Febre, engasgue e queimaduras em crianças precisam de cuidados especiais

Veja o que fazer e o que não fazer antes de levar seu filho ao hospital

POR NATHALIE AYRES - ATUALIZADO EM 18/07/2016

Criança com febre - Foto: Shutterstock
A febre é uma reação natural do organismo e pode ser tratada com analgésico receitado pelo médico, mas em casos de convulsão, a atenção deve ser redobrada

Muitas vezes parece incrível, mas é só ter crianças dentro de casa que encrencas estão garantidas. "Elas são mais propensas a acidentes domésticos, devido à sua natural falta de responsabilidade, aliada à extrema curiosidade, próprias da criança", considera o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros. Além disso, qualquer mudança súbita da saúde de uma criança já deixa os pais em desespero.

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Para os médicos, o mais importante é focar na prevenção desse tipo de problema. "A grande preocupação da pediatria é com a prevenção do acidente. Quanto maiores os cuidados preventivos, menor a incidência e a gravidade das situações", reitera o especialista. Mas como imprevistos acontecem, é importante os pais estarem preparados para saber como agir de forma certa a cada problema e, principalmente, verificar o momento certo de levar à criança até um atendimento médico especializado. Por isso mesmo, confira nosso guia de como agir em situações de emergência das crianças.

Febre

O mais importante é que os pais lembrem que a febre, apesar de assustar, é uma reação natural do organismo. "Nosso organismo funciona bem quando estamos aos 37 ou 38 graus, mas para um vírus ou uma bactéria essa temperatura já é ruim, por isso que o corpo a eleva", comenta o pediatra José Luiz Setúbal, presidente do Hospital Infantil Sabará. Por isso, não é preciso entrar em pânico, consulte seu médico para saber qual a quantidade certa de antitérmico que você deve administrar e espere seu resultado.

Quando a febre passa de 38 graus, não é preciso também entrar em pânico. "O nível da temperatura não é indicativo da gravidade da doença. Se a criança está em bom estado geral, e se apresenta confortável quando não está febril, a mesma conduta anterior deve ser tomada", orienta o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria e da MBA Pediatria. O quadro fica mais grave quando aparecem convulsões. Nessas horas, de acordo com os especialistas, o ideal é manter a calma. Tente dar um banho morno na criança, cerca de 2 graus abaixo da temperatura em que ela está. Se elas persistirem, ai está na hora de levá-la diretamente ao hospital.

Diarreia

Quadros de diarreia têm cuidados que variam de acordo com o caso. Se o desarranjo só se dá quando a criança vai ao banheiro, é o caso de conferir com o pediatra ou nutricionista se não é preciso mudar a dieta. Agora, se ela é constante, é preciso tomar cuidado principalmente com a desidratação do pequeno! "É importante realizar a oferta de muitos líquidos, inclusive o soro caseiro. Se a criança apresentar vômitos, que impeçam a aceitação dos líquidos, leve-a imediatamente para um pronto atendimento, para avaliar a necessidade de hidratação por via venosa", ensina Sylvio Renan.

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Desmaio

Desmaios normalmente não são normais, se não vierem seguidos de alguma pancada, por exemplo. Se eles ocorrem sem causa aparente, o ideal é os pais deitarem as crianças e esperar sua recuperação. "Deitar a criança já facilita o aporte de sangue ao cérebro, o que pode ser melhorado com a elevação dos membros inferiores", considera Sylvio Renan. Se a criança não se recuperar, é preciso levá-la imediatamente a um pronto-socorro. Mas caso a criança volte a si, vale marcar uma consulta com um pediatra para verificar o motivo desse desmaio.

Queimaduras

É importante verificar sempre o grau dessa queimadura, o primeiro causa só vermelhidão, o segundo apresenta bolhas e o terceiro normalmente pode atinge até músculos e ossos. "A gravidade também se dá pela extensão que ela abrange. Uma queimadura superficial, mas que atinge grande parte do corpo da criança pede curativos específicos que devem ser feito por médicos. Agora, quando há formação de bolhas, significa que partes mais profundas da pele foram atingidas, e ai só um médico saberá a forma certa de tratá-las", diferencia Setubal. No caso das queimaduras mais leves, vale lavar a lesão apenas com água fria e corrente e não aplicar mais nenhuma outra substância por cima.

