Limpeza excessiva aumenta riscos de leucemia na infância

O contato com bactérias pode ser benéfico ao ativar as funções do sistema imunológico

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 23/05/2018

É normal que os pais se preocupem com a higiene das crianças. A falta dela pode provocar doenças como a febre tifóide, ou a esquistossomose. Porém, esta preocupação em excesso pode vir a causar graves consequências para a saúde das crianças. De acordo com estudos publicados no periódico Nature Reviews Cancer, os riscos de desenvolver leucemia na infância aumentam quando a criança não tem seu sistema imunológico estimulado até o primeiro ano de idade.

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Quando o bebê não é amamentado ou tem o parto por cesárea, as chances de contrair a doença também aumentam. Isto porque essas práticas inibem o contato dos pequenos com germes e bactérias, presentes por exemplo, no parto natural e na amamentação. Outras formas de estimular a ação do sistema imunológico, é permitindo que as crianças se divirtam com brinquedos sujos, ou entrem em contato físico uma com as outras.

Mel Greaves, professor no Instituto de pesquisa do Câncer, em Londres, estudou a doença por mais de 30 anos, e afirma que a maioria dos casos de leucemia na infância podem ser prevenidos. "O sistema imunológico pode tornar-se cancerígeno ao não entrar em contato com uma quantidade mínima de micróbios no início da vida", afirma em entrevista ao New York Post.

Quem pode desenvolver a doença

A criança pode desenvolver a leucemia apenas se já nascer com uma mutação genética específica, que ocorre comumente em uma a cada 20 crianças. Porém, o gene da doença pode ser contido, caso a criança entre em contato com bactérias. Caso o contrário, um simples resfriado pode servir como "gatilho" para o surgimento do câncer.

Em média, uma a cada 100 crianças com os genes da doença irão desenvolvê-la até os 15 anos de idade. Por mais que os avanços médicos possibilitem atualmente, a cura de 90% dos casos, os danos físicos e emocionais da quimioterapia podem durar pela vida inteira.

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Ambientes que potencializam os riscos

Países mais ricos e desenvolvidos geram um ambiente favorável ao surgimento da leucemia. Isto porque nestes locais, as crianças tendem a não terem irmãos, o que diminui o contato com terceiros. Além disso, os pequenos socializam menos com outros e também podem ter lares mais limpos em comparação a casas de países mais pobres. Os estudos ainda indicam que os casos de leucemia em países desenvolvidos crescem 1% a cada ano.

Desmistificando a doença

Há quem acredite que a leucemia pode ser causada por radiação, ondas eletromagnéticas, fios ou até mesmo por produtos sintéticos, como o poliestireno. Entretanto, não há evidências científicas que comprovem a veracidade destas informações.

Não se alarme

É importante não desesperar-se. Segundo o autor do estudo, Dr. Alasdair, a leucemia é uma doença rara atualmente, e apenas uma entre duas mil crianças a desenvolvem. "Por mais que estimular o sistema imunológico logo cedo reduza os riscos de ter a doença, nada pode ser feito para impedir definitivamente que as crianças já nasçam predispostas a desenvolver a leucemia", conclui.