Chupeta e mamadeira: com conhecimento, é mais fácil evitar prejuízos

Hábitos orais de sucção merecem atenção, pois podem alterar estruturas importantes da boca

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 20/09/2018

Rosana Cristina Boni
Fonoaudiologia - CRFa 4113/SP
especialista minha vida

Os hábitos de sucção são muito frequentes na infância e muito polêmicos. Os pais acabam oferecendo mamadeira e chupeta para criança, muitas vezes, por desconhecer os malefícios que esses hábitos podem causar. São considerados itens do enxoval do bebê, sem que os pais tenham consciência de como deverão e se precisarão utilizá-los.

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Apesar de ser importante insistir no processo de amamentação natural, não é preciso ter culpa ou julgamento sobre quem não consegue, seja por algum problema de natureza física ou outro qualquer. O mesmo vale para chupetas e dedos. Com conhecimento fica mais fácil evitarmos os prejuízos para as crianças.

Os hábitos orais de sucção, nutritivos (mamadeira) e não nutritivos (chupeta e dedo), estão diretamente relacionados com alterações nas funções do Sistema Estomatognático (um conjunto de estruturas da boca que desenvolvem funções comuns, com a participação da mandíbula), e nas estruturas orofaciais, tais como posicionamento da mandíbula, de lábios, língua, dentes e palato (o céu da boca).

Mamadeira x peito: diferença na sucção

A sucção feita na mamadeira é diferente da que o bebê faz quando mama no peito. No aleitamento natural os movimentos são vigorosos e estimulam todos os órgãos envolvidos na musculatura dos lábios, língua, bochechas, face e suas funções. Diferentemente, na mamadeira, os órgãos e estruturas orofaciais não realizam os movimentos e funções satisfatoriamente.

Segundo orientação da Organização Mundial da Saúde, deve-se evitar oferecer bicos artificiais ou chupetas às crianças amamentadas no peito, pois os hábitos de sucção podem interferir no aleitamento natural, levando a episódios menos frequentes de amamentação e, como consequência, a redução da produção do leite materno.

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A sucção é um ato de reflexo até os quatro meses de idade. Assim, se algum objeto ou mão tocar os lábios, o bebê poderá iniciar a sucção. O uso da chupeta, pode ser indicado nos casos em que a criança mamou no peito, ficou satisfeita do alimento, mas não da sucção. Mas como saber? Quando o bebê para a amamentação no peito e continua sugando a língua ou lábios, então oferecemos a chupeta, com bico, tamanho e formato adequados e a removemos após alguns minutos de sucção vigorosa.

O errado é oferecer chupeta ao bebê quando ele chora por fome, sono ou qualquer outra necessidade que não seja a sucção.

Quando remover a chupeta

A chupeta deve ser removida entre 3 e 4 anos, no máximo, pois acima desta idade, ficará mais difícil a melhora espontânea dos prejuízos que os hábitos possam ter causado.

As alterações são decorrentes de vários fatores, como a frequência, intensidade e duração dos hábitos, associados ao componente hereditário. Isso explica o fato de algumas crianças terem hábitos e apresentarem alterações dentárias e outras não.

Explicar é o melhor caminho

Para a remoção de hábitos de sucção, desenvolvi um método, publicado como Método de Esclarecimento, no qual o fonoaudiólogo explica para as crianças e responsáveis, em 2 ou 5 sessões (média), os malefícios que os hábitos causam nos dentes e nas estruturas relacionadas, para sua remoção completa.

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Os estudos nos levaram a entender, que a compreensão e decisão pela própria criança auxilia não apenas na remoção por completo, mas também evita problemas comportamentais, como no caso da retirada feita através de chantagens, barganhas e outros métodos conhecidos, que acabam não deixam a criança evoluir, imaginando que outros problemas ou dificuldades podem ser resolvidos também dessa forma.

É preciso paciência e trabalho em equipe. Os pais e cuidadores são fundamentais em todo esse processo e, garantir a saúde das crianças, com toda certeza é o principal objetivo de todos.

Referências

Rev. Bras. Odontol. vol.73 no.2 Rio de Janeiro Abr./Jun. 2016

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Q.Motrocidade Oral - Visão clínica do trabalho fonoaudiólogo integrado com outras especialidades. São Paulo: Editora Pancast, 1993