Estudo relaciona corpo em formato de maçã a riscos de problemas renais

De acordo com os pesquisadores, localização da gordura pode ser mais determinante que IMC

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 12/04/2013

Não é apenas na escolha dos modelos de roupas que o formato do seu corpo deve ser observado. Cientistas da University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, descobriram que o acúmulo de gordura, principalmente na região do abdômen, ou seja, ter o tipo de corpo chamado de formato de maçã, está relacionado a uma maior incidência de problemas renais. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (11/04) no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia.

Os perigos de acumular gordura na região central do corpo, no abdômen, já eram conhecidos, tanto que os médicos sempre avisaram seus pacientes sobre isso. Porém, até hoje, as evidencias apontavam apenas para maior incidência de problemas cardiovasculares.

De acordo com a pesquisa, o índice de massa corporal (IMC) é menos importante do que a localização da gordura, já que pessoas com mesmo IMC, mas que têm gordura localizada nos quadris apresentaram menos problemas no funcionamento dos rins e uma pressão arterial mais próxima da normalidade nesse órgão.

Os pesquisadores estudaram 315 voluntários com IMC próximo ao valor 24,9 e os classificaram a partir da relação entre as medidas da cintura e dos quadris. Depois, mediram sua função renal, a pressão sanguínea nos rins e uma medida chamada "fluxo de plasma renal", que avalia o volume do sangue em relação ao tempo. Mesmo depois de ajustar essas taxas de acordo com o esperado para cada idade e sexo, foram encontrados números mais perigosos entre os voluntários com maior volume de cintura do que de quadril, inclusive um funcionamento dos rins mais baixo e um aumento da pressão arterial nesses órgãos.

E essa correlação ocorreu independente das condições de saúde do indivíduo, mesmo os mais saudáveis, mas com maior acúmulo de gordura abdominal, apresentavam essas taxas. A sugestão dos especialistas é que o menor funcionamento dos órgãos esteja relacionado à pressão sanguínea da região.

Como prevenir insuficiência renal crônica
De acordo com os especialistas deste estudo, sua pesquisa vai ao encontro de diversos estudos que já relacionam hipertensão e sobrepeso com maior incidência renal. Ter hábitos para controlar a pressão e o peso, podem ajudar a evitar, por exemplo, a insuficiência renal crônica, em que até cerca de 70% da função dos rins está comprometida. Conhece esses e outros hábitos para evitar o problema.

Busque tratamento para hipertensão

A hipertensão é considerada hoje a principal causa de insuficiência renal crônica. De acordo com o nefrologista Nestor Scho, professor da Unifesp, o aumento da pressão arterial lesiona os vasos sanguíneos dos rins, podendo causar nefropatia hipertensiva. "Dessa maneira, o órgão fica sobrecarregado e pouco a pouco perde sua capacidade de filtragem", explica. Cuidar da hipertensão é fundamental mesmo quando ela não é a causa da insuficiência renal crônica, medida que se torna mais importante ainda em estágio avançado da doença.

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