Medicamentos comuns contra febre podem causar danos renais

Especialistas recomendam paciência para esperar o corpo reagir

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 29/01/2013

A febre é um sintoma comum manifestado pelo corpo durante uma infecção e, na maior parte dos casos, não é perigosa. Quando a vítima do problema é uma criança, entretanto, os pais não sossegam enquanto nenhum medicamento lhes for prescrito. Mas, segundo um estudo publicado na versão online do Journal of Pediatrics nesta última sexta-feira (25), a atitude precipitada por ser perigosa. Pesquisadores das instituições Butler University e a Indiana University, nos Estados Unidos, descobriram que tratar crianças doentes com remédios comuns contra febre aumenta o risco de problemas renais.

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Para a pesquisa, a equipe analisou dados médicos do Riley Hospital for Children, em Indianápolis, de janeiro de 1999 a junho de 2010. Nesse período, o hospital recebeu mais de mil pacientes com lesão renal aguda. Após excluir casos em que o problema era decorrente de doenças que afetavam a função renal, os especialistas encontraram 27 casos em que os danos foram causados pela administração de anti-inflamatórios não esteroides, como nimesulida e paracetamol, por exemplo. Isso significa que aproximadamente 3% das crianças foram internadas pelo excesso de cuidados.

Embora a porcentagem seja baixa, os danos relacionados à administração precipitada desse tipo de medicamento se mostraram bastante graves. Cerca de quatro pacientes se tornaram dependentes de diálise e pelo menos sete sofreram danos permanentes nos rins. Assim, especialistas reforçam que os pais devem ter paciência e esperar, pelo menos no começo, que o corpo combata a infecção. De qualquer forma, não deixe de consultar um médico.

O perigo pode estar no armário de casa

Vendidos sem prescrição médica, anti-inflamatórios têm sido usados de maneira abusiva pela população. No Brasil, 80 milhões de pessoas têm o hábito de se automedicar, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). De acordo com Rosany Bochner, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a automedicação é decorrente de uma questão cultural. "Todas as casas têm um monte de medicamentos e as pessoas cada vez mais pensam que sabem resolver seus problemas sem a ajuda do médico", afirma.

Além do risco de danos colaterais, outro problema da automedicação é o risco de dependência. Tomar anti-inflamatórios toda vez que se tem dor nas costas, por exemplo, pode virar um vício, fazendo com que o princípio ativo do remédio não faça efeito no organismo quando for realmente necessário. O mesmo acontece com relação aos descongestionantes nasais. Quando usado frequentemente, ainda que em pequenas quantidades, sofre uma diminuição progressiva do seu efeito. Em outras palavras, se antes o indivíduo precisava de um comprimido para melhorar, agora precisa de dois.

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Por fim, a automedicação pode mascarar os sintomas, fazendo com que o indivíduo demore a procurar um médico. "O atraso no diagnóstico pode ser sério e levar à morte", alerta Rosany Bochner. Independente do problema, portanto, o ideal é sempre buscar um profissional antes de adotar qualquer método de tratamento, mesmo os caseiros.