Discalculia: o que é, teste e sintomas

Transtorno está ligado à aprendizagem de matemática e costuma aparecer em idade escolar

O que é discalculia

A discalculia é um transtorno de aprendizagem que geralmente se manifesta em crianças, pois estão em idade escolar. Elas têm dificuldade para pensar, refletir, avaliar ou raciocinar atividades relacionadas à matemática.

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"Eles não conseguem entender que o número 5 é o mesmo que a palavra cinco, ou seja, não tem sentido numérico, relação entre a palavra e o número", exemplifica Sueli Bravi Conte, psicopedagoga e doutoranda em Neurociências.

Em uma sala de 30 alunos, um ou dois podem apresentar discalculia (Foto: Kdonmuang/Shutterstock)
Em uma sala de 30 alunos, um ou dois podem apresentar discalculia

De acordo com a Associação Americana de Pediatria, de 3 a 6% das crianças em idade escolar têm discalculia do desenvolvimento, o que significa que, em uma sala de 30 alunos, um ou dois podem apresentar a condição.


Tipos de discalculia

  • Discalculia verbal: dificuldade para nomear e compreender quantidades matemáticas, números, símbolos, que são apresentados à criança verbalmente.
  • Discalculia léxica: diferente da verbal, a dificuldade é para ler e entender símbolos, números, expressões e equações matemáticas quando são escritos.
  • Discalculia gráfica: dificuldade para escrever símbolos matemáticos.
  • Discalculia ideognóstica: dificuldade para realizar operações mentais e entender os conceitos da matemática.
  • Discalculia operacional: dificuldade de usar números e símbolos matemáticos no processo de cálculo.
  • Discalculia practognóstica: dificuldade de relacionar um conceito matemático abstrato a um conceito real.

Além da classificação em tipos, é possível entender a discalculia em cada indivíduo como leve, moderada ou grave. Os profissionais fazem esse diagnóstico de acordo com a intensidade e a facilidade com que têm avanços após o tratamento.

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Além da classificação em tipos, é possível entender a discalculia em cada indivíduo como leve, moderada ou grave. Os profissionais fazem esse diagnóstico de acordo com a intensidade e a facilidade com que têm avanços após o tratamento.

Sintomas

Como a discalculia tem diversos tipos, os sintomas variam muito. Quando uma pessoa tem o quadro, pode ter dificuldade em:

  • Aprender a contar
  • Relacionar símbolos matemáticos aos seus sons correspondentes
  • Sequenciar, nomear e classificar números
  • Raciocínio lógico
  • Relacionar quantidade, proporção, fórmulas, compreender sinais (+,
  • , x, : ), nomear formas
  • Entender medidas
  • Memorizar sequência e passos para realizar uma operação matemática
  • Entender tabelas
  • Diferenciar curto e longo, grande e pequeno, igual e diferente, maior e menor
  • Resolver problemas e executar cálculos numéricos
  • Reconhecer padrões

No entanto, os sintomas só podem ser considerados de discalculia se a pessoa teve acesso ao ensino adequado e se não apresenta nenhum outro quadro, como deficiência intelectual, transtornos emocionais ou psiquiátricos, dificuldades visuais ou auditivas.

Por isso, é importante acompanhar a trajetória do seu filho na escola.

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Teste de discalculia

Para diagnosticar a discalculia, os profissionais aplicam um conjunto de testes. Eles visam descobrir se existe a condição e se ela está ligada a outras, como dislexia ou Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Quando a discalculia aparece

A condição pode começar a aparecer entre 4 e 5 anos de idade, ainda na educação infantil. No entanto, o diagnóstico costuma ser feito por volta dos 7 anos, quando a criança é apresentada para mais conceitos, como operações de soma, subtração, multiplicação e divisão.

A neuropediatra Deborah contou como a discalculia se manifesta em cada fase da vida:

  • Primeira infância: Dificuldade em contar os dedos das mãos, compreender sequência de números, sequenciar brinquedos em categorias
  • Começo da idade escolar: Dificuldade em fazer operações básicas, reconhecer sinais e identificar horas em relógio de ponteiro
  • Adolescência: Dificuldade em compreender direção, medidas, fórmulas e tabelas
  • Vida adulta: Dificuldade em ler gráficos, planejar orçamentos e dimensionar distâncias

Diagnóstico

"Se aprender matemática está causando no aluno muita dor e sofrimento, além do desestímulo, cansaço para fazer atividades da disciplina e mal humor, pode ser sinal de discalculia", explica a psicopedagoga Sueli.

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No entanto, o diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, que consiga compreender diversos aspectos da criança.

Quem pode diagnosticar a discalculia?

  • Psicólogo
  • Neuropsicólogo
  • Psicopedagogo
  • Neuropediatra
  • Fonoaudiólogo

Causas da discalculia

Não existe uma causa exata da discalculia. Ela é uma condição com forte influência genética, e aparece pois as áreas cerebrais relacionadas às habilidades matemáticas estão comprometidas.

"O cérebro de uma pessoa com discalculia apresenta dificuldades em processar informações de natureza quantitativa, porém também apresenta muitas outras potencialidades que merecem ser estimuladas e reforçadas", explica a neuropediatra Deborah Kerches.

Tratamentos para discalculia

O tratamento começa depois de uma avaliação para entender qual é a intervenção mais adequada. Entre eles, a psicopedagoga Sueli Bravi Conte lista:

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  • Participações interativas
  • Jogos
  • Brincadeiras

Tudo isso visa estimular a área cerebral onde está localizado o problema.

A escola pode ajudar com outras ações. A neuropediatra Deborah Kerches indica:

  • Usar materiais e metodologia adaptados às necessidades individuais
  • Dispor de professor auxiliar
  • Reforço pedagógico no contra-turno quando necessário
  • Introduzir novas habilidades a partir de exemplos concretos
  • Oferecer mais tempo para as atividades
  • Retomar o conteúdo quantas vezes for preciso
  • oferecer recursos para auxiliar, como tabuadas e calculadoras
  • Oferecer apoio emocional

Em casa, a família deve oferecer jogos e atividades matemáticas que reforcem a repetição.

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"É importante que a criança, pais, educadores e profissionais envolvidos no tratamento, tenham consciência que este aprendizado será lento, que exige muito esforço, respeito e disponibilidade de todos", finaliza a neuropediatra.

Tem cura?

A discalculia não tem cura. No entanto, Deborah explica que os sintomas podem ser atenuados ao longo da vida. "A pessoa com discalculia em tratamento especializado aprende a conviver e estabelecer estratégias que a auxiliem ao longo da vida em todas as situações que exijam domínio de habilidades matemáticas", discorre.

Discalculia e dislexia

De acordo com Michael Farrel, em livro sobre as dificuldades de aprendizagem, as discalculias léxica e gráfica parecem estar relacionadas à dislexia. No entanto, a discalculia pode ocorrer também com outros transtornos, principalmente o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Referências:

  • Sueli Bravi Conte, psicopedagoga, doutoranda em Neurociências e diretora geral do Colégio Renovação.
  • Deborah Kerches (CRM 102717-SP), neuropediatra especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), diretora do Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil de Piracicaba.

Educação Matemática na Contemporaneidade: desafios e possibilidades, artigo de Jeanne Denise Bezerra de Barros e Cláudia Ferreira Reis Concordido

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