Estudo mostra como os pais podem prejudicar as amizades dos filhos

A forma que você educa seus filhos pode fazer com que eles tenham dificuldades em manter amizades duradouras

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 11/05/2018

Durante a infância, é importante que a criança seja estimulada a ter amigos. Os efeitos de uma amizade para a formação da identidade são extremamente positivos, pois cria-se o sentimento de pertencimento. E é durante essa fase, que os pequenos iniciam o processo de identificação com os demais, além de construírem suas primeiras noções acerca do convívio social. Porém, um estudo realizado pela Universidade de Jyvaskyla na Finlândia e publicado pelo periódico Family Psychology, mostra que os pais podem estar sendo responsáveis pelo término das amizades entre as crianças, e isto dependerá da postura que eles assumem em casa.

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Como o estudo foi feito

Os pesquisadores reuniram 1,523 crianças que estavam no ensino fundamental, e então, analisaram seus pais, para que fosse possível identificar as características deles que pudessem influenciar no andamento das amizades dos filhos. Os pais dessas crianças foram questionados em relação à maneira em que educavam seus filhos, e contaram um pouco sobre o estado emocional em que se encontravam, relatando a presença de sintomas da depressão, caso houvessem. Reunindo as informações advindas das respostas dos pais, os estudiosos observaram a frequência e o momento em que as amizades das crianças começavam a ruir.

Após as entrevistas, percebeu-se que há três formas de educar os filhos que são comumente utilizadas pelos adultos:

  • Controladora comportamental, vigiando constantemente as crianças e reprimindo-as
  • Controladora psicológica, que provoca a vergonha e a culpa nas crianças para que elas ajam de acordo com o esperado
  • Afetiva, que usa o carinho e a afeição para obter os melhores resultados dos pequenos

Também notou-se que a existência de sintomas depressivos nos pais afetava a forma que eles percebiam a própria forma de educar. Esta falta de senso crítico, agregada ao status social dos pequenos na escola, interferiu na qualidade do convívio entre as crianças.

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"Nós já sabemos que o status social da criança exerce um papel importante no êxito da amizade. Por exemplo, uma criança que é admirada pelos demais, têm relacionamentos mais duradouros do que os outros que não possuem essa boa reputação", diz Brett Laursen, coautora do estudo e professora de psicologia, em entrevista ao periódico.

Conclusões

O estudo é o primeiro a incluir e relacionar não apenas as características dos pais, como o status social da criança na formação da estabilidade nas amizades. Ao criar as crianças de maneiras controladoras, os pais fazem com que as crianças absorvam essas características para sí. Sem perceber, os pequenos reproduzem certos comportamentos negativos dentro de suas amizades, o que pode ocasionar no fim delas. Para crianças com pais diagnosticados com depressão, o risco do fim das amizades sobe para 104%.

Os dados também explicitam que a maioria das amizades que acontecem da primeira a sexta série são transitórias. Menos de 10% das amizades que ocorreram neste período foram mantidas. Na verdade, 48% dos laços entre amigos foram dissolvidos em apenas um ano.

Além disso, a depressão e a pressão psicológica superam os malefícios da criança não ser aceita pelo meio social. E surpreendentemente, uma educação carinhosa não causa nenhuma influência na estabilidade das amizades. Porém, as características negativas podem não estar limitadas à afetar somente o convívio social na infância, podendo ter consequências a longo prazo.