Tenho muito leite! Conheça os sinais da hiperlactação e o que fazer

Muito se fala sobre a falta de leite materno, mas nem sempre a hiperprodução é lembrada

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 17/04/2019

Dra. Isis Dulce Pezzuol
Pediatria - CRM 39546/SP
especialista minha vida

Aprender a lidar com problemas referentes à amamentação é essencial para garantir a saúde do recém nascido. Muito se descreve sobre a falta de leite materno ou pouca produção mas nem sempre a hiperprodução é lembrada.

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É bom ter muito leite materno? Será?

A hiperlactação é definida como o excesso de produção de leite materno, com oferta acima do que o bebê necessita para um bom crescimento.

No processo de amamentação vários hormônios estão envolvidos, mas dois têm papel fundamental: a prolactina, responsável pela produção e liberação do leite materno, e a ocitocina, responsável pela ejeção dele.

Sabe-se que nos primeiros 2 meses há um descompasso entre produção e demanda, sendo comum a mãe produzir mais leite do que o bebê necessita. Após esse período, existe uma equalização entre consumo e produção.

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O quadro de hiperlactação não é sempre lembrado e é facilmente confundido levando a tratamentos desnecessários. A hiperlactação é um processo próximo ou após o parto. Deve-se diferenciar de galactorréia, que é a saída de leite das mamas sem um parto próximo.

A criança começa a mamar e o leite está em excesso. Ao sugar, o leite sai em jato. Então, o bebê engasga, tosse e chora, arqueia o corpo para trás.

Com a repetição, em todas as mamadas ela fica com medo e chora ao ser colocada para mamar, levando ao errôneo diagnóstico de falta de leite com introdução precoce de complemento. Pela regurgitação e vômitos, pensa-se também em doença do refluxo gastro esofágico, e então o bebê recebe medicação desnecessária.

O que temos então em relação ao bebê:

  • Bebês gordinhos, com ganho de peso diário maior do que 30 gramas por dia
  • Fezes muito volumosas
  • Muitos gases acompanhados de choro e irritabilidade
  • Recusa às mamadas apesar de estar com fome
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As mamas são fábrica e não depósito de leite. A má técnica em aleitamento, excesso de produção de leite e o uso de mamadeiras podem ter como consequências para a mãe a Síndrome Materna de Hiperlactação, cujo ciclo pode ser resumido assim:

  • Técnica inadequada de aleitamento
  • Excesso de leite
  • Uso de mamadeira ou chupeta
  • Represamento do leite
  • Inadequada drenagem das mamas
  • Estase de leite
  • Ingurgitamento mamário com bloqueio de ductos
  • Candidíase mamária
  • Mastite e abscesso mamário

Como evitar e tratar a mãe:

  • Escolher a melhor posição para amamentação que maximize a drenagem das mamas
  • Massagear as mamas apoiando com a mão para esvaziar parte do leite anterior
  • Repetir ao final da mamada, drenando o leite que sobra nas mamas, deixando a mama o mais vazia possível
  • Deixar o bebê mamar a primeira mama até o final e escolher se quer ou não a segunda mama, mas deixar mamar até o final
  • Não pular mamadas
  • Evitar estimular e manipular mamas em excesso
  • No banho, usar água quente, mas sem estimular demais pois a manipulação aumenta a produção do leite

Todas as patologias que aumentam a concentração de prolactina podem estimular produção de leite:

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  • Danos hipotalâmicos ou hipofisário
  • Insuficiência renal crônica
  • Cirrose hepática
  • Radioterapia craniana
  • Síndrome de ovários policísticos

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