Puberdade muito rápida pode provocar risco de depressão e ansiedade

Falta de tempo para se acostumar gera problemas de comportamento

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 02/09/2011

Crianças que passam pela puberdade rápido demais são mais propensas a apresentar act-out (termo de psicologia onde a pessoa, em vez de expressar seus sentimentos com palavras, faz algum ato extremo, como socar a parede) e sofrer de ansiedade e depressão, de acordo com um estudo realizado pela Duke University e University of California, Estados Unidos e publicado no periódico Developmental Psychology. Os resultados sugerem que pais e professores devem ficar atentos não apenas ao início da puberdade, mas também a sua duração - ou seja, o quão rápido ou devagar essa fase dura.

A equipe de pesquisadores analisou dados de 364 garotos e 373 garotas, coletados do National Institute of Child Health and Human Development's Study of Early Child Care and Youth Development. Os dados incluem informações sobre desenvolvimentos dos seios e pelos pubianos em meninas e, nos meninos, sobre o desenvolvimento dos pelos pubianos e órgão genital, além de altura e peso para ambos os sexos.

As informações foram avaliadas por enfermeiras. Também foram inclusos dados sobre problemas de comportamento internalizados (relacionados à depressão) ou externalizados (relacionado à ansiedade), além daqueles relacionados a um comportamento sexual arriscado. Esses problemas foram relatados pelos pais das crianças ou por elas próprias.

Após a análise das informações, os pesquisadores perceberam que a puberdade curta resultou em uma série de problemas de comportamento para ambos os sexos. Nos garotos, descobriu-se que existe uma relação forte entre a hora que a puberdade começa e o tempo que ela dura: aqueles em que esse período começou mais tarde e durou mais tempo têm menos problemas de acting out.

Mas, por que a puberdade acelerada está relacionada a problemas de comportamento e internalização? Para os estudiosos, quando as mudanças típicas da puberdade acontecem de forma muito rápida, o adolescente acaba sem tempo para se acostumar. Assim, ele não estaria emocional e socialmente pronto para que as mudanças acontecessem. Estudos futuros planejam examinar os efeitos da duração da puberdade em mulheres mais velhas com problemas de saúde.

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Tenho depressão e agora?

Depressão na adolescência

De acordo com a neuropsiquiatra Evelyn Vinocur, existe uma tendência natural em se pensar na infância como um período feliz, livre de preocupações ou responsabilidades. Apesar disso, as pesquisas mostram que as crianças também sofrem de depressão. Até o momento é consenso geral entre pesquisadores e clínicos que crianças e adolescentes podem se deprimir (F I. Lee, 2007). Apesar da pouca concordância que existe em relação à natureza e a estrutura dos sintomas depressivos nessa população, que costuma se apresentar de modos distintos, para as diferentes faixas etárias (Birmaher et al, 2004; González-Tejeras et al., 2005), tornando o reconhecimento dos sintomas um desafio para muitos especialistas.

Sentimentos de tristeza em função de perdas ou manifestações de raiva decorrentes de frustração são na maioria das vezes reações afetivas normais e passageiras e não requerem tratamento. Porém, dependendo da intensidade, persistência e presença de outros sintomas concomitantes, a tristeza e a irritabilidade podem ser indícios de quadros afetivos em crianças e adolescentes. Sintomas disfóricos do dia-a-dia não apresentam conotação psiquiátrica e ocorrem como uma resposta afetiva aos eventos cotidianos, com quadros breves e que não comprometem as condutas adaptativas das crianças (Fu- I L, 2007).

Os adolescentes deprimidos relatam claramente sentimentos depressivos como a desesperança e a dificuldade de concentração e freqüentemente se mostram irritados e hostis. A desesperança, descrença e a sensação de que as coisas jamais mudarão podem levá-los a tentar o suicídio. Aumento ou diminuição do peso, apetite e da quantidade de sono podem variar, bem como é visto graus variados de falta de energia e desinteresse pelas atividades antes prazerosas. Isolamento social voluntário, hipersensibilidade ao fracasso, rejeição e frustração , bem como a falta de perspectivas e expectativas de futuro também são freqüentes. Igualmente, o uso e abuso de substâncias psicoativas é comumente observado nesses casos e pode estar relacionado ao autotratamento ou automedicação, para o alívio da dor causada pela depressão (González-Tejeras et al., 2005).

Pensamentos de suicídio, vontade de morrer ou planejar a própria morte são encontrados em todas as idades, mudando apenas os graus de intensidade e frequência, sendo menos freqüente em crianças e mais comum nos adolescentes e devem ser abordados sempre e em qualquer idade (Liu et al., 2006).

Utilizam-se os mesmos critérios diagnósticos para criança, adolescentes e adultos. Entretanto, o reconhecimento e diagnóstico de depressão são mais difíceis na Infância e Adolescência, principalmente porque eles podem ter dificuldade em reconhecer e nomear seus próprios sentimentos.

Cumpre ressaltar que cerca da metade dos casos de transtornos afetivos têm outro diagnóstico psiquiátrico em comorbidade, como por exemplo, algum tipo de transtorno de ansiedade. A associação desses dois transtornos é tão grande que sintomas de ansiedade na infância podem ser sinal preditivo mais eficiente par depressão do que para transtornos de ansiedade.