Radioterapia continua sendo tratamento de escolha para gliomas

Estudo compara o tratamento com quimioterapia feita com medicamento específico

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 29/05/2013

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 10% dos cânceres no Brasil são cerebrais, sendo que 4% das mortes por câncer no Brasil estão relacionadas a esse tipo de tumor. O tratamento dessa doença continua sendo um desafio, mas a ala científica está cada vez mais empenhada a encontrar novas formas de lidar com ela.

A última novidade quem traz é um amplo estudo realizado com 477 pacientes em 18 países diferentes. Foram comparadas a radioterapia e a quimioterapia feita com temozolomide, droga que vêm demonstrando boa ação em gliomas de baixo grau. O grupo de câncer no cérebro mais frequente é chamado de glioma, que por sua vez engloba uma série de tumores cerebrais. O estudo também buscou identificar fatores moleculares que indiquem a progressão da doença e, com isso, auxiliar na tomada das melhores decisões terapêuticas. Os resultados serão divulgados pela American Society of Clinical Oncology (ASCO) no dia 1 de junho.

Depois de passarem por estratificação molecular do cromossomo 1, os pacientes com tumor cerebral do tipo glioma foram divididos em dois grupos: no grupo (a), 240 participantes foram submetidos à radioterapia, enquanto no grupo (b), 237 participantes foram submetidos à quimioterapia com temozolomide.

No início do estudo, a diferença que a presença de uma deleção cromossômica - perda parcial ou total de um segmento do cromossomo - no braço curto do cromossomo 1 faz no prognóstico da resposta do tumor ao tratamento já era conhecida. Consequentemente, os pacientes foram estratificados antes da randomização. Outros marcadores serão analisados agora que o estudo está completo e tornarão mais claros os motivos pelos quais alguns pacientes têm evolução da doença muito melhor que outros.

A triagem mostrou que o tratamento com temozolomide, comparado à radioterapia, não melhorou a sobrevida livre de progressão do tumor em casos de gliomas de baixo grau e risco elevado. Durante o acompanhamento de 45,5 meses e depois que os tumores de 246 pacientes progrediram não houve diferença estatística significativa entre os grupos quanto à sobrevida sem progressão do tumor.

A toxicidade relacionada ao temozolomide foi branda: a toxicidade hematológica grau 3 foi observada em 9% dos pacientes que usaram a medicação.

Segundo os pesquisadores, este é o primeiro estudo a avaliar prospectivamente marcadores moleculares em tumores primários. Segundo os pesquisadores, no futuro, o diagnóstico de gliomas de baixo grau será substituído por uma caracterização molecular do tumor mais diferenciada, que sustentará estratégias de tratamento.

O que é preciso saber ao receber um diagnóstico de câncer

Mesmo com os tratamentos cada vez mais avançados, receber um diagnóstico de câncer ainda pesa. Grande parte dos pacientes sai do consultório médico em pânico, imaginando desdobramentos que, não necessariamente, têm chances de acontecer. Os efeitos colaterais da medicação, as chances de cura e a necessidade de mudar a rotina são alguns dos pontos que mais geram dúvidas. Especialistas no assunto indicam dez informações essenciais, capazes de ajudar os pacientes que acabaram de receber um diagnóstico de câncer a vencerem este momento com mais serenidade.

Sempre há como ajudar

"Não importa o estágio em que o câncer foi descoberto, sempre há como ajudar o paciente", afirma a psico-oncologista Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO). Segundo ela, apenas em metade dos casos de câncer descobertos é possível falar em cura. Isso não quer dizer, entretanto, que a outra metade não possa ser ajudada. "O acompanhamento médico pode melhorar e muito a qualidade de vida do paciente, ajudando no controle da dor ou proporcionando mais conforto", afirma.

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