Hipotireoidismo e tumores podem ser confundidos com depressão e ansiedade

Especialistas explicam confusões no diagnóstico de doenças que parecem psicológicas, mas na verdade são físicas

POR NATHALIE AYRES - ATUALIZADO EM 08/09/2016

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde 50% dos casos de depressão não são diagnosticados corretamente. E isso não ocorre apenas com essa doença, mas também com transtornos de ansiedade, psicoses e outros problemas psiquiátricos. E um dos motivos é que muitos problemas de origem física podem apresentar sintomas semelhantes a essas doenças.

Justamente por isso, é função do psiquiatra fazer exames físicos em seus pacientes: "Se a alteração comportamental é secundária a um problema orgânico, é essa causa que tem uma prioridade de tratamento e não seguir isso pode colocar a vida da pessoa em risco", pondera o psiquiatra Rubens Fernandes, do Núcleo de Medicina Psicossomática e Psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein. Até porque o problema original não é tratado e ainda o paciente se expõe aos efeitos colaterais dos medicamentos sem necessidade.

"Então, só depois de excluir causas de doença física ou consequência do uso de drogas que o psiquiatra vê a possibilidade dos sintomas em conjunto corresponderem a um adoecimento mental", acrescenta o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro, do ProMulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e diretor da Vida Mental Serviços Médicos.

Pode parecer raro, mas são vários os quadros físicos que podem resultar em sintomas com aspectos psicológicos. Separamos alguns para você conhecer:

Doença de Parkinson

Antes mesmo dos típicos tremores aparecem, a doença de Parkinson apresenta também sintomas depressivos. "Entre eles temos dificuldades com memória, atenção e concentração, baixa estima e alterações dos padrões de sono e apetite", relata o psiquiatra Hewdy Lobo. Outros padrões, como a redução da expressão facial e movimentação mais lenta também podem se confundir com a depressão catatônica, em que há comprometimento dos movimentos. "Quase 50% dos pacientes com Parkinson tem sintomas depressivos", ressalta Hirata.