Fraturas

Quedas são frequentes em crianças, e muitas vezes podem levar inclusive à fraturas. Mas quando elas não estão expostas, como diferenciar uma fratura de uma simples torção? "Fratura sempre dói, se ela for completa em um osso longo, a criança nem consegue se mexer", ensina Setubal. Muitas vezes o osso pode trincar ou apenas rachar também, nesses casos a mobilização se torna possível, apesar da dor ser muito forte. Por isso mesmo, na dúvida, leve ao médico! "A melhor conduta é procurar imediatamente um pronto socorro que possua ortopedista de plantão, pois só ele será capaz de reconhecer o problema", frisa Sylvio Renan.

Choque elétrico

Esse tipo de acidente está cada vez mais raro. "Para uma criança levar um choque em uma tomada, por exemplo, ela precisaria colocar o dedo bem dentro dela, o que é difícil de acontecer", considera Setubal. Normalmente os choques de correntes caseiras não são suficientes para causar grandes estragos. De qualquer forma, não importa qual seja o choque, o primeiro passo é sempre cortar a correte elétrica primeiro. "Avalie em seguida a criança. Se ela estiver bem, sem sinais de queimadura, e sem outras lesões, basta observá-la por algum tempo. Mas em casos mais graves, que envolvem parada cardíaca ou cardiorrespiratória, deve ser levada urgentemente ao pronto atendimento mais próximo", orienta Sylvio Renan.

Engasgue

Quando a criança engasga, nem sempre significa que ela estará sem ar. É importante observar quais os seus sintomas: se ela chorar e tossir, significa que as vias aéreas ainda estão intactas. O problema é mesmo quando o choro está sem som e sua face começa a ficar avermelhada, arroxeada ou mesmo azulada. Em crianças maiores, é possível fazer a manobra de Heimlich. "Em caso de um bebê, coloque-o em posição de bruços em seu colo, com a cabeça mais baixa que o tronco, e faça compressões em seu tronco, com expressão dos pulmões. Tal pressão facilitará a saída do alimento", explica o pediatra Sylvio Renan.

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Cortes

Tudo depende da profundidade do corte. Se ele for mais simples e superficial, dá para cuidar em casa. "Lavar bem com água e sabão, para evitar contaminação da ferida, pressionar o local depois de secado com pano bem limpo ou, de preferência com algodão, até que cesse o sangramento. Dependendo da profundidade pode haver necessidade de se tamponar o ferimento com gaze e esparadrapo", ensina Sylvio Renan. Quando o corte for mais profundo, é preciso levar a um pronto atendimento. No caminho, vai pressionando o corte para evitar que o sangramento aumente muito. Normalmente, a vacina contra tétano deve ser dada nesses casos quando a criança ainda não tomou o reforço.

Traumas na cabeça

Quedas em bebês pequenos normalmente não causam tanta preocupação, já que o crânio ainda está aberto, o que protege o cérebro. "Em crianças maiores, traumas seguidos de vômitos, choro intenso e descontrolado ou perda de consciência, é preciso procurar o pronto socorro para uma melhor avaliação", ensina Sylvio Renan. O ideal, mesmo se isso não acontecer, é manter a criança em observação. "Verifique se ela está sonolenta, se a cabeça dói onde bateu e fique perguntando se ela está enxergando bem", descreve Setubal.

Quebra do dente

Tombos seguidos de quebra do dente merecem atenção especial, pois até mesmo os dentes permanentes quando em formação podem ser prejudicados. "A pancada pode provocar uma mobilidade no dente, ocasionando assim até mesmo a morte da polpa do mesmo. Por isso devemos procurar um dentista imediatamente", explica o dentista Alexandre Bussab, da Dental Saúde. Caso o dente quebre, ele pode ser consertado. O especialista orienta que o fragmento, ou o dente inteiro em caso de sua queda, seja colocado em soro fisiológico ou leite para permanecer hidratado, e a criança deve ser diretamente levada ao centro odontológico.