Diabetes associado à depressão aumenta risco de hipoglicemia

Pacientes podem sofrem com tonturas, desmaios e até coma nos casos mais graves

POR REDAÇÃO - ATUALIZADO EM 05/09/2016

A depressão pode afetar quase todos os aspectos da vida, mas algumas das mudanças trazidas pela doença podem ser mais perigosas, especialmente para pessoas com diabetes. Pesquisadores da University of Washington Medical School (EUA) descobriram que pacientes com diabetes que desenvolvem um quadro depressivo são mais propensos a sofrer hipoglicemia, a queda dos níveis de glicose no sangue, precisando inclusive de internação hospitalar. Os resultados estão publicados na edição de maio e junho da revista Annals of Family Medicine.

O trabalho incluiu pouco mais de 4.100 pessoas com diabetes e cerca de 500 dessas pessoas preencheram os critérios para depressão no período de estudo, que durou cinco anos. A idade média dos voluntários foi de 63 anos, sendo que a maioria tinha diabetes por pelo menos 10 anos. A maioria - 96% dos participantes - tinham diabetes tipo 2 e cerca de um terço tomava insulina para controlar a doença. Apenas 1,4% estava com o diabetes descontrolado, enfrentando complicações. Nos cinco anos anteriores ao início do estudo, 8% das pessoas com depressão e diabetes relataram ter tido um episódio de hipoglicemia grave em comparação com 3% das pessoas com diabetes não-deprimidas. Durante os cinco anos de estudo, quase 11% das pessoas deprimidas e com diabetes tiveram um episódio de hipoglicemia grave em comparação com pouco mais de 6% das pessoas não-deprimidas com diabetes.

O risco de hipoglicemia não foi afetado pelo tipo de tratamento recebido. As pessoas que tomam medicamentos orais tinham a mesma probabilidade de ter um episódio de hipoglicemia do que aquelas que ministravam insulina injetável. No geral, as pessoas com diabetes que estavam deprimidas tinham um risco 42% maior de ter um episódio de hipoglicemia grave, e um risco 34% maior de ter mais episódios de hipoglicemia em um determinado período.

Os pesquisadores afirmam que há duas explicações possíveis para os riscos aumentados. Uma delas é que a depressão leva a mudanças físicas e químicas no corpo, que causam grandes flutuações nos níveis de açúcar no sangue, o que pode tornar mais difícil o controle das taxas. A outra possibilidade é que a depressão leva a uma falta de interesse no autocuidado, que é necessário para controlar o diabetes também. Segundo os autores, pessoas deprimidas podem ser menos propensas a testar os seus níveis de açúcar no sangue regularmente e não aderir aos medicamentos, esquecendo-se de tomá-los ou alterando as doses.

Fuja dos hábitos que podem causar hipoglicemia
Tontura, mal estar, visão turva, sudorese, fome intensa, taquicardia e alteração do nível de consciência são sintomas do mal conhecido por hipoglicemia, recorrente entre pessoas com diabetes e caracterizada por níveis de glicose abaixo dos 60mg/dL - os valores ideais estão na faixa entre 70mg/dL e 99mg/dL. "A falta de glicose pode causar danos como crises convulsivas e coma, que podem inclusive levar à morte", alerta o nutrólogo Gabriel Biancardi, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Livre-se dos erros alimentares na hora de controlar o açúcar no sangue e evite a hipoglicemia:

Só comer antes ou depois de se exercitar

Pessoas que sofrem mais facilmente com a hipoglicemia devem ficar atentas aos níveis de glicose no sangue mesmo durante a prática de exercícios. "Principalmente aqueles que passam longos períodos na academia, combinando musculação com outras atividades, devem verificar os níveis de glicose no sangue durante os intervalos e fazer um pequeno lanche, se necessário", diz o nutrólogo Gabriel. "Lembrando que a atividade física demanda muita energia do corpo e a glicose é a base desse fornecimento, evitando assim a baixa dos níveis e a hipoglicemia."

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