Como diferenciar pensamentos ansiosos dos intrusivos?

O TOC e o Transtorno de Ansiedade Generalizada se parecem pelas alterações do pensamento, mas de formas diferentes

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 20/05/2019

Dr. Luis Guilherme de Oliveira Labinas
Psiquiatria - CRM 145324/SP
especialista minha vida

Ouço no meu consultório pessoas se queixarem de "não desligar", que "seus pensamentos estão muito acelerados". Normalmente são pessoas com quadros de ansiedade. Caso você sinta isso, é comum se queixar de que "não consegue relaxar", de estar sempre preocupado com coisas do cotidiano, como saúde, família e finanças, mas de uma maneira exagerada.

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Tais pessoas ficam tão preocupadas na maior parte do tempo que chegam a apresentar problemas com o sono, demora para iniciar o sono ou despertares noturnos. Essa insônia gera cansaço no outro dia e assim subsequentemente. Algumas pessoas sentem que a memória já não é mais a mesma, com esquecimento, "brancos na mente", desatenção, entre outras coisas.

Como a pessoa não relaxa, ela acaba vivendo tensa, "com os nervos à flor da pele", impaciente e até mais irritada. O corpo sente isso, principalmente com aparecimento de dores de cabeça, tensão muscular, espasmos musculares, tremores, entre outros.

Essa descrição é do Transtorno de Ansiedade Generalizada. Embora esses pensamentos sejam ruins, são pensamentos que a pessoa apresenta só que de uma maneira mais intensa. Ela até quer pensar, só que é mal modulado, é muito intenso.

Isso se diferencia dos pensamentos intrusivos relacionados ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Esses pensamentos, ideias ou representações, normalmente têm um caráter absurdo ou repulsivo para a pessoa, aparecem sem que ela deseje, mas são persistentes e incontroláveis. A pessoa não quer tê-los, mas não consegue retirá-los da mente. Vários desses pensamentos têm caráter absurdo e criam relações impossíveis.

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Alguns exemplos que tenho no consultório são: "Dr. Toda vez que ouço alguém falar o nome de Deus, me vem um pensamento de que Ele não existe, que Ele morreu. Só que eu não acredito nisso. Tenho muita fé".

Outro exemplo é de uma paciente que está em casa tranquila quando aparecem pensamentos de que o pai dela vai morrer se ela não colocar o chinelo a 45 graus da beirada da sua cama.

Como vocês podem perceber, são pensamentos muito diferentes daqueles que citei no começo do texto. A pessoa até tenta repelir tais pensamentos com alguma ação ou com outro pensamento, mas não conseguem. Há pessoas que fazem compulsões, ou seja, rituais, comportamentos repetitivos para tirarem os pensamentos da sua mente.

Entre essas compulsões, tentam organizar o chinelo, como a segunda paciente, lavar as mãos repetidamente, contar, checar várias vezes se as portas estão trancadas. Normalmente são atos que em nada têm a ver com o pensamento obsessivo inicial.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Transtorno de Ansiedade Generalizada se assemelham pelas alterações do pensamento, mas, como puderam perceber, são formas diferentes de manifestação patológica do pensar.

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Entretanto, o tratamento para ambas condições é muito semelhante. Sabe-se que a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) ajuda muito no controle comportamental e voluntário desses pensamentos, entendendo as distorções existentes na mente. Ela ajuda a prevenir e melhorar a forma como pensa e age.

Além disso, o uso de alguns medicamentos antidepressivos também faz parte do tratamento de ambas condições, como a Fluvoxamina, Paroxetina ou Escitalopram.