TDAH na infância pode dobrar chances de obesidade na vida adulta

Pesquisa diz que homens com transtorno tem menos autocontrole e comem mais

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 21/05/2013

Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio diagnosticado em crianças cujos comportamentos hiperativos prejudicam a capacidade de aprendizagem e outras funções cognitivas, tais como a concentração. Agora, um novo estudo descobriu que o distúrbio na infância pode ter uma relação com obesidade na idade adulta. A pesquisa, coordenada por um pesquisador do Institute for Pediatric Neuroscience (EUA), foi publicada dia 20 de maio da revista Pediatrics.

No trabalho, os autores acompanharam 205 crianças do sexo masculino com uma média de oito anos de idade, durante 33 anos ? ao final do estudo, os homens tinham aproximadamente 41 anos. A equipe descobriu que 41% dos homens que sofriam de TDAH na infância apresentaram índice de massa corporal (IMC) indicando obesidade, e apenas 22% dos homens que não tiveram TDAH na infância estavam acima do peso. Segundo os cientistas, é possível concluir que ter TDAH na infância pode dobrar as chances de um homem ter obesidade na vida adulta. Eles levaram em conta variáveis como depressão, ansiedade, abuso de drogas e álcool, status socioeconômico e transtornos mentais ao longo da vida.

Os pesquisadores não puderam encontrar a causa exata da relação entre o TDAH e obesidade, mas a teoria é de que a relação acontece devido a falta de autocontrole, sintoma comum no paciente com TDAH. De acordo com os autores, se uma pessoa tem menos do que a quantidade média de autocontrole por causa do transtorno, ela será menos capaz de resistir às tentações da comida ? principalmente em uma sociedade em que os "tamanhos grandes" são comuns em restaurantes.

Dicas para melhorar vida da criança com TDAH
Segundo o psicólogo clínico Ronaldo Ramos, diretor executivo da Associação Brasileira de TDAH, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade afeta de 3 a 5% dos adultos e crianças no mundo todo. "O uso de medicação contra TDAH pode ser iniciado por volta dos oito anos de idade, de forma a estimular uma maior produção de neurotransmissores no cérebro da criança e melhorar a atenção", explica o psicólogo Ronaldo. Mas é preciso fazer um diagnóstico preciso da doença antes e - se realmente for detectado o problema - aliar ao tratamento medicamentoso terapias e alguns hábitos diários, que juntos controlam a doença e podem evitar problemas que acompanhariam o paciente durante toda a vida. Confira o que especialistas recomendam aos pais e responsáveis para melhorar o convívio, o bem-estar e o desenvolvimento da criança.

Regras são necessárias

A neuropsiquiatra Evelyn Vinocur, especialista em TDAH, dá a seguinte recomendação: "Estabeleça regras de modo simples e específico e escreva-as em post-its que fiquem em locais de fácil visão para o seu filho". Você também pode pedir para que ele repita as instruções, de forma a fixá-las, mas sem esbravejar - sempre com paciência.

Segundo o psiquiatra infantil Gustavo Teixeira, professor visitante do Departament of Special Education da Bridgewater State University, nos Estados Unidos, crianças com TDAH apresentam dificuldade em se organizar, são "esquecidas". "Devemos auxiliar com estratégias que prendam a atenção e as façam se lembrar de compromissos e regras", explica o médico.