Estimule os cinco sentidos do seu bebê

Saiba tudo sobre o desenvolvimento da criança e incentive agradáveis descobertas

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 28/05/2008

Ao sair da barriga, os órgãos responsáveis pelos cinco sentidos - visão, audição, olfato, tato e paladar - do bebê estão formados, embora nem todos funcionem a pleno vapor. "A rede de nervos que liga o cérebro aos órgãos dos sentidos ainda não está completa. Por isso, algumas estruturas amadurecem mais tarde", explica o pediatra e neonatologista Carlos Alberto Landi, responsável pelo Pronto-Socorro Infantil do Hospital Samaritano, de São Paulo.Para que eles possam desenvolver e executar plenamente suas funções é preciso que a criança seja estimulada. Essa tarefa não é difícil, já que a partir do momento que nasce o pequeno fica exposto às diversas informações do ambiente como a luz da sala

de cirurgia, as vozes da mãe, do pai - agora, mais próximas, e até o frio que sente ao vir ao mundo.

São milhares de informações captadas e enviadas ao cérebro que serão armazenadas, permitindo ao ser humano compreender o mundo. Pesquisas sugerem que as primeiras vivências sensoriais - mamar no peito da mãe, ouvir cantigas de ninar, olhar o sorriso dos pais - são fundamentais para o desenvolvimento. Assim, você pode colaborar (e muito!) para a evolução da sensibilidade infantil, proporcionando ao baixinho experiências novas. Veja a seguir como os sentidos funcionam no pequeno e o que fazer para estimulá-los:

Tato
O primeiro a desenvolver

Essencial para o bebê, é um dos primeiros sentidos a amadurecer. Prematuros ganharam peso mais rápido quando massageados seis vezes ao dia, demonstrou uma pesquisa da Escola de Medicina da Universidade de Miami, nos EUA. O neurologista americano Saul Schanberg, da Universidade Duke, observou que o toque estimula a produção do hormônio do crescimento.

Seguindo um raciocínio similar, maternidades brasileiras adotam o método mãe-canguru, pelo qual os prematuros ficam no colo da mãe. "O bebê sente o calor e o cheiro da mãe, e ouve os batimentos cardíacos, o que remete ao útero", diz Carlos Alberto Landi. Resultado: diminui o tempo de internação e aumenta o vínculo entre eles. Atenção! Recém-nascidos não fazem manha. Portanto, não deixe seu bebê chorando, apenas aconchegue-o.

Como estimular o tato
0 a 6 meses - Colo é fundamental. Além disso, durante a amamentação, procure promover o maior contato possível de sua pele com a do bebê. Depois do banho, faça massagens em seu corpinho com movimentos rítmicos e leves nas pernas, braços, mãos. Aos 3 meses ele descobre as mãos e começa a manipular objetos. Portanto, ofereça brinquedinhos a ele. 6 meses a 1 ano - Nessa fase, o pequeno começa a explorar o chão, por isso coloque tapetes de borracha coloridos para ele brincar de montar e desmontar.

1 a 2 anos - O pequeno já anda e procura comer sozinho. Apesar da lambança que ele provavelmente irá fazer, ter contato direto com a comida é uma forma saudável de estimular esse sentido. Coloque uma caixa próximo a ele para que possa guardar os brinquedinhos.

2 a 3 anos - Ensine-o a pintar com giz de cera e façam uma brincadeira juntos: apóie um papel em superfícies com texturas diferentes e passe o giz por cima. O resultado será surpreendente. E nos dias quentes, deixe-o brincar com água, mas mantenha-se sempre perto para supervisioná-lo.

Olfato
O cheiro da mãe se destaca

Supõe-se que o bebê nasça com esse sentido tão desenvolvido quanto a audição. Estudos mostraram que os recém-nascidos com apenas uma semana de vida reconhecem o leite das mães pelo olfato. E são capazes de sentir o cheiro delas e perceber sua presença mesmo quando em quarto escuro.

Psicólogos da Universidade Vanderbilt, nos EUA, expuseram recém-nascidos ao cheiro do líquido amniótico de suas bolsas nos primeiros dias de vida para facilitar adaptação ao novo mundo. As investigações mostraram que esse aroma familiar deixa os pequenos mais tranqüilos e confortáveis. Atenção! Perfumes, produtos de limpeza, fixadores de cabelo e outros cheiros fortes podem irritar o sensível nariz do bebê. Fumaça de cigarro, então, é um veneno! Mantenha seu filho longe desses odores.

