Efeitos da insônia são maiores nas mulheres do que nos homens

Fatores hormonais e alterações de humor fazem sexo feminino sofrer mais

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 26/01/2011

A insônia é um problema que atinge uma parcela significativa da população mundial. Em todas as partes do planeta, pessoas com dificuldade para dormir sofrem problemas cotidianos como o lapso de atenção e a falta de desempenho em atividades necessárias como o estudo e o trabalho. Contudo, os efeitos da insônia são mais danosos para a saúde das mulheres do que dos homens.

É conhecido que a privação do sono aumenta o risco de problemas cardiovasculares no indivíduo. Mas novidade é que esse risco é ainda maior para as mulheres que dormem pouco, de acordo com pesquisadores do University College e da Universidade de Warwick, de Londres. Eles concluíram que os índices de marcadores inflamatórios, utilizados na identificação de doenças cardiovasculares, variam no período de sono das mulheres. Esse fator, contudo, não encontra reciprocidade no gênero masculino.

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Efeitos da insônia são maiores nas mulheres do que nos homens - Foto: Getty Images
Efeitos da insônia são maiores nas mulheres do que nos homens

No estudo, as mulheres que dormiam por períodos inferiores a cinco horas por dia apresentaram maiores níveis da proteína C, uma molécula ligada a problemas cardíacos. Além de serem mais afetadas do que os homens quando dormem pouco, as mulheres constituem ainda maior fator de risco pelo fato de terem maior propensão a apresentar distúrbios que dificultam o sono, principalmente psicológicos. É o que explica a chefe da Disciplina de Medicina e Biologia do Sono na Unifesp (Univerdidade Federal de São Paulo) e médica do Instituto do Sono, Lia Rita Azeredo Bittencourt.

"As mulheres são mais suscetíveis à insônia por motivos genéticos e hormonais, pois a redução da progesterona na menopausa favorece a vigília, além de distúrbios de humor, como ansiedade e depressão, que são mais frequentes em mulheres", afirma a especialista.

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A menopausa tem início geralmente entre os 45 e 50 anos da mulher e, como apresenta fator favorável ao aparecimento da insônia, é um período no qual as pacientes precisam estar atentas aos efeitos do sono na vida cotidiana. Caso haja dificuldade em dormir durante a noite, recomenda-se a ida a um especialista sobre sono para que os efeitos do sono ruim não se juntem aos da menopausa para acarretar em danos mais sérios ao organismo.

É importante lembrar que a insônia favorece o aparecimento de diversos problemas cardiovasculares, como a hipertensão, além de aumentar o risco de infartos e derrames. Embora o ronco - outro sintoma de que algo mais grave pode estar acontecendo no organismo - tem maior incidência em pessoas do sexo masculino, os distúrbios hormonais e comportamentais colocam as mulheres em posição de risco elevada em relação aos males de noites mal dormidas.