Cinta modeladora funciona para treino? Ortopedista revela

Médico revela os riscos do uso do acessório e quando ele é indicado

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 19/09/2019

Dr. Thiago Righetto
Ortopedia e Traumatologia - CRM 125.722/SP
especialista minha vida

Quando iniciamos a prática de alguma atividade física é comum surgirem muitas dúvidas, e para saná-las acabamos usando a internet. A informações até podem ser de grande auxílio, mas também pode prejudicar a nossa saúde, dependendo das dicas que são absorvidas.

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É comum em sites de pesquisas, aparecerem métodos alternativos, dietas e até mesmo acessórios que prometem melhorar, intensificar e diminuir o tempo do resultado entre o começo da atividade e o fim. É o caso da cinta modeladora, como a usada pela modelo fitness Gracyanne Barbosa na foto abaixo. Mas será que ela funciona mesmo para treinar?

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Cinta para treino: veja riscos

Muito comum, principalmente entre as mulheres, a cinta modeladora é comercializada muitas vezes prometendo acelerar os resultados, queimando gordura, principalmente na região abdominal. Mas vale ressaltar que utilizar esse tipo de acessório pode prejudicar a saúde do seu corpo e diminuir o seu rendimento na academia.

Normalmente, o uso crônico dessas cintas, principalmente fora da atividade física, pode prejudicar a coluna devido ela assumir o papel natural da musculatura em manter o tronco ereto, dessa maneira, o corpo automaticamente acaba trabalhando menos, o que leva a atrofia muscular da região.

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Os fabricantes referem que as cintas reduzem a área abdominal, deixando as células de gordura mais próximas e juntamente com a perda de água pelo suor local reduz a gordura localizada. Entretanto, não existe nenhum estudo de boa qualidade que comprove isso.

Pode ser até que o comprador perceba uma diferença na balança após o treino, mas assim que se reidratar, a água perdida pelo suor que é responsável por essa diferença de peso, é recuperada, o que pode causar frustrações e desistências.

Outro grande fator negativo do uso durante a atividade física se dá no trato respiratório. Isso porque algumas cintas cobrem também parte da região torácica, o que influência a expansão do tórax e na parte abdominal também do diafragma.

Acredita-se também que utilizando esse tipo de acessório ocorra um aumento da pressão abdominal, estabilizando melhor o "core" (músculos da bacia, pélvis e abdome - ao redor do tronco, na linha da coluna lombar, incluindo abdominais, lombares, glúteos e oblíquos) e assim sobrecarregando menos a coluna, como os cintos específicos para musculação, o que não é verdade, pois não oferece a mesma sustentação por ser mais maleável.

Quando usar a cinta para malhar

Atualmente, a indicação do cinto estabilizador na musculação acontece somente para exercícios que utilizem 80% ou mais da carga máxima tolerada, em uma repetição em exercícios como agachamento e "deadlift".

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E, mesmo assim, o mais importante é realizar o movimento adequado do exercício, recrutando a os músculos necessários, pois caso contrário, o cinto realiza apenas a função de uma "tala" e a musculatura é menos solicitada.

Por isso, fique atento à dor! Com a perda de força muscular ela pode surgir de maneira mais intensa durante ou após o exercício e até em atividades cotidianas. Nesse caso a atividade física deve ser suspensa ou o exercício específico que esteja causando o sintoma. Além disso, é necessário procurar atendimento médico com um ortopedista ou médico do esporte para uma avaliação.

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