Samara Felippo desabafa sobre parto de suas filhas: "mágoa e frustração"

Após assistir a documentário sobre violência obstétrica, atriz revela: "Eu mal vi minhas meninas quando nasceram"

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 18/07/2018

O parto é um momento que envolve muitas emoções para a mãe: dor, preocupação, tensão, amor.. Mas, infelizmente, algumas práticas que não respeitam o bem-estar das mulheres acontecem e são vistas como naturais na hora em que se tendo um filho. É a chamada violência obstétrica, que em um parto normal vai desde deixar uma mulher em uma posição desconfortável durante o trabalho de parto até fazer a episiotomia sem necessidade, aquele "pique" na hora de o bebê sair.

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No caso de cesáreas, o maior problema é quando ela é induzida mesmo quando não há problemas de saúde e nem motivos para isso. Alguns médicos podem fazer isso falando sobre riscos que não existem. Foi o caso da atriz Samara Felippo, mãe de Alícia (9) e Lara (5), que desabafou sobre o tema após assistir ao documentário "O renascimento do parto", que trata da realidade obstétrica mundial.

Em seu post no Instagram, a atriz começa reconhecendo a importância da cesárea para salvar vidas em casos que há risco à vida da mãe ou do bebê. No entanto, explica que muitas vezes o discurso do médico induz aos procedimentos cirúrgicos desnecessários.

No texto, ela também destaca que nem conseguiu ver suas filhas após o nascimento delas. Privar os bebês do contato com a mãe nesse momento é mais uma prática considerada violenta, além de não propiciar os benefícios do contato pele a pele entre mãe e bebê.

Entenda neste texto quais são os procedimentos considerados violência obstétrica.

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Veja o depoimento completo da atriz:

"A cesariana é uma cirurgia importantíssima que salva vidas todos os dias, mas ela nao é pra ser feita em todas as pacientes, de uma maneira desnecessária, fora do trabalho de parto.

E é muito difícil ir contra o discurso autoritativo do médico. Quem sou eu pra contestar? É o que pensamos ainda jovens, imaturas, despreparadas, sem apoio, numa sociedade em que existe um condicionamento cultural dominante de que a mulher nao tem o poder de parir por si própria.

Resolvi fazer esse post pra tentar chegar ao máximo de mulheres possível. Acabei de assistir ao documentário "Renascimento do parto" aos prantos. Parava no meio pra dividir minha angústia com a Carol, mas nada do que ela falava cessava minha mágoa e frustração por, sendo uma mulher saudável, jovem, ter sido induzida a fazer duas cesáreas completamente desnecessárias.

Achava que essa minha culpa já tinha sido resolvida depois que expus isso num texto no meu blog, mas não. Ela tá aqui e não sei até quando. Talvez ela nunca me deixe.

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Hoje repenso se tenho raiva de mim por ter feito escolhas erradas ou do médico, mas fui eu que escolhi. E sempre nos nossos papos, eu e Carol, conversamos sobre isso. Eu digo (na verdade para tentar minimizar essa culpa) que temos o direito de escolher como queremos parir. E o que a Carol sempre questiona comigo é: Será que escolhemos cesárea se tivermos as informações, a dose de auto estima e empoderamento para conduzir como nossos filhos vem ao mundo? Foi devastador lidar novamente com essa sombra. Então meu único intuito agora com esse post é: Mães, futuras mães, sejam DONAS do seu parto. Violências obstétricas se tornaram naturais.

Eu mal vi minhas meninas quando nasceram. Hoje aos 39 anos, tendo toda essa informação nas mãos, dói. Procurem saber dos mitos, existem MUITOS, procurem apoio de doulas, de amigos que te incentivem. Nós temos o poder e a capacidade de gerar e parir, nós conseguimos.

Enfim, espero que aos poucos esse cenário absurdo de 52% de cesárias que temos no Brasil mude e que num futuro próximo não seja tarde demais.

Tenho certeza que esse sentimento gera empatia em muitas mães. Divide comigo por favor?"