Amores (quase) impossíveis

Cinco casais contam como driblam os inconvenientes de uma relação nada padrão

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 05/06/2008

Fugir aos padrões não é fácil. Mas quem falou que se relacionar é moleza? Os vínculos entre duas pessoas são conflitivos por natureza , afirma o psicanalista e diretor do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), Ernesto Duvidovich. Ou seja, desentendimentos fazem parte da rotina de qualquer relacionamento, independente da natureza.Os momentos a dois, no entanto, compensam as adversidades. Para provar isso, cinco casais contam a seguir o como é viver uma relação que desafia os padrões.


Namoro tipo exportação
Gustavo, 23 anos, estuda medicina na Bolívia e passa a maior parte do tempo longe da namorada Carla, de 21. Para ele, o ano é dividido em dois: quatro meses de estudo e saudade e um mês de férias grudado na namorada. Para ela, a expectativa é a mesma.

Junto há três anos e meio, o casal não tem dúvidas ao afirmar que a distância não coloca o amor em xeque. Aos poucos, descobri que dá certo. Isso, claro, se for amor verdadeiro , diz Carla.

Sobre a distância? Ela só incentiva a gente a aproveitar ao máximo todos os momentos que ficamos juntos , afirma ela. Como problemas, ele aponta a saudade, que só tende a aumentar, e a confiança sem ela, não há amor que resista.

Balzaquiana, sim. Em crise, jamais!
Encarnar uma personagem encalhada e ressentida, típica dos romances, nunca fez o tipo da advogada Roberta. Aos 47 anos, ela conheceu Marcelo, 19. E resolveu apostar no namoro. Ficaram casados por oito anos. Apesar da diferença de idade, fazíamos todos os programas juntos. Isso não acontecia com meu primeiro marido, da mesma faixa etária que eu , compara. O sexo também era bastante diferente da outra relação. Perfeito , resume. Atenção e carinho completavam o enredo romântico.

A segurança dela quanto à aparência também ajudou. Eu sabia que ele gostava das minhas rugas, da minha barriga saliente e dos meus cabelos brancos , afirma. Mesmo porque foi dele a iniciativa que engatilhou o namoro, ao pedir o telefone de Roberta a uma amiga em comum. Sinal de que, além dos atributos físicos, muitas outras características apresentam alto potencial de sedução.

Princípe encantado e comprometido
Ela era solteira e tinha acabado de ser pedida em casamento. Ele, casado há três anos e, aparentemente, satisfeito com a situação amorosa. Trabalhavam juntos.

Aos poucos, o ritmo das conversas aumentou e a atração entre os dois, também. Trocaram os telefones. Resultado: ele continuou comprometido. Mas com Letícia. O processo de separação dos dois com os respectivos relacionamentos demorou seis meses. Só depois de descomprometidos, começaram a namorar.

Foi difícil ser vista como a responsável pelo término do casamento dele. Mas sei que essa não é a realidade , diz ela. A vida conjugal dele já não ia bem antes mesmo de ficarmos juntos.

A nova condição civil ainda exigiu que ela trocasse de emprego, pois a empresa anterior não aceitava casais entre os funcionários. No mais, as vantagens sustentam a escolha. Ele tem a experiência de um casamento que não deu certo. Essa maturidade favorece bastante o nosso relacionamento , diz.

A dama e o vagabundo
Alguns anos de estudo e uns tostões a mais podiam separar Patrícia e Eduardo. Podiam. Mas não separaram. Ele era do tipo que só usava calça jeans e camisa xadrez. Eu me encanto por homens de terno , diverte-se ela.

Mesmo assim, o jeitinho despretensioso dele cativou o coração dela. Acabaram ficando juntos durante três anos, num namoro cheio de conflitos a mãe dela não tolerava a possibilidade de ter um genro com um perfil tão diferente.

Respeito e carinho, no entanto, estão longe de serem determinados pela classe social de alguém e Patrícia resolveu insistir no sucesso do casal. As energias só minaram por causa da aversão dele a miminizar a diferença cultural entre os dois, pois a bancária já havia sido superada desde o início. Dificuldade financeira dá para driblar. Mas a questão cultural acaba sendo muito forte e, no nosso caso, foi destruindo o sentimento que existia , diz Patrícia.

Flechadas em bits
Um cadastro caprichado na internet foi o ponto de partida para Bruna descobrir Adriano. Descrevi meu par ideal como mestiço, que fizesse faculdade e tivesse gostos parecidos com os meus. Encontrei um pretendente e estou com ele há três anos , diz.

Após trocarem e-mails, número de telefone e conversarem por três horas diárias durante uma semana, eles marcaram o primeiro encontro numa estação de metrô cautela necessária nesses casos.

Apesar de ser um meio frio de conhecer as pessoas, a internet me ajudou a encontrar alguém muito parecido comigo , explica ela. Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, a paquera não é eliminada nesse tipo de relacionamento. Ela apenas acontece de forma mais segmentada isso, é claro, desde que os dados oferecidos façam jus à realidade.

Depois de superada essa fase, a rotina passa a ser a dos relacionamentos tradicionais. A dinâmica é a mesma de qualquer casal. A única diferença foi a forma como descobrimos um ao outro , diz Bruna.

*A pedido dos entrevistados, eles aparecem com os nomes trocados.





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