Dicas para conseguir uma amamentação mais tranquila

Posição do bebê e da mãe ajudam na hora do aleitamento

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 17/05/2018

Dra. Bárbara Murayama
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 112527/SP
especialista minha vida

Nos últimos dias aconteceu um fato que chamou a atenção para esse tema. Uma mãe que foi proibida de amamentar em um local público. Esse fato só nos mostra que há ainda um longo caminho a percorrer com o objetivo de tornar nossas crianças mais saudáveis através do aleitamento materno.

Sou defensora do aleitamento materno não apenas como médica ginecologista e obstetra, mas como mãe do Pedro que está agora com quase quatro meses e só é alimentado no peito. Confesso que o primeiro mês não foi nada fácil, mesmo conhecendo o assunto na teoria e na prática com minhas pacientes. Então resolvi dividir com vocês um pouco sobre a importância do leite materno e medidas práticas para levar adiante as mamadas.

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O leite humano é amplamente reconhecido como a fonte ideal de nutrição para todas as crianças. O leite materno promove o desenvolvimento do sistema de defesa do bebê e atende as necessidades nutricionais de um recém-nascido até seis meses de idade, quando os alimentos complementares e líquidos são normalmente adicionados à dieta. O aleitamento deve continuar como complementação da alimentação até os dois anos de idade.

A amamentação, além de alimentar, imunizar e proteger contra diversas doenças ainda traz vantagens para a mãe, toda a família e para a sociedade.

O leite humano é amplamente reconhecido como a fonte ideal de nutrição para todas as crianças.Ele promove o desenvolvimento do sistema de defesa do bebê

PARA A MÃE

Mulheres que amamentam apresentam menos sangramento pós-parto e, portanto menos risco de anemias. Além de recuperação mais rápida do peso de antes da gravidez, menos risco de câncer de mama, ovário e endométrio e menos fraturas ósseas por osteoporose

PARA A CRIANÇA

As crianças que são amamentadas com leite materno tem menos alergias em geral, doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, desnutrição, diabetes mellitus, diarréias, doença de Crohn, leucemias e linfomas, síndrome da morte súbita infantil, tumores de crescimento, entre tantas outras. Além disso, os bebês também desenvolvem melhor acuidade visual, desenvolvimento cognitivo, neuromotor e social e quociente intelectual.

PARA AS FINANÇAS DA FAMÍLIA E DA SOCIEDADE

Economia com a alimentação do recém-nascido e em consultas médicas, medicamentos, exames laboratoriais e hospitalização da criança.

Quando começa o aleitamento?

A amamentação deve começar ainda nas primeiras horas após parto, se possível. Imediatamente após o nascimento o bebê já pode ser levado ao peito da mãe para um primeiro reconhecimento.

Nos primeiros dias após o parto, a mulher produz uma quantidade pequena de um leite amarelado chamado colostro. O colostro é rico em nutrientes e fornece todas as calorias que um bebê precisa para os primeiros dias.

Muitas mulheres temem que seu bebê não esteja recebendo leite suficiente logo após o parto, quando apenas pequenas quantidades de colostro são produzidas normalmente. É normal produzir pequenas quantidades de leite no início. Com a amamentação frequente continuando, uma maior quantidade de leite maduro será produzida dentro de dois ou três dias. Bebês normalmente perdem peso durante os primeiros dias de vida e gradualmente recuperam esse peso.

Qual a melhor posição para amamentar?

Não há uma "melhor" posição, a mulher deve ficar confortável para a mãe e permita que o bebê realize a pega adequada, sugando facilmente

Não há uma "melhor" posição, a mulher deve ficar confortável para a mãe e permita que o bebê realize a pega adequada, sugando facilmente. A mãe pode ter várias posições preferenciais, dependendo do tamanho do bebê, da condição médica da mãe e local onde vai amamentar. Isso só a prática e a intimidade entre mãe e filho definirão e pode levar dias a semanas para a adaptação ideal. Mas é importante buscar ajuda profissional para conseguir encontrar a posição correta para você, pois um posicionamento desconfortável pode prejudicar a pega e machucar os mamilos. A mãe pode estar sentada, deitada ou até de pé. O bebê pode ficar sentado, deitado ou até em posição invertida (entre o braço e o lado do corpo da mãe). O importante é que ambos estejam confortáveis e relaxados. Há quatro dicas da posição correta do bebê:

- O corpo e a cabeça do bebê devem estar alinhados para que a criança não precise virar a cabeça para pegar a mama.
- O corpo do bebê deve ficar encostado no da mãe (barriga com barriga).
- O queixinho deve tocar o peito.
- A criança é apoiada pelo braço da mãe, que envolve a cabeça, o pescoço e a parte superior do seu tronco. Nos bebês pequenos, a mãe deve envolver também o bumbum com a mão.

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A boa pega é importante para que o bebê consiga sugar adequadamente, a criança deve abocanhar não só o mamilo e sim toda ou a maior parte da aréola (ou seja a parte mais escura da mama). Esta pega correta proporciona a formação de um grande e longo bico que permite a sucção adequada. Quando a pega não está correta, o bebê não consegue mamar direito, podendo ficar irritado, além de machucar o bico, causando as rachaduras.

Um dos principais motivos do desmame precoce é a dor para amamentar que pode ser causada por rachaduras, ingurgitamento das mamas ("mama empedrada") e até situações mais graves como mastites.

Seguem algumas orientações para o sucesso no aleitamento, porque a amamentação pode e deve ser prazerosa para a mãe e o bebê. Não é só um meio de alimentação, é um ato de amor. Lembrando sempre que nenhuma medida deve ser tomada sem o prévio conhecimento da sua médica.

  • Manter o aleitamento exclusivo sob livre demanda: iniciar a amamentação na primeira hora após o nascimento
  • Buscar ajuda de profissionais da saúde ainda na maternidade e em casa se necessário para conseguir a boa pega e posição mais confortável do bebê
  • Procurar sua obstetra sempre que necessário para esclarecer suas dúvidas e a qualquer sinal de dor, assim a médica poderá orientá-la precocemente
  • Expor os mamilos ao ar e ao sol por 10 a 15 minutos ao dia se possível e sempre antes das 10h ou depois das 16h
  • Aplicar compressa fria (nunca gelada) no intervalo das mamadas quando as mamas estiverem muito cheias e quentes
  • Evitar lavar os mamilos várias vezes ao dia porque a lavagem excessiva com sabões resseca a pele mamilar
  • Espalhar o próprio leite ordenhado para hidratar e lubrificar a aréola é o ideal
  • Evitar o uso de protetores mamilares que além de confundir a pega podem diminuir a ventilação
  • Não usar cremes ou pomadas, a não ser sob prescrição do seu médico.
  • Para tirar o bebê do peito, sempre introduzir o seu dedinho dentro da boca do bebê para que ele passe a sugar seu dedo, largando o bico
  • Iniciar a mamada pelo peito sadio ou menos dolorido. Caso não estejam doloridos, começar pela mama que terminou na mamada anterior
  • Amamentar o bebê em diferentes posições até descobrir qual é a melhor para você e seu bebê
  • Busque fontes de qualidade e leia muito sobre o assunto ainda durante a gravidez, veja imagens e vídeos demonstrativos para conhecer as diversas posições e a pega correta, ouça depoimentos de outras mães e tire todas as suas dúvidas com sua obstetra durante o pré-natal e o aleitamento.