Exercícios podem diminuir internação de pacientes com DPOC

Atividade física reduz em 34% chances dele voltar ao hospital, diz pesquisa

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 10/04/2014

Atividade física pode ajudar a reduzir o risco de reinternação hospitalar em pessoas com DPOC, mostra um novo estudo desenvolvido por pesquisa do Departamento de Pesquisa e Avaliação do hospital Kaiser Permanente do Sul da Califórnia (EUA).

DPOC refere-se a um grupo de doenças, incluindo enfisema e bronquite crónica, que causam problemas de bloqueio do fluxo de ar e de respiração. Só no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca de cinco milhões de pessoas sofrem com o problema.

O trabalho, publicado 09 de abril na revista Annals of American Thoracic Society, contou com a análise dos registros de saúde de mais de 6 mil pacientes da Califórnia, com idades acima ou igual a 40 anos. Todos foram internados com DPOC durante 2011 e 2012. Os pacientes forneceram informações sobre seus níveis de atividade física.

Em comparação com pacientes sedentários, aqueles que se exercitavam 150 minutos por semana (o equivalente a meia hora de atividade em cinco dias da semana) ou mais foram de 34% menos propensos a serem readmitidos no hospital pelos próximos 30 dias. Aqueles que se exercitavam menos de 150 minutos por semana ainda tinham um risco 33% menor em comparação com aqueles que não faziam qualquer atividade física.

Segundo os especialistas responsáveis, estudos futuros irão se concentrar em determinar se é possível reduzir as internações indicando a atividade física em pacientes com DPOC. Embora a pesquisa não estabeleça uma relação de causa e efeito entre o exercício e a menor chance de readmissão hospitalar por DPOC, ele sugere uma relação forte entre os dois, mostram os autores.

DPOC: oito cuidados que o paciente deve ter ao se exercitar
O pneumologista Oliver Nascimento, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pneumonia e Tisiologia, explica que a DPOC não é uma doença apenas pulmonar. "Ela causa uma inflamação que atinge a corrente sanguínea, que, por sua vez, libera mediadores inflamatórios que enfraquecem a musculatura". Essa perda de força muscular leva a pessoa que tem a doença a se tornar sedentária e ficar mais em casa, perdendo cada vez mais musculatura de pernas e braços. A falta de ar causada pelo distúrbio pulmonar é outro fator limitante. "A prática de exercícios físicos vai atuar nessas duas frentes: os exercícios aeróbicos ajudarão a recuperar e manter o condicionamento cardiorrespiratório e os exercícios de resistência, feitos com pesinhos ou halteres, ajudarão a fortalecer a massa muscular", explica o pneumologista Oliver Nascimento. "Portanto, a atividade física é uma boa maneira de tornar a DPOC mais fácil de conviver". Mas antes de calçar o tênis e sair por aí se exercitando, existem alguns cuidados que você deve tomar. Eles impedem que você pratique mais exercícios do que o recomendado ou ignore sinais de que seu corpo está cansado, por exemplo. Confira quais são eles a seguir e recupere - ou mantenha - a sua qualidade de vida.

Respiração

Quem tem DPOC deve sempre ficar atento à respiração na hora de fazer exercícios físicos, no entanto não é preciso forçá-la a seguir algum padrão, basta fazê-la naturalmente, de maneira confortável e que não falte ar. Mas vale lembrar que a respiração pelo nariz é sempre melhor, pois aquece, umidifica e filtra o ar, mas se você sentir necessidade de respirar pela boca, faça isso, pois pode ser um sinal de que o seu corpo precisa de mais oxigênio. O pneumologista Oliver explica que pacientes que usam cateter nasal com suplementação de oxigenação devem, em toda respiração, puxar o ar pelo nariz, caso contrário não conseguirão todo o oxigênio de que precisam. Caso você sinta falta de ar, além de parar o exercício, solte o ar fazendo bico, como se estivesse soprando, permitindo que o oxigênio chegue a todo o pulmão.