Entenda como o hebiatra pode ajudar os pais dos adolescentes

Apesar de o paciente ser o adolescente, muitas vezes o médico pode orientar os pais

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 25/03/2015

Dra. Andrea Hercowitz
Pediatria - CRM 83275/SP
especialista minha vida

Hebiatria é a parte da medicina que cuida dos adolescentes. Mas e quem cuida dos pais dos adolescentes? Eles também têm muitas crises, muitas dúvidas e se sentem perdidos em alguns momentos, mas não têm com quem conversar. Por ter o conhecimento do comportamento do adolescente, do seu desenvolvimento físico e emocional e ter experiência no lidar com esta faixa etária, o hebiatra pode ser a pessoa à qual os pais podem recorrer.

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O foco da consulta do hebiatra é o adolescente, e a atenção do profissional está totalmente voltada às suas demandas, com a garantia do sigilo médico que só será quebrado com o conhecimento do paciente e em situações consideradas de risco. No entanto muitas vezes os jovens relatam dificuldades no relacionamento com seus pais e solicitam ajuda. E outras vezes são os pais que pedem ajuda, por não saberem lidar com determinadas situações que a adolescência dos filhos traz. Não é fácil ser pai de adolescente. Ao mesmo tempo que os responsáveis pelos jovens desejam vê-los maduros e independentes, temem pelos riscos aos quais podem se expor. É difícil achar o meio termo, até porque cada indivíduo é único e não existe um "manual das atitudes corretas dos pais de adolescentes".

A adolescência é uma fase de muitas modificações físicas, psíquicas e emocionais. Além disso é o primeiro momento no qual o indivíduo começa a tomar decisões por si próprio, muitas vezes divergindo das opiniões dos seus pais. Troca de amigos, anda sempre em grupo e se sente apoiado por ele. Tem sede de novas experiências e tem fome de liberdade. Isto pode ser assustador para os pais e com frequência gera as crises familiares. Os pais querem impor seus valores, os filhos querem formar os seus próprios. O melhor conselho do hebiatra para esta questão é: diálogo. Criar momentos de diálogo, seja na refeição, seja em momentos de lazer, melhora as relações familiares e reduz significativamente o envolvimento dos adolescentes em situações consideradas perigosas.

O principal objetivo da adolescência é a busca da identidade adulta, que se inicia com a formação da opinião própria adquirida no convívio com outros jovens, que juntos experimentam novas situações e descobrem detalhes nunca antes percebidos durante a infância. Para que isso possa ocorrer é necessário que os filhos se afastem dos pais. O que deve manter os pais tranquilos - ou pelo menos sem desespero - é que os preceitos ensinados durante a infância ainda estão lá dentro, não só no inconsciente, mas também no seu consciente. Adolescentes que tiveram uma infância com atenção, carinho e limites e que aprenderam a lidar com as frustrações, tendem a se colocar em situações de risco com menos frequência e são mais capazes de sair delas caso aconteçam.

Quando o hebiatra tem a oportunidade de conversar com os pais dos jovens para explicar o porquê de suas atitudes e o quanto elas são fundamentais para o seu amadurecimento e formação pessoal, está atuando a favor dos seus pacientes. Um ambiente de acolhimento, compreensão e diálogo é o ideal para a transformação da criança em um adulto. Caso surjam situações nas quais os pais não sabem como agir, podem pedir conselho ao médico de adolescentes, ele ajudará a achar um caminho. Respeitado o sigilo médico e mantendo em mente que o paciente é o adolescente, o médico pode ser peça fundamental no equilíbrio das relações familiares nesta fase da vida, dando apoio tanto aos jovens, quanto aos seus pais.

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