Leite materno: vantagens do alimento ideal para bebês vão além dos nutrientes

O alimento perfeito para os pequenos também traz benefícios para quem amamenta

POR LARA DEUS - ATUALIZADO EM 18/05/2018

O crescimento de uma planta, o amadurecimento de um fruto ou o sol após o temporal nos provam: a natureza é sábia e capaz de fazer mágicas. Um exemplo disso é o fato de as mulheres produzirem o alimento ideal para seus filhos: o leite materno.

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O leite materno deve ser o único alimento com que as crianças têm contato até o 6º mês de vida, dispensando até a água. Isso porque ele tem tudo que eles precisam nesta etapa. E não só para que eles ganhem peso. As vantagens do leite materno vão além dos nutrientes.

1 - Hidrata

Há um motivo para que a amamentação exclusiva dispense água: o leite materno é quase 90% composto de umidade, segundo um estudo da USP que foi a fundo na composição centesimal do alimento. A hidratação é importante para todos, mas, no caso de bebês, o crescimento intenso não permite descuidos, já que a água é um componente essencial para as reações celulares que garantem que tudo esteja funcionando.

Já que a água é um componente predominante no leite, é importante que as mães que amamentam não esqueçam de beber muita água durante o dia - pelo menos um litro e meio.

2 - Tem o que o bebê precisa

Durante a gravidez, o corpo da mãe e do bebê eram um só. Mesmo após o nascimento, o organismo da mulher sabe exatamente as necessidades de cada fase de seu filho. Por isso, há mais de um tipo de leite materno.

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O colostro é o primeiro alimento produzido pelo corpo da mulher, e continua sendo tirado até cerca de uma semana até o nascimento. Ele não é branquinho, igual ao leite com que estamos acostumados. Segundo Melissa Ramos Morais, pediatra e nutróloga na Casa Curumim, o responsável pela cor alaranjada é o fato de ser rico em vitamina A, além de ter muita proteína. O colostro ajuda no crescimento das bactérias essenciais para o corpo do bebê (Lactobacillus bífidus).

Após o colostro, a mãe passa a produzir o leite de transição, do final da primeira semana até o 10º dia. Nesse momento, mãe já aprendeu qual a melhor posição para amamentar seu pequeno e ele, por sua vez, já tem maior costume em pegar o seio. As proteínas diminuem e o teor de lactose aumenta, bem como o de algumas vitaminas e gorduras.

O leite maduro já tem mais vitaminas, gorduras e lactose e também desce em maior quantidade.

3 - E o bebê mama na quantidade que precisa

A quantidade de leite produzida por uma mulher que amamenta não cresce de acordo com a fase do bebê. Assim como a saída do leite, a fabricação também é maior se a amamentação for mais frequente.

De acordo com Melissa, um ponto positivo desse alimento é promover a saciedade no bebê de forma melhor. ?O bebê para de mamar ao se sentir satisfeito com mais facilidade que a mamadeira, que muitas vezes é regulada por quem oferece? explica a pediatra.

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4 - Protege contra doenças

Ser mãe é querer proteger o filho contra todos os males do mundo. Mas isso já acontece desde a gravidez. Durante a transferência de sangue pela placenta, o bebê já recebe vários anticorpos que a mãe produziu durante a vida. E esse processo continua durante a amamentação.

De acordo com Melissa, não é verdade que depois do colostro essa transferência se encerre. Há algumas imunoglobinas que, inclusive, estão presentes em maior quantidade no leite maduro.

5 - Amamentar queima calorias

Após carregar uma criança na barriga, é normal que se ganhe peso. Para quem quer eliminar esses quilos, amamentar é um fator importante. Segundo a pediatra, o metabolismo é acelerado devido a todo o processo de produzir leite. Isso não garante que a mãe perca peso, apenas se a alimentação também for balanceada.

"A amamentação queima exatamente as calorias e conseqüentemente a gordura que a grávida concentrou na gestação. Por isso, dar de mamar emagrece e faz bem à saúde", enfatiza a nutricionista Regiane Cammarota.

Não posso amamentar. E agora?

Segundo a pediatra Melissa, há poucas situações em que a amamentação é contra-indicada. Quando isso acontece, a substituição pelas fórmulas infantis em pó é o mais adequado. "São fórmulas modificadas, que tem o leite materno como referência na sua composição", explica.

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O leite de vaca, comum na alimentação de adultos, não deve ser uma opção. "A composição do leite de vaca com muita proteína, poucas vitaminas e com ferro bem pouco disponível para absorção do bebê são os principais motivos", detalha a pediatra. O risco de alergias também é grande, e o mesmo ocorre com leite de outras espécies.

Até quando continuar oferecendo leite materno?

Na pesquisa Life Insights: Food Report 2017, feita pelo Minha Vida entre seus leitores, uma em cada três mães acreditava que se deveria amamentar até o segundo ano, e outra a cada três achava que até o primeiro ano era suficiente. No entanto, um terço delas não amamentou até os seis meses, período mínimo recomendado.

Segundo Melissa, a partir do primeiro ano a criança já se alimenta de forma semelhante à família, mas ainda precisam de pelo menos três porções de leite ao dia. "Se essas porções puderem ser do leite materno, será muito melhor", explica.

Entenda como e quando se deve introduzir cada alimento ao bebê, mês a mês.