Cirurgia bariátrica pode reduzir risco de morte por doenças cardiovasculares

Procedimento reduz em até 56% a mortalidade por pelo menos dez anos, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 25/06/2013

Indicada para pessoas com obesidade avançada e presença de outras doenças associadas, como o diabetes, a cirurgia bariátrica ajuda tanto a emagrecer quanto a controlar esses problemas. Além disso, estudos apresentadas pelo cirurgião norte-americano John Morton, da Universidade Stanford (EUA), mostram que a operação diminui o risco absoluto de doenças cardiovasculares O trabalho foi apresentado em São Paulo, dia 20 de junho, durante o 1º Simpósio Internacional de Videocirurgia, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e pela American Society for Metabolic and Bariatric Surgery.

O pesquisador acompanhou cerca de 800 pacientes até sete anos após a realização do procedimento. O especialista afirma que a cirurgia bariátrica pode reduzir em até 56% a mortalidade por doenças cardiovasculares por um período de pelo menos dez anos. Para chegar a essa conclusão, ele analisou oito indicadores bioquímicos importantes para o riscos de doenças cardiovasculares: glicemia de jejum, triglicérides, HDL (colesterol bom), Proteína C Reativa, LDL (colesterol ruim), colesterol total, hemoglobina glicada e homocisteína.

Analisando os resultados, o autor descobriu que todos os indicadores, sem exceção, apresentaram melhora após a cirurgia bariátrica. Entre os resultados mais impactantes, estão a redução de triglicérides (20%, em média) e glicemia de jejum (média de 80%) e o aumento do índice de colesterol bom - HDL (em torno de 10%).

Para o presidente da SBCBM, Almino Ramos, esse levantamento confirma a tendência da utilização da cirurgia bariátrica e metabólica de forma crescente para o tratamento das doenças associadas à obesidade, independentemente dos critérios atuais determinados pelo Índice de Massa Corporal (IMC). ?Além de diabetes, apneia do sono e hipertensão, é muito significativa a evidência de que o tratamento cirúrgico tem um impacto direto na redução do risco cardiovascular?, destaca o médico.

Tire duas dúvidas sobre cirurgia bariátrica
Parte de um programa de emagrecimento do qual faz parte uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, a cirurgia bariátrica revolucionou a forma como se trata a obesidade. Não é à toa que, no final do ano passado, o Ministério da Saúde reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para realizar o procedimento pelo SUS, visto que o excesso de peso considerado prejudicial à saúde tem se tornado uma epidemia que atinge pessoas cada vez mais jovens.

Mesmo sendo tão divulgada, entretanto, ainda restam muitas dúvidas sobre a cirurgia. Muitas pessoas sequer sabem, por exemplo, que existem quatro técnicas diferentes de realizá-las reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM): Banda Gástrica Ajustável, Gastrectomia Vertical, Bypass Gástrico e Derivação Bileopancreática. