Avalie e previna os riscos de uma gravidez após os 35 anos

Por mais que essa gestação traga perigos, é possível evitá-los com alguns cuidados

POR NATHALIE AYRES - ATUALIZADO EM 02/01/2015

Nova pesquisa estatística do Ministerio da Saúde mostrou que cada vez mais as mulheres têm deixado a gravidez para depois dos 30 anos. O percentual de brasileiras que tem deixado para ser mães mais tarde hoje é de 30,2%, número que chegava apenas a 22,5% no começo dos anos 2000.

O mundo evoluiu, a expectativa de vida aumentou, mas algumas regras do corpo humano ainda são as mesmas dos tempos paleolíticos. Uma delas, inclusive, tem a ver com o ciclo reprodutivo da mulher, que começa a decair após os 35 anos mais ou menos. As células que geraram todos os óvulos já nascem com elas, ou seja, elas vão envelhecendo com o tempo, o que aumenta as chances de problemas. "Além disso, com a idade avançada há alterações do metabolismo, sistema imunológico, e do preparo do organismo para uma gestação, podendo assim desenvolver complicações", explica a ginecologista e obstetra Erica Mantelli.

Mas isso não quer dizer que você não possa mais ser mãe depois dessa idade. Ter qualidade de vida melhora muito as chances de uma gravidez tranquila e feliz, em qualquer idade. "Mulheres acima de 35 anos, que são saudáveis, praticam atividade física, mantêm alimentação equilibrada e fazem acompanhamento médico rigoroso conseguem amenizar alguns riscos", diferencia a especialista.

Por outro lado, ter filhos após essa idade está se tornando cada vez mais comum. "Há 20 anos 5% das grávidas tinham idade superior a 35 anos, hoje esse número chega a 20% em grandes capitais", contextualiza o ginecologista e obstetra Sang Cha, professor livre-docente da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonagrafia. E se esse é o seu caso, não precisa então se desesperar. Avalie a seguir os principais riscos da sua gestação e veja como é possível evitá-los ou minimizá-los.

Hipertensão e pré-eclâmpsia

Os quadros são um pouco diferentes, mas envolvem um problema comum: a pressão arterial elevada, o que traz uma série de riscos à mamãe e ao bebê. E tanto a hipertensão quanto a pré-eclâmpsia são de duas a três vezes mais incidentes na gravidez após os 35 anos. "Existe o envelhecimento do útero, a placenta não desenvolve adequadamente, e assim ela libera substâncias que acabam induzindo a hipertensão", ensina o ginecologista e obstetra Sang Cha, professor livre-docente da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonagrafia. Mais especificamente, essas substâncias agem na camada interna das veias, o endotélio, fazendo com que ele se endureça e necessitando que o sangue seja bombeado com mais força para circular com a velocidade necessária.

Como prevenir: Apesar da predisposição biológica, o estilo de vida está muito relacionado à gestação: "Alimentação saudável, com baixo teor de sódio, praticar atividade física , controlar ganho de peso e cuidar da saúde auxiliam sim", considera a obstetra Erica Mantelli. Mesmo assim, essas intercorrências podem aparecer, principalmente a pré-eclâmpsia, que não tem uma causa já definida. Por isso, o acompanhamento constante do obstetra nas primeiras semanas de gravidez é o que indica a maior parte dos riscos, não importa a idade da gestante.