Entenda a relação entre dor no quadril e exercícios

Às vezes as atividades físicas podem ajudar no tratamento da doença em outros casos podem atrapalhar

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 27/10/2016

Ricardo Nahas
Medicina Esportiva
especialista minha vida

Uma das regiões que menos chamam a atenção dos praticantes de atividade física regular, os quadris e a cintura pélvica deveriam, ao contrario, merecer especial cuidado por fazer parte do centro, o "core". Sua correta estabilização permite que os demais segmentos do aparelho locomotor, diretamente os membros inferiores e em menor proporção os superiores, desempenhem seu papel no correto movimento do gesto esportivo.

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Os sintomas que aí aparecem se confundem muito com os originados por patologias da coluna. Essa confusão pode trazer erros de juízo e de conduta. Valorizar o sintoma e associar ao movimento que o provoca é a grande saída para se determinar onde é a origem anatômica da dor, se quadris ou coluna.

Diferente dos joelhos que participam dos gestos dos esportes e quando doentes impedem os movimentos, a peculiar participação estabilizadora da cintura pélvica pode trazer a falsa impressão de que os problemas aí sediados podem conviver com o prosseguimento da atividade, esportiva ou não. Por vezes sim, sempre exigindo adaptações que não piorem o problema. A maioria das vezes não, no entanto.

Exercícios terapêuticos corretamente indicados e correlacionados a doença diagnosticada na região podem trazer benefícios a algumas doenças nos quadris, principalmente as dos tendões, músculos e bursas.

Nesses casos, a sequência de exercícios deve ser encarada e compreendida como tratamento e não treinamento. Devem buscar o equilíbrio muscular agonista e antagonista, corrigir lateralidades e inclinações pélvicas e outras alterações mecânicas que interferem no movimento, provocam fadiga precoce e dor. Uma vez compensado e o problema sanado, os exercícios devem ser incorporados ao programa de condicionamento.

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Quando optamos por manter treinamento concomitante ao tratamento, devemos lembrar que os quadris também são articulações de carga e sofrem com o impacto dos exercícios, do peso corporal e força de reação do solo, de mesma intensidade do peso, mas em sentido contrário. Isso pode exigir adaptação temporária do esporte ou até a mudança de modalidade, dependendo do problema diagnosticado e que deve ser corrigido.

Algumas doenças se beneficiam dos exercícios usados de maneira terapêutica mas não fisioterápica, ou seja, incorporados ao treino semanal de condicionamento físico. Tomemos como exemplo a artrose coxo femoral em grau que ainda não tem indicação de cirurgia. Os exercícios programados e até uma certa sobrecarga sobre as articulações podem servir de estímulo para reduzir a dor e a incapacidade funcional, além de favorecer a perda de peso e o fortalecimento muscular.

Para aqueles (principalmente aquelas) que atentam à beleza do corpo e o bom desenvolvimento das suas curvas, alertamos que os quadris podem interromper o trabalho e levar tudo a perder quando os excessos não respeitam os limites individuais.

Um desses excessos ocorre na musculação. Desenvolver os glúteos favorece as curvas mas pode provocar bursites e tendinites dolorosas e indesejadas, quando mal executado e planejado. E interromper o seu trabalho para tratar a dor significa perder tudo na metade do tempo que se leva para a construção. O resultado será evidente: transformar as curvas conseguidas com muito suor em linha reta, novamente.

Como sempre, prevenir é melhor do que remediar. E se respeitar e se conhecer o melhor caminho.

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