Tenho animais de estimação e engravidei: e agora?

Não é preciso e tampouco necessário se desfazer do animal de estimação durante a gestação ou após o nascimento de bebê

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 27/04/2020

É fato: hoje, os animais de estimação são considerados membros da família. Logo, não devem jamais serem deixados de lado porque a mulher engravidou e teve um bebê. Ao contrário do que se pensava anteriormente, manter o animal de estimação em casa não provoca danos para a gestação ou para a criança. Alguns cuidados básicos de higiene, no entanto, devem existir para que a gravidez seja segura e a saúde do bebê preservada. Quer entender melhor?

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O obstetra Fernando Prado reforça que não há problema algum em manter os animais, mas que na gestação a mulher deve ter um cuidado a mais com a higiene - especialmente se tiver gatos, por conta da toxoplasmose.

"Se o gato não sai de casa - o que geralmente é o que acontece, principalmente quando se vive em apartamentos - não há nenhum problema, pois ele não se contamina", diz. "Se é um gato que sai à rua, porém, ele pode pegar toxoplasmose e, se a gestante não tiver imunidade ao protozoário, pode se contaminar se não tiver cuidado. A mulher deve evitar o contato com as fezes do gato. Na hora de trocar a areia, ou usa luva, ou outra pessoa faz essa troca", explica.

Fora desse contexto de maior cuidado com a toxoplasmose, o pediatra e membro da Academia Americana de Pediatria Nelson Douglas Ejzenbaum explica que os pais devem se certificar de manter a vacinação e vermifugação dos animais de estimação em dia.

"Embora possam permanecer normalmente dentro de casa, os animais não devem estar em contato direto com a criança até que ela esteja vacinada. Nunca, sob hipótese alguma - mesmo depois das primeiras vacinas - é permitido que o gato ou o cachorro lamba o rosto da criança", alerta.

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Fernando explica que esse cuidado acontece porque os animais domésticos - por natureza - nem sempre têm uma higiene impecável. "Eles podem lamber o chão, mexer na terra e, no caso de cachorro, pode ter contato com fezes e urina, e isso pode ser transmitido para a criança", explica.

"De certa forma, temos de evitar o contato do bebê com os excrementos dos animais e com a saliva - não permitir que a criança seja lambida, e manter esses cuidados até que a criança esteja com a imunidade melhor, o que acontece por volta dos dois anos de vida", detalha o obstetra.

Para quem tem cachorro, uma das dicas do pediatra é, assim que o bebê nascer, colocar uma peça de roupa da criança - que já não sirva mais, mas que ela tenha usado - em contato com o cachorro. "Assim, por meio do cheiro da criança, ele vai entender que aquele novo ser faz parte da matilha dele", aconselha.

Depois, brincar com o animal vai deixar a criança inclusive mais feliz. No entanto, os pais devem higienizar as mãos dela logo em seguida, explica Ejzenbaum. Quando a criança começar a engatinhar, o cuidado deve também acontecer com a limpeza da casa.

Menor risco de alergia

Além do amor e da felicidade de ter um bichinho de estimação, uma série de estudos mostra que a criança que convive com animais e com a natureza em geral apresenta risco menor de desenvolver alergias, embora isso não seja ainda um consenso. "A maior parte dos estudos demonstra isso, e as crianças teriam menos chances de ter quadros respiratórios e atopias", explica Ejzenbaum.

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No entanto, Fernando ressalta que, se a criança tiver algum problema imunológico e maior tendência a alergias, esse contato com os animais domésticos deve ser limitado. Porém, apenas um especialista poderá identificar essa situação atípica e orientar os pais ou responsáveis.