Pílula com baixa dosagem hormonal pode causar dor durante o sexo, diz estudo

Método contraceptivo com pouco estrogênio também está relacionado à dor pélvica crônica

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/05/2013

Existe hoje uma infinidade de pílulas anticoncepcionais disponíveis no mercado, cada uma dela tem suas particularidades. As pílulas com baixa concentração do hormônio estrogênio, por exemplo, prometem menos efeitos colaterais. No entanto, um recente estudo apresentado no dia 7 de maio no 108º encontro científico anual da Associação Americana de Urologia, em São Diego (EUA), aponta que contraceptivos orais com esta característica podem aumentar o risco para dor pélvica crônica e dor durante o sexo nas mulheres.

Pesquisadores da Universidade de Nova York, em parceria com seus colegas do Waitemata District Health Board, em Auckland, na Nova Zelândia, conduziram uma pesquisa para comparar os sintomas da dor pélvica crônica entre jovens mulheres que já usavam anticonceptivos orais e outras que não usavam o método.

As informações foram colhidas através de uma pesquisa online com mulheres entre 18 e 39 anos. Não foram incluídas no estudo mulheres que estavam grávidas, tinham histórico médico de endometriose ou dor pélvica.

De acordo com os pesquisadores, dos 932 participantes do estudo, 605 foram classificados como não usuários de anticoncepcionais orais e 327 como usuários de anticoncepcionais orais, dentre os quais 169 usavam a pílula com baixa dose de estrogênio e 171 usavam a dose normal.

Foram definidas como pílulas anticoncepcionais de baixa dosagem aquelas que continham menos de 20 microgramas de estrogênio sintético. As que continham quantidades maiores foram classificadas como pílulas de dosagem normal.

A pesquisa revelou que 27% das mulheres que tomavam pílulas de baixa dosagem tinham sintomas da dor pélvica ou reportaram dor pélvica crônica, enquanto 17% do grupo que não tomava pílula relataram os mesmos sintomas.

Os usuários da pílula de baixa dosagem apresentaram quase o dobro da incidência de dor ou desconforto durante ou após o ato sexual em comparação com o grupo que não tomava qualquer tipo de medicação: 25% contra 12%. Não houve diferença entre o grupo que tomava a dosagem normal e o grupo que não usava qualquer pílula anticoncepcional.

Quando não usar a pílula

Não são apenas os efeitos colaterais da pílula concepcional que merecem atenção. Sua interação com outros fatores - como o tabagismo, a obesidade e a hipertensão - também pode trazer graves problemas de saúde. Por isso, hábitos de vida, condições de saúde e histórico familiar de doenças são determinantes na adoção ou não da pílula. Confira abaixo quando a pílula combinada é contraindicada:

Tabagismo

"A associação da pílula com o cigarro, especialmente por mulheres acima dos 35 anos, eleva - e muito - o risco de doenças cardiovasculares", explica o ginecologista Hugo Miyahira. Diversos estudos mostram que as substâncias do cigarro afetam diversas funções do sistema vascular arterial, mesmo quando a fumaça já não está mais no ar. Isso porque essas substâncias continuam circulando no corpo, favorecendo o acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias, problema conhecido como aterosclerose. Some isso ao fato de que a pílula combinada favorece a coagulação do sangue e o resultado pode ser desastroso, levando a um AVC, infarto ou trombose.

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