Como conviver com o medo da depressão voltar?

Psicoterapia aliada à mudança de hábitos podem diminuir o risco de adoecer novamente

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 02/08/2019

Dr. Luis Guilherme de Oliveira Labinas
Psiquiatria - CRM 145324/SP
especialista minha vida

Como conviver com o medo da depressão voltar? Essa é uma pergunta que recorrentemente ouço no meu consultório. Colocarei abaixo algumas frases que ouço de pacientes meus e que compilei:

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  • "Doutor, estou muito bem, mas será preciso mesmo tirar o remédio? Tenho medo da depressão voltar"
  • "Doutor, e se eu tiver depressão mesmo tomando o remédio"
  • "Parece que a sombra da depressão sempre está em volta"
  • "O que faço se voltar a me sentir mal?"

Essas perguntas são frequentes e demonstram o medo que as pessoas têm de ficar sem o remédio, ou de voltarem a ter os sintomas de depressão. A doença é caracterizada por desânimo, tristeza, angústia, falta de prazer, alteração do sono, do apetite, pensamentos de morte e sentimentos de culpa e menos valia.

A depressão é um transtorno episódico e autolimitado. O tratamento medicamentoso, com mudanças de hábitos e com psicoterapia normalmente fazem com que ela dure alguns meses, embora uma resposta dentro de 6 semanas já seja esperada. Cerca de 30% das pessoas podem apresentar recorrência do quadro clínico depois de meses ou anos do seu tratamento. São as chamadas depressões recorrentes.

São fatores que podem gerar essas depressões:

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  • Já ter tido um quadro depressivo prévio
  • O episódio depressivo ser grave
  • Familiares de primeiro grau com história de depressão
  • Uso de álcool ou drogas
  • Violência doméstica atual ou pregressa
  • Violência física ou abuso sexual
  • Relações interpessoais frágeis
  • Problemas conjugais

Sabe-se que questões neurobiológicas, como alterações em neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina), desregulação de alguns hormônios como cortisol, podem gerar essas depressões mais recorrentes. São características inerentes ao organismo da pessoa e são imutáveis.

Mas há todos outros componentes mutáveis que a pessoa pode trabalhar para evitar ou diminuir a chance de apresentar novos episódios depressivos.

O papel da terapia na depressão

A terapia ajuda muito nesse processo, pois a pessoa aprende a lidar com o medo de outros episódios, a viver com mais equilíbrio, sabendo reconhecer gatilhos que a deixam mal.

Além disso, a psicoterapia trabalha traumas do passado, como violência sexual, doméstica e física. É em terapia que a pessoa reconhece os relacionamentos interpessoais negativos, inclusive conjugais e pode trabalhar para se fortalecer perante o outro e construir relações saudáveis e equilibradas.

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Hábitos que afastam a depressão

Além disso, a atividade física é uma forma essencial de equilíbrio, de produção endógena de neurotransmissores do prazer. Sabe-se que quem pratica atividade física tem menores chances de voltar a ter uma depressão. Associada a ela, dietas equilibradas, que contenham vitamina B12, ácido fólico e ômega 3.

Sabemos que terapias alternativas como o mindfulness, a meditação, acupuntura e técnicas de relaxamento também são importantes. Muitas pessoas buscam apoio na fé e na religião, que também são grandes protetores para eventos psiquiátricos.

Buscar relacionamentos saudáveis, autoconhecimento e entender que frustrações são parte da vida são formas de afastar o risco de a depressão voltar. Além disso, é importante passar a dimensionar seus hábitos, atitudes e pensamentos para uma visão mais positiva. Estas são formas que apoiam muito no desenvolvimento de uma vida com menor probabilidade de desenvolver a depressão.