Diabetes gestacional traz perigo a mãe e bebê

Alimentação inadequada e excesso de peso são fatores de risco

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 24/08/2007

A saúde da mulher fica muito mais vulnerável durante a gravidez - e não à toa: por nove meses, o organismo tem de dar conta das necessidades de duas vidas. A boa notícia é que os problemas costumam ficar restritos ao pré-natal e podem ser minimizados com o acompanhamento médico adequado.Esse é o caso do diabetes gestacional, desequilíbrio das taxas de glicemia que pode acometer algumas mães durante a espera pelo bebê e que, na maioria dos casos, se normaliza depois do nascimento da criança.

"O diabetes gestacional normalmente aparece sem dar sinais. Por isso é importante verificar os índices de glicemia já nos primeiros meses de gravidez, por meio de exames de sangue", alerta Cláudio Emílio Bonduki, obstetra da Universidade Federal de São Paulo. O especialista afirma que os sintomas comuns da doença, como sensação de boca seca e constante

vontade de urinar, só aparecem quando as taxas de açúcar no sangue estão muito elevadas.

Ainda de acordo com o obstetra da Unifesp, pacientes que, antes da gravidez, apresentavam índices de glicemia normais e passaram a ter o descontrole quando grávidas, certamente, já tinham uma predisposição genética para ter a doença. "Elas passam a desenvolvê-la na gestação, pois o próprio estado gravídico deixa a mulher mais suscetível. As mudanças hormonais podem mexer com o metabolismo".

O sobrepeso anterior à gravidez é outro fator desencadeante do diabetes gestacional. "A gordura acumulada acaba piorando o metabolismo da glicose", explica Cláudio. O fator de risco é o mesmo para mamães que engordam muito durante a gestação. Segundo o especialista, "o normal é a gestante ganhar de meio a um quilo por mês, sendo que, nos três últimos meses, esse limite aumenta para um quilo e meio, totalizando de oito a 12 quilos".

Apesar de todos estes fatores fazerem com que o exame de glicemia seja necessário desde o início da gravidez, é muito importante acompanhar as variações das taxas de açúcar por volta do sexto mês. "O feto passa a consumir mais glicose para ganhar peso, aumentando a probabilidade de surgirem problemas relacionados às taxas de açúcar nesse período da gestação", esclarece a obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, Luciana Taliberti.

Segundo a especialista, isso acontece porque, na ocasião, ocorre um aumento de hormônios placentários, que estimulam a produção de insulina circulante no sangue materno com a finalidade de manter a glicose dentro da célula fetal. Ela diz que algumas pacientes não são capazes de produzir insulina suficiente para permitir que a glicose vá para o bebê, fazendo com que o açúcar extra permaneça em seu próprio sangue.

A experiência foi vivenciada pela funcionária pública Rita Andreucci, 38 anos, em sua segunda gestação. "No início da gravidez, o exame de glicemia não apontou nenhuma anormalidade. Por volta da 28ª semana, medi as taxas novamente e o diabetes foi detectado", conta.

Afaste os riscos com o tratamento certo
Caso a mãe não passe pelo devido pré-natal e as taxas de glicemia não sejam controladas, a descompensação pode resultar em coma diabético. Entre as conseqüências para o bebê estão a

macrossomia (excesso de peso) e a elevação do líquido fetal, que aumentam o risco de morte e comprometem a vitalidade dos recém-nascidos. As crianças podem ter problemas como icterícia e hipoglicemia, por exemplo, além das chances de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

Recorrer ao tratamento adequado é a alternativa para espantar tais riscos. Como as causas são bem diversificadas, os tratamentos variam de acordo com o histórico da paciente. "Quando as taxas de glicemia estão um pouco acima de 130 mg/dl, a primeira alternativa é mudar alguns hábitos alimentares e praticar exercícios físicos", diz o obstetra da Unifesp.

Para não errar na dieta, Roberta Stella, responsável pela equipe nutricional do portal Minha Vida, conta que o passo inicial é abandonar a idéia de que mulheres grávidas precisam comer por duas pessoas, evitando assim, os exageros. "As mães que sofrem com o diabetes gestacional devem seguir um cardápio balanceado e com restrição de açúcar. É fundamental dar preferência aos alimentos integrais, fugindo não só do açúcar refinado, como também da farinha".

As opções recomendadas pela nutricionista para substituir o açúcar são os adoçantes. "Se a grávida não tiver histórico familiar de fenilcetonúria, doença de caráter genético que impede o organismo de metabolizar o aminoácido fenilalanina, pode consumir adoçantes à base de aspartame sem problema algum. Mas com moderação, é claro", afirma Roberta.

Se os índices de glicemia não abaixarem só com uma dieta equilibrada e com a prática de atividade física, as doses de insulina (hormônio responsável pelo transporte de glicose pelas células) entram em ação. Segundo Cláudio Bonduki, "não existe uma regra, mas, normalmente, quando as taxas de glicose estão muitos altas (acima de 140 ou 150 mg/dl), a insulina é receitada antes de esperar os efeitos da dieta equilibrada aparecerem". Caso de Rita que, além de seguir uma dieta rígida indicada por um endocrinologista, precisou recorrer a doses diárias de insulina. "Eu aplicava a insulina logo de manhã e acompanhava os índices de glicemia três vezes ao dia. Assim, consegui manter as taxas sempre dentro do limite", lembra.
Já as mulheres que sofriam com o diabetes antes da gravidez, precisam ter o acompanhamento de um endocrinologista para controlar a alimentação, o ganho de peso e as taxas de glicemia. "Quando a paciente já recorria às doses de insulina, é normal ter que aumentar a quantidade durante a gestação", tranqüiliza o obstetra.Depois do parto
"Em geral, 70% das mulheres corrigem o desequilíbrio das taxas de glicose no sangue, depois do nascimento do bebê", afirma Cláudio Bonduki. Mas isso não significa que a mulher nunca mais sofrerá com o desequilíbrio de açúcar no sangue. De acordo com o especialista, "o diabetes gestacional mostra que a paciente tem uma tendência à hiperglicemia. Por isso, é preciso sempre ficar de olho na alimentação e checar as taxas de glicose freqüentemente e, especialmente, em uma próxima gestação".

Quando o problema se estende além da gravidez, as pacientes precisam dar continuidade ao tratamento que, não necessariamente é feito com doses de insulina. "Na fase de manutenção, outros medicamentos são capazes de deixar os índices de glicemia estáveis, variando caso a caso", diz o especialista.







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