Mães de bebê: cochilar enquanto amamenta pode recuperar horas de sono perdidas

O recurso ajuda a repor as energias da mãe no período em que o bebê precisa das mamadas noturnas

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 06/08/2018

Dra. Andressa Bortolasso
Odontologia - CRO 68734/SP
especialista minha vida

Por Andressa Bortolasso, odontopediatra, especialista em aleitamento materno, consultora do sono materno-infantil e Educadora Perinatal. Autora de Sintonia de Mãe, publicado pela Luz da Serra Editora

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Eu me lembro muito bem o quanto era difícil desfrutar de uma única noite de sono tranquilo e reparador quando meus filhos eram pequenos. Era praticamente um sonho impossível e eu nem poderia imaginar quando eu conseguiria dormir uma noite inteira novamente. Era tanto sono que chegava a doer.

Até que chegou uma hora em que eu entendi que nesse momento eu não iria dormir mesmo, que meu filho recém-nascido precisava de mim. E então, comecei a utilizar de alguns recursos para conseguir sobreviver a essa fase.

Recuperando as energias

Uma das coisas que considero mais importantes na recuperação da energia da mãe é a rede de apoio em que ela está inserida, conforme especifico no livro Sintonia de Mãe. Rede de apoio é formada pelas pessoas que estão junto com ela, especialmente no pós-parto.

A ideia é ajudar nos cuidados da casa, com as visitas, com a alimentação para que a nova mamãe possa se dedicar integralmente aos cuidados do seu bebê que acabou de chegar. Especialmente se ela estiver amamentando, poupar sua energia é fundamental nesse momento.

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Mas, hoje vou contar sobre um dos recursos que eu utilizava quando ganhei meu primeiro filho e depois segui com isso para o segundo também, porque deu muito certo. Para recuperar as horas de sono perdidas, eu usava um macete simples, mas que me ajudava muito: Eu cochilava enquanto amamentava.

Percebi que essa prática ajudava a recuperar minha energia, mas eu não sabia bem o porquê. Eu cochilava por 10 minutos e parecia que eu tinha dormido por 2 horas.

É claro que no início, nos primeiros dias com o bebê, isso não é tão fácil. Mas, depois que sua amamentação já tiver bem estabelecida e depois que já venceu as primeiras dificuldades, essa prática pode, realmente, ajudar muito no dia-a-dia puxado da nova mamãe.

Para praticar, é necessário sempre ter atenção à segurança do bebê. Observe sempre se ele está bem posicionado e utilize almofadas e travesseiros para apoiá-lo de modo que se você soltar os braços ele não possa cair. Utilize também almofadas e travesseiros para o seu conforto, como por exemplo na lombar e no pescoço.

Amamentar deitada também é uma ótima opção. Levando em conta que o bebê, no início da vida mama o tempo todo, deitar pode ser mais confortável para você e facilita seus cochilos.

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Ao contrário do que dizem, amamentar deitada não dá otite no bebê! Mas, isso é um assunto para um outro artigo.

Explicação hormonal

Depois, eu descobri que existe uma explicação bioquímica para essa prática ser tão prazerosa. Durante a amamentação, são liberados vários hormônios no corpo, como a endorfina e a relaxina.

A endorfina é o hormônio responsável pelo alívio da dor, é um analgésico natural, atua no controle do estresse e também gera a sensação de prazer e superioridade na mãe, encorajando-a a repetir a experiência de amamentar. É o sistema de gratificação do organismo. Como amamentar é um ato que promove a sobrevivência da espécie, nosso sistema de gratificação é ativado. Como se fosse nosso presente, um prêmio por estar fazendo um bem para a humanidade. Está explicado por que é tão bom amamentar!

A relaxina, outro hormônio liberado durante a mamada, tem o poder de relaxar e soltar os músculos, articulações e tendões. Os cientistas ainda não descobriam tudo o que a relaxina faz em nosso organismo. Mas, partindo desse princípio, deve ser por isso que amamentar dá muito sono.

O bebê também é beneficiado pela ação desses hormônios, pois eles passam para o leite da mãe. Isso é ótimo, pois ajudam o recém-nascido a lidar com o estresse do parto e na adaptação da nova vida fora do útero. Bebês que recebem esse coquetel hormonal por meio do leite materno tendem a ser mais calmos, adormecer mais facilmente e a ter menos cólicas, já que o intestino possui um elevado número de receptores opioides.

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Os benefícios destes hormônios presentes no leite materno são conhecidos pela ciência, mas mesmo assim, todo o conhecimento a respeito deles não é grande o suficiente para que sejam replicados a uma fórmula infantil e é por isso que sempre falo que imitar o leite materno é impossível. Até mesmo porque o leite materno vai se modificando com o passar do tempo para se adequar às necessidades do bebê em cada período de desenvolvimento. Esse leite tão dinâmico e rico só nós mulheres somos capazes de produzir.