Colonoscopia pode reduzir risco de câncer de cólon avançado em 70%

Exame feito até 10 anos antes da manifestação da doença pode impedir desenvolvimento do cancro

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 05/03/2013

Um novo estudo descobriu que grupos de risco para câncer de cólon - que começa no intestino grosso (cólon) ou no reto (extremidade do cólon) - podem reduzir as chances de aparecimento da doença em fase avançada fazendo o exame de colonoscopia. O trabalho foi liderado por um pesquisador do departamento de medicina familiar na Universidade da Pensilvânia (EUA). Os resultados foram publicados dia 5 de março no periódico Annals of Internal Medicine.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de cólon e reto é o quarto mais incidente no Brasil, ficando atrás do câncer da pele não melanoma, tumores de próstata e tumores na mama feminina. Estima-se que sejam identificados 30 mil novos casos esse ano, sendo 14 mil entre os homens e 16 mil para o sexo feminino.

A colonoscopia examina o interior do intestino grosso por meio da introdução de um tubo flexível com uma câmera na ponta por dentro do órgão. O teste permite ao médico identificar pólipo colorretal, que pode evoluir para um cancro. Outro exame feito para detectar esse tipo de câncer é sigmoidoscopia, um procedimento menos invasivo, que permite ao médico olhar apenas para a parte do intestino grosso mais próxima do reto.

Os autores revisaram os registros de mais de 1.000 pacientes com idades entre 55 e 85 anos que apresentam médio risco para câncer de cólon. Foram identificadas 474 pessoas com fase final do câncer, que tiveram seu histórico médico analisado a fim de identificar se elas haviam feito uma colonoscopia ou sigmoidoscopia nos últimos 10 anos. Em seguida, eles compararam essas pessoas com os 538 pacientes do grupo de controle, para identificar uma associação entre a realização dos exames e o risco de desenvolver câncer.

Após a análise, os cientistas concluíram que o exame de colonoscopia feito precocemente - até dez anos antes da manifestação da doença - em grupos de risco reduzia em 70% a chance de câncer de cólon avançado. Isso se dava porque o procedimento precoce conseguia identificar os tumores em fase pré-cancerosa, permitindo o tratamento antes que se agravasse. Já a sigmoidoscopia foi associada a uma redução de cânceres no intestino grosso, mas não diretamente no cólon.

Os estudiosos afirmam que a colonoscopia é realmente eficaz para a detecção precoce de câncer de cólon, mas que se trata de um exame muito invasivo e não há a necessidade de fazê-lo com frequência. Os pesquisadores recomendam três procedimentos para grupos de risco: um de teste de sangue oculto nas fezes a cada ano, uma sigmoidoscopia a cada cinco anos e uma colonoscopia a cada 10 anos.

Diminua o risco de câncer com mudanças na alimentação
Entre os principais fatores de risco para o câncer de cólon, estão: idade avançada, histórico de câncer em outras partes do corpo ou doença inflamatória intestinal e dieta inadequada. O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que muitos alimentos possuem fatores mutagênicos, ou seja, lesam as células humanas e alteram o material genético que existe dentro dela. "Esse processo leva a uma multiplicação celular muito maior do que o normal e, em consequência, pode aparecer um tumor", afirma o profissional. Muitos desses alimentos não apresentam qualquer benefício à saúde e podem ser facilmente riscados do cardápio. Veja quais são a seguir e modere no consumo.

Alimentos gordurosos

Fábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. "Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo", conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.

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