Como estimular o olfato
0 a 6 meses - Leve-o para passear em jardins e pomares, para que desfrute o perfume da natureza.

1 a 2 anos - Quando estiver maiorzinho, deixe o nenê na cozinha enquanto prepara a comida. O cheiro do alimento deve servir como estimulante do apetite.

2 a 3 anos - Compre uma colônia própria para bebês, com fórmula sem álcool, para ele usar depois do banho ou antes de passear.

Visão
No começo, só borrões
O recém-nascido enxerga o que se localiza a até 20 centímetros de distância, como o rosto da mãe ao amamentá-lo. Além desse ponto, a imagem é borrada. "Entre a 4a e a 6a

semana de vida, passa a fixar objetos, uma vez que se completa a formação da região da retina que permite visualizar detalhes", explica a oftalmopediatra Rosana Pires da Cunha, chefe oftalmologista assistente do Setor de Estrabismo da Universidade Federal de São Paulo.

A partir dos 2 meses, as imagens que eram acinzentadas ganham matizes de vermelho, branco e azul. A visão evolui rápido, de modo que ao completar 4 meses a criança já distingue as demais cores e segue os objetos com os olhinhos. O pequeno começa a focar as mãos e a brincar com elas. O passo seguinte é apanhar os objetos que vê. Então, passa a reconhecer as pessoas e estranha rostos e locais diferentes. Entre os 3 e 5 anos a criança atinge uma acuidade visual.

Atenção! Desvio de um dos olhos, lacrimejamento intenso, manchas ou reflexo branco nas pupilas, aversão extrema à luz, piscar com muita freqüência, abertura irregular das pálpebras e formação freqüente de terçol são sinais de que algo está errado. Marque uma consulta com o oftalmologista quanto antes. O primeiro check-up visual deve ser feito antes que a criança apague a primeira velinha. Prematuros requerem acompanhamento especial, pois estão sujeitos a graves distúrbios da retina.

Como estimular a visão
0 a 6 meses - Nos primeiros meses, apresente brinquedos com grandes contrastes de cor como branco, preto, vermelho e amarelo, pois o bebê não distingue tonalidades semelhantes. Ponha um móbile no berço e troque o brinquedo de posição regularmente. Aproxime seu rosto do recém-nascido quando quiser chamar a atenção dele e brinque com expressões diferentes.

6 meses a 1 ano - Nessa fase o pequeno começa a reconhecer seu rosto e responde com sorrisos e movimento dos braços. Mostre um objeto ou brinquedo de que ele goste e você vai perceber que reagirá com alegria. Mude a posição do nenê no berço de modo que ele possa ver o ambiente por ângulos diversos.

1 a 2 anos - Dê objetos coloridos e com formas diferentes para ele brincar. Mova um brinquedo e observe se ele acompanha com os olhos na horizontal e na vertical.Deixe-o manipular as páginas de um livro colorido.

2 a 3 anos - Brinque de esconde-esconde para estimular sua memória visual. Pegue dois jogos idênticos com as letras T, H, O, V e X. Coloque um jogo no chão para que a criança veja e mantenha o outro em suas mãos. Então, apresente uma das letras e peça para ele erguer o cartão igual. A maior parte das crianças de 3 anos consegue distinguir a diferença entre as letras, porém as de 2 anos confundem o X e o V.

Audição
Inicia já na barriga

Antes de nascer, o bebê já ouve. Estudos acompanhados por ultra-som demonstraram que na 24ª semana de gestação os fetos já reagem aos barulhos. "No útero, eles ouvem os batimentos cardíacos da mãe e os sons da respiração e da digestão", afirma a musicoterapeuta Suzana Brunhara, que atende gestantes em Sorocaba (SP). Há indícios de que escutam sons externos e que alguns ficam gravados na sua memória. Um caso conhecido é o do músico canadense Boris Bort, diretor da Hamilton Philarmony de Ontário, no Canadá.

Ele conseguia adivinhar as notas de partituras que nunca tinha lido. Ao comentar o fato com a mãe, violoncelista, soube que as obras coincidiam com as que ela havia tocado durante a gravidez. Outra prova da audição no útero vem do exame para avaliar a vitalidade fetal no último trimestre de gestação. Consiste em direcionar à barriga da mãe um estímulo sonoro. Resultado: o nenê toma um susto e sua freqüência cardíaca sobe. As próprias mães percebem os pulos que os filhos dão no ventre quando expostos a sons altos.

É de se esperar, portanto, que o bebê tenha esse sentido aguçado e reaja ao latido de um cachorro, por exemplo. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (EUA) verificaram que os recém-nascidos mamam mais intensamente quando ouvem a voz materna. Outros trabalhos concluíram que preferem sons agudos. Atenção! O ouvido é uma estrutura muito delicada. Para protegê-lo, evite submeter a criança a barulhos altos. Cubra-o na hora do banho para não entrar água. Limpe a parte externa só com uma toalha.

Como estimular a audição
0 a 6 meses - Converse e cante para ele na hora de trocar a fralda, dar banho ou mesmo quando o baixinho estiver chorando. A voz da mãe tem efeito calmante. Ofereça brinquedos sonoros como chocalhos.

6 meses a 1 ano - Ele já escuta com atenção os sons e procura pelos ruídos que estão fora do seu campo de visão. Ele também demonstra prazer em emitir os primeiros balbucios. Por isso, repita os sons que ele fizer e aguarde a resposta. Assim, de forma lúdica, pais e filhos travam um diálogo. Exponha seu bebê a músicas suaves, de preferência, as que ele ouviu na gestação.

1 a 2 anos - O bebê já demonstra reação ao nome dele e a algumas palavras como "não" e "tchau". Procure apresentar a ele os objetos com seus respectivos nomes, depois coloque vários brinquedos juntos e peça que ele entregue a você aquele que determinar. Por exemplo: "Me dê a bola... o boneco... o carro...o cubo..."

2 a 3 anos - Inscreva-o em um curso de musicalização para crianças dessa faixa etária. Essa é uma ótima oportunidade para ele desenvolver a audição. Além disso, leia contos e histórias infantis antes de colocá-lo na cama.

Paladar
Pouco apurado no começo

Provavelmente esse é o sentido menos desenvolvido do bebê, o que não deixa de ser uma decisão sábia da natureza. Afinal, tudo de que ele precisa nos primeiros 6 meses de vida vem no leite materno. As descobertas gastronômicas serão iniciadas depois, quando suas necessidades nutricionais aumentarem e outros alimentos entrarem no seu cardápio.

Ao nascer, a criança consegue reconhecer três dos quatro sabores básicos - doce, amargo e azedo. Dentre eles a preferência recai pelo gosto ligeiramente adocicado do leite materno. Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que o recém-nascido não distingue a água doce da salgada. Possivelmente porque os receptores presentes na língua que reconhecem o sabor salgado só amadureçam por volta dos 4 meses. Mais uma boa razão para não introduzir as sopinhas antes desse período.

Com a entrada dos alimentos sólidos na dieta, o bebê começa a apurar esse sentido e diferenciar os sabores, num aprendizado que leva anos. Os pais têm um papel fundamental nesse processo de educar o gosto, oferecendo os mais variados tipos de alimentos possíveis e na hora certa. Atenção! O doce que o pequeno aprecia é o levemente adocicado do leite materno. Se você adicionar açúcar à fruta, por exemplo, ele vai se acostumar com esse sabor e resistir ao azedo original. Lembre-se: o excesso de açúcar prejudica os dentes.

Como estimular o paladar
0 a 6 meses - Nessa fase, o bebê deve se alimentar exclusivamente do leite materno, que geralmente tem gosto adocicado, porém com algumas variações que vão depender do que a mãe consumir.Essas leves alterações já apresentam algumas pistas do que virá nos próximos meses.

6 meses a 1 ano - Sucos de frutas e chás já podem ser oferecidos e, geralmente, têm boa aceitação.Assim que o bebê se acostumar, introduza papinhas de frutas amassadas com um garfo ou passadas pela peneira para que ele sinta a consistência. O passo seguinte é fazer papinhas salgadas (também amassadas) com uma grande variação de legumes, grãos, carne, mas com tempero e sal moderados.Se o nenê estranhar algum determinado alimento, não desista da idéia e ofereça novamente em uma outra oportunidade.

1 a 2 anos - Conforme os dentes forem apontando, você pode introduzir alimentos mais sólidos e, aos poucos, a comida da família. Não se esqueça das verduras! Além disso, procure dar diariamente um pedaço de fruta diferente na mão dele.

2 a 3 anos - Bolos, bolachas e outros tipos de quitutes devem ser oferecidos em pequenas porções em poucos dias da semana.





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