Coração da mulher atleta é estudado pela 1ª vez; veja temas

A Sociedade Brasileira de Cardiologia abre espaço para a saúde feminina; confira o que já foi descoberto

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 23/09/2019

Você sabia que, por décadas, os estudos falavam apenas sobre a saúde cardíaca do sexo masculino, ignorando completamente as diferenças entre os homens e as mulheres? Mas essa realidade está para mudar.

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Isso porque a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) dedicou uma seção inteira sobre o coração da mulher atleta na Diretriz do Esporte - um documento que visa estudar o funcionamento cardiovascular de quem pratica atividade física.

Agora, ele também fala sobre os impactos dos exercícios na saúde de mulheres que praticam esporte e precisam manter o peso corporal baixo. Até então, as diferenças entre homens e mulheres em questão de hormônios, fisiologia e bioquímica não eram levados em consideração.

Além disso, a cartilha, formulada pelo Departamento de Ergometria e Reabilitação Cardiovascular (DERC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e publicado na 74ª edição do Congresso Nacional de Cardiologistas, traz diferenças desde a quantidade de oxigênio consumida por ambos os sexos até a variação de morte súbita entre homens e mulheres.

Mulheres atletas morrem menos

De acordo com o presidente do DERC, Tales de Carvalho, 92% dos casos de morte súbita associada ao esporte ocorre com homens. Para ele, isso já deveria ser o suficiente para desenvolver um olhar específico para o caso da saúde do coração das mulheres no esporte.

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Por isso, o teste que indica a saúde cardíaca das atletas mulheres também deve ser feito com cuidado e percepção. Isso porque existem muitos elementos exclusivos que também podem afetar a vitalidade do coração.

Nível de estresse

Outra das descobertas foi que mulheres que praticam esportes que exigem um controle muito grande do peso corporal, como a ginástica, são mais propensas a sofrer problemas cardíacos. Isso devido ao alto nível de estresse para se manter o peso, como explica o presidente Tales.

Teste ergométrico: para que serve?

O teste ergométrico é feito com bicicleta ou esteira e é basicamente uma análise acompanhada do máximo de esforço da paciente, para que se observe a frequência cardíaca. Além dela, também é observado o eletrocardiograma em tempo real.

Entretanto, os resultados dele para mulheres costumavam ser quase ignorados. Segundo o presidente do Departamento de Ergometria, por muito tempo, eles foram subestimados por conta da quantidade de falsos positivos para doença arterial coronariana, o que acontece por causa do ciclo menstrual e, às vezes, da menopausa.

Mas quando um positivo ocorre nos exames das mulheres e os médicos entendem que é apenas uma alteração comum, deixam de pedir outros exames para mais investigações. Consequentemente, deixam de realizar possíveis tratamentos cardiológicos necessários.

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Por isso, considerar o histórico da paciente é muito importante. Por meio dele, pode ser possível diagnosticar problemas como a síndrome de excesso de treinamento (overtraining), por exemplo.

Tríade da mulher atleta

Além disso, o teste ergométrico também ajuda a descobrir condições como distúrbios alimentares, osteoporose e a falta de fluxo menstrual, já que eles têm efeito direto no sistema cardiovascular.

Essas três condições de saúde, quando associadas ao estresse, são chamadas de tríade da mulher atleta, e também afetam adolescentes.

Vale lembrar que o novo capítulo da Diretriz do Esporte é apenas o começo de uma expansão do espaço da mulher necessário e que novos estudos devem vir por aí.

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