Saiba como devem ser as consultas com o seu pediatra

Alguns sinais revelam se o médico é mesmo de confiança, fique de olho

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 22/03/2007

A última vez que você esteve em um pediatra foi... há uns 20 anos, talvez? Como nem sempre dá para testar os médicos antes de eleger o melhor, é natural que, ao voltar a freqüentar o pediatra (por causa do bebê, claro!), surjam algumas dúvidas. Será que ele olhou tudo? Será que está fazendo direito?

Será que todos os médicos são assim? Minha Vida conversou com Fábio Ancona, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, para esclarecer todas essas dúvidas. Assim, você saberá o que observar e exigir do profissional, e como serão as visitas ao longo dos próximos anos. Conhecer bem essa rotina traz mais segurança e tranqüilidade para você e seu filho. Acompanhe!A primeira vez
Ainda na maternidade, o bebê será examinado pelo pediatra do hospital ou pelo profissional escolhido por você. Até os dez primeiros dias de vida do neném, deve acontecer a primeira visita oficial ao consultório.

O objetivo é esclarecer as dúvidas dos pais e fazer uma avaliação das adaptações do recém-nascido no mundo exterior. Essa consulta costuma ser bastante demorada e detalhada, já que é quando o médico fará uma ficha com o histórico do bebê e da saúde de seus familiares.

Perguntas e mais perguntas
O médico deve questionar a mãe sobre cada detalhe da saúde do bebê, para assim identificar alguma característica fora do normal. Obrigatoriamente, o pediatra deve perguntar à mãe sobre sistema respiratório e digestivo e sobre a rotina alimentar da criança , explica Ancona. Além disso, o pediatra deve se interessar por questões que envolvem o bebê desde a gestação, como saber se ele foi planejado e como foi o parto.

Escutar, tocar, sentir
O exame físico faz parte da rotina da consulta, e é indispensável que seja feito com a criança despida. O profissional deve ter o cuidado de aquecer as mãos antes de tocar no bebê, além de garantir que elas estejam muito limpas. Medir e pesar seu filhote são itens obrigatórios, e não apenas porque assim se acompanha o crescimento do pequeno.

Qualquer medicamento tem sua dose receitada por quilo de peso do bebê. É impossível receitar um remédio corretamente sem antes pesá-lo , afirma Ancona. O pediatra também irá escutar o coração e o pulmão, medir a temperatura, observar a garganta, os ouvidos, os olhos e a pele, ver como andam os reflexos do pequeno e examinar a barriga através do toque.

Em caso de emergência
Quando seu filho apresentar sintomas que precisam ser acompanhados de perto, como perda repentina de peso ou diarréia, o pediatra provavelmente dispensará o exame minucioso do bebê e se concentrará apenas no problema. Em caso de consultas emergenciais, como em caso de intoxicação, febre alta ou vômitos, não é necessário marcar previamente a visita.

Essas consultas são mais rápidas e podem ser realizadas até no pronto-socorro. Caso o bebê seja atendido por outro médico, avise logo seu pediatra sobre o que aconteceu, qual foi o diagnóstico e a medicação recomendada.

A freqüência certa
O acompanhamento regular do pediatra é indispensável nos primeiros dois anos de vida. A primeira visita deve ocorrer até que o bebê complete 10 dias. Trata-se de um período em que é crucial trabalhar as dúvidas maternas , afirma o pediatra Fábio Ancona. Até os 6 meses de idade, o bebê deve ser levado ao médico uma vez por mês. A partir daí, uma vista bimestral é suficiente. De um ano de idade em diante, consultas a cada três meses são a freqüência ideal.



Só para especialistas
Caso sejam diagnosticados problemas congênitos no bebê, como uma fratura na clavícula durante o parto, pés tortos ou pernas arqueadas, os pais são orientados a procurar um ortopedista especializado em crianças.

O ideal é que deformações nos membros inferiores sejam detectadas cedo, pois no primeiro ano de vida já é possível corrigi-las.Mais próximo dos dois anos de idade, uma visita ao oftalmologista garante que o pequeno tenha sua saúde visual preservada, mesmo que tudo pareça normal.

Mas, se antes disso perceber algo de errado, como manchas nos olhos do bebê, ou olhos constantemente vermelhos, procure um oftalmologista imediatamente. O ideal é que logo após o nascimento seja feito o teste dos olhos, que detecta problemas de nascença.

Se a criança aparentar ter dificuldade no desenvolvimento da linguagem e nenhum problema de audição for detectado pelo pediatra, provavelmente ela precisará do apoio de uma fonoaudióloga. Procure essa especialista se perceber que, passados 18 meses de idade, seu bebê ainda não consegue pronunciar as primeiras palavrinhas.

Meu pediatra não faz tudo isso. E agora?
Nesses tempos de plano de saúde, muitos médicos acabam atendendo mais pacientes por hora do que deveriam, para compensar os baixos valores pago pelas empresas de convênio. Nos hospitais públicos e postos de saúde, o problema é parecido: com muita gente na fila, não é raro que a consulta seja apressada.

Mas, por mais complicada que seja a situação, isso não exime o médico de sua obrigação de atender com atenção e cuidado o pequeno paciente e seus pais. Será que é esse seu caso? Ou, simplesmente, o médico pode não ser bom o suficiente acontece.

Antes de tomar qualquer atitude, no entanto, tente conversar com o profissional. Explique a ele suas dúvidas e insatisfações sem constrangimentos afinal, o que está em jogo é a saúde do seu filho. Se as explicações para suas questões lhe convencerem, e o médico se esforçar para adotar uma conduta mais atenciosa, muito bem. Mas se você continuar insegura, não tenha dúvidas: mude de profissional.



Até agora, qual a sua maior dificuldade nos cuidados com
seu bebê? Por quê?



PUBLICIDADE