Pré-natal de gêmeos: quais são os cuidados e exames necessários?

Gestação múltipla exige precauções específicas e atenção redobrada do médico

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 02/10/2015

Dr. Cláudio Basbaum
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 11665/SP
especialista minha vida

Quando o assunto é gravidez gemelar os cuidados durante o pré-natal também precisam ser redobrados. O motivo que a incidência de complicações durante a gestação múltipla é mais alta do que na taxa de gestação única. Portanto é exigida uma maior atenção obstétrica destes casos. Entre as principais complicações, estão abortamento, crescimento intrauterino retardado, malformações, prematuridade e mortalidade.

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Além disso, a assistência pré-natal também requer o conhecimento da classificação. Em outras palavras, se os bebês são dizigóticos (provenientes da fecundação de 2 óvulos por 2 espermatozóides) ou monozigóticos (quando 1 óvulo é fecundado por 1 espermatozóide, ocorrendo a divisão do material embrionário inicial no início da gestação).

Os casos de bebês dizigóticos são cerca de 80%, enquanto os outros 20% correspondem aos monozigóticos.

Dentre os monozigóticos, em relação à placentação, ela pode ser uma placenta (monocoriônica) ou duas placentas (dicoriônica). Assim como podem existir uma ou duas bolsas amnióticas (monoaminiótica ou diamniótica)

Como rotina, recomenda-se consultas mensais até a 26ª. semana, quinzenais até a 33ª. semana e pelo menos semanais a partir da 34ª., uma vez que 50% dos gêmeos nascem com prematuridade, antes de 34 semanas.

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Parto normal

Uma das principais dúvidas que as mulheres apresentam em relação à gestação de gêmeos é em relação ao parto. O parto gemelar deve ser realizado no máximo (e quando se consegue!) no curso da 38ª. semana nas gestações dicoriônicas (duas placentas independentes) e no curso da 34ª. semana nas monocoriônicas.

O parto vaginal pode ser permitido quando está "de termo" (a partir da 38ª.semana), cujos pesos fetais estejam acima de 1.500gr e com apresentação cefálica (com a cabeça para baixo) de pelo menos o primeiro bebê.

Não há nada que a mãe possa fazer para conduzir sua gestação neste sentido.

Nas gestações múltiplas de um modo geral, devido a imprevistos e intercorrências tanto para o lado materno como para o lado fetal, a cesárea eletiva é a melhor indicação como conduta obstétrica.

Cuidados necessários

Considerando a maior incidência de complicações fetais já mencionadas, e das complicações maternas como diabetes, anemia, pré-eclâmpsia e placenta prévia, a gestante de gravidez múltipla, além das consultas dentro da programação adequada, deve evitar excessos em atividades físicas, fazer controle mais frequente de ultrassonografia (mensais nas dicoriônicas e quinzenais nas monocoriônicas) sempre complementadas pela medida do comprimento do colo do útero através da ultrassonografia transvaginal.

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O uso de medicamentos para diminuir contrações uterinas, para inibição do trabalho de parto prematuro, sobretudo a progesterona natural mas também antagonistas da ocitocina, em geral encontram boa indicação.

Atentar para o controle mensal de anemia, de eventuais infecções urinárias e da glicemia (prevenção do diabetes gestacional).

Devemos também lembrar que na eventualidade de risco de parto prematuro, está indicado promover a administração de corticoides entre 26/32 semanas para prevenir a síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido.