Apneia do sono aumenta risco de morte súbita, diz estudo

Irregularidade do sono pode causar uma parada cardíaca fatal

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 12/06/2013

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 33% da população brasileira sofrem de apneia do sono. No entanto, a grande maioria nem sabe que tem a doença, já que somente um exame é capaz de diagnosticá-la. Por causar a parada da respiração diversas vezes durante o sono, ela pode também prejudicar a saúde do coração. Um novo estudo vai ainda mais fundo nessa relação: pesquisadores da Mayo Clinic Sleep Disorders Center, nos Estados Unidos, detectaram que quem tem apneia do sono apresenta risco elevado de morte súbita por causa cardíaca.

Os resultados foram publicados no dia 11 de junho na versão online do Journal of the American College of Cardiology.

A morte súbita por causa cardíaca afeta cerca de 450.000 pessoas por ano nos Estados Unidos e acontece quando o coração para de bater abruptamente devido a alterações dos impulsos elétricos cardíacos, que causam arritmias.

Participaram do estudo 10.000 homens e mulheres com idade média de 53 anos - 7.300 deles foram diagnosticados com apneia do sono. Durante um acompanhamento de 15 anos, 142 dos participantes tiveram parada cardíaca súbita, que pode ser fatal ou reanimada. Os pesquisadores encontraram que a associação entre apneia do sono e morte súbita por causas cardíacas mesmo quando considerados outros fatores de risco.

Segundo os pesquisadores, três condições estão entre os principais fatores de risco para morte súbita cardíaca: ter 60 anos ou mais, ter 20 episódios de apneia por hora de sono, ter níveis baixos de oxigênio no sangue. Se os níveis de oxigênio circulante no sangue estivessem em 78% ou menos (números normais giram em torno de 95-100%), o risco aumentava em 80%.

Os cientistas dizem que não sabem especificar a causa dessa relação, pois existem várias explicações possíveis. Como exemplo: a apneia do sono está relacionada ao tipo de arritmia que causa morte cardíaca súbita.

Diagnóstico da apneia do sono

O diagnóstico da doença é feito através da polissonografia, um estudo monitorado do sono: ela é determinada caso a parada da respiração dure dez segundos ou mais e aconteçam pelo vezes cinco vezes durante cada hora de sono. Os especialistas no assunto sugerem que a apneia do sono está cada vez mais incidente em função da epidemia mundial de obesidade.

Problemas que a irregularidade do sono causa à saúde

Excesso de trabalho, estresse, insônia, acúmulo de tarefas e distúrbios do sono são alguns dos vilões mais comuns de uma boa noite de descanso. Dormir menos que o recomendado (6 a 8 horas em média) ou acordar diversas vezes durante a noite em decorrência de distúrbios como apneia do sono e insônia pode causar mais malefícios ao organismo do que imaginamos. Quer descobrir como a falta de sono afeta o seu corpo? Confira os que os especialistas dizem sobre o assunto:

Impede a conservação da memória

"O sono é uma etapa crucial para o cérebro transformar a memória de curto prazo relevante em memória de longo prazo", afirma o neurologista André Felicio, da Academia Brasileira de Neurologia. O especialista explica que, durante a noite, o cérebro faz uma varredura entre as informações acumuladas, guardando aquilo que considera primordial, descartando o supérfluo e fixando lições que aprendemos ao longo do dia. "Por esse motivo, quem dorme mal costuma sofrer para se lembrar de eventos simples, como episódios do dia anterior ou nomes de pessoas próximas", diz.

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