnicas combinadas como:

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  • Subcisão (levantamento da pele com agulha)
  • Peeling médio Abrasão mecânica ou com aparelhos de laser
  • Radiofrequência (com ou sem associação de princípios físicos entre os aparelhos)
  • Técnica de CROSS (colocação de ácido super forte para renovar a pele, causar inflamação e estimular a formação de colágeno para levantar a cicatriz) e complementação com preenchedores.

Quando a cicatriz não se distende, ou seja não é fixa, pode ser classificada dependendo da sua apresentação em alguns termos adotados por nós como "boxcar" (lembra o "box" de estacionamento de carro), "icepicked" (lembra local picado pelo picador de gelo) ou "rolling" (parece que passou um rolo na pele) e nesses casos são mais frequentes a cirurgia local com retirada de pele, fechamento da pele normal ou com enxertos.

O mini "lifting", cirurgia plástica da região média/inferior do rosto, para os pacientes com muita sobra de pele e também para elevar a pele podem ser indicados diferentes tipos de produtos para o preenchimento e estimuladores de colágeno (e células tronco são consideradas) quando as cicatrizes atróficas são extensas.

Tratamentos para cicatrizes hipertróficas

As cicatrizes hipertróficas podem se apresentar como cicatrizes muito elevadas ou pouco elevadas a partir do nível da pele normal. Quando muito elevadas, geralmente retiramos cirurgicamente o excesso e depois continuamos com outros métodos.

Se ocorrer uma queloide - que é mais raro no rosto -, a técnica para abaixar ou diminuir a cicatriz precisa de muita experiência, pois não podemos simplesmente retirá-lo cirurgicamente. Temos que diminuí-lo cirurgicamente para então programarmos a sequência do tratamento porque o quelóide pode voltar ainda maior.

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Alguns casos têm indicação de infiltração de corticóide, congelamento com nitrogênio líquido, reorganização do colágeno através de microagulhamento ou aparelhos de laser tentando "nivelar" a cicatriz para depois então tentar melhorar.

Nas apresentações hipertróficas utilizamos todas as técnicas disponíveis, dependendo da área, número de lesões, tipo de pele do paciente, alguma doença que possa estar associada (diabetes, etc). O caminho é longo e árduo quando há um conjunto de cicatrizes, tanto as atróficas, como as hipertróficas. Nestes casos, é muito mais comum utilizarmos técnicas de exérese (cirurgia para retirada) da cicatriz para igualar os limites das cicatrizes.

Importância do tratamento para acne

Antes de iniciar o tratamento de cicatrizes de acne é importante controlá-la caso esteja em atividade pois novas espinhas podem gerar novas marcas. A presença da acne também significa que sua pele está inflamada e a inflamação reduz a eficácia do tratamento para cicatrizes de espinhas, além disso, se houver infecção local, a bactéria pode contaminar e infectar a área a ser tratada resultando em quadros muito graves.

O tratamento das cicatrizes de acne é extremamente complexo, portanto, vai depender muito de tudo e todos: tipo de pele, tempo da cicatriz, número de cicatrizes, tipo de cicatrizes, resposta do paciente, tempo que o paciente dispõe, assiduidade nas consultas e tratamentos propostos, capacidade e experiência do médico, recursos que tanto o paciente, como o médico possui, o aceite dos tratamento e a realização do mesmos.