Crianças acima do peso sofrem mais de apneia e problemas cognitivos

Relação já havia sido analisada em estudos anteriores

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 04/11/2011

Pesquisadores da University of Chicago, nos Estados Unidos, encontraram uma importante relação entre obesidade e sobrepeso, distúrbios respiratórios do sono (DRS) e processamento cognitivo entre crianças do ensino fundamental. O estudo envolveu 351 alunos de escolas de Kentucky, Estados Unidos, com idade média de 7,9 anos, que foram submetidos a testes cognitivos após um estudo de seu sono.

Os níveis de DRS foram medidos de acordo com o índice de apneia obstrutiva, definido como o número de apneias e hipopneias (diminuições da oxigenação durante o sono) por hora de tempo total de sono. Já as medições de massa corpórea foram definidas com o índice de massa corpórea (IMC).

Por serem três fatores - peso, sono e processamento cognitivo -, os pesquisadores usaram cada um deles como mediadores para entender melhor os resultados. Usando o DRS como mediador, quanto mais problemas de DRS, piores os resultados em testes cognitivos e maior o IMC.

Quanto maior a massa corpórea, maiores as chances de distúrbios respiratórios do sono e problemas cognitivos. Já usando a cognição como mediadora, a baixa capacidade de completar tarefas mentais mais complexas mostrou ligação com maiores índices de massa corpórea e problemas com DRS.

Para os pesquisadores, os três fatores estão intimamente ligados, embora ainda não se saiba a relação. Os resultados foram publicados no American Thoracic Society's American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

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Apneia do sono aumenta chances de deficiência cognitiva em mulheres

A relação entre apneia do sono e problemas cognitivos já vem sido estudada. Um estudo, publicado na revista The Journal of the American Medical Association, revelou que a apneia do sono pode causar deficiência cognitiva leve e até demência em mulheres. A análise foi liderada por cientistas da University of California, nos Estados Unidos.

A pesquisa contou com a colaboração de 298 mulheres consideradas saudáveis mental e fisicamente e com idade média de 82 anos. Dessas, 105 foram diagnosticadas com distúrbios do sono, apresentando 15 ou mais interrupções da respiração enquanto dormiam.

Os resultados obtidos em exames de acompanhamento, cinco anos após o início da pesquisa, mostraram que aproximadamente 45% das que tinham apneia do sono haviam desenvolvido deficiência cognitiva leve ou demência. Entre aquelas que tinham sono normal, cerca de 30% desenvolveu uma das doenças. Entretanto, quando foram ajustadas características ligadas à etnia e que indicavam baixa qualidade de vida, como o tabagismo, a probabilidade de desenvolver tais doenças subiu para 85%.

A apneia do sono é caracterizada por paradas respiratórias durante o sono e pode se tornar um problema crônico, ocasionando até a morte. Pessoas acima do peso ou com mais de 30 anos são as mais afetadas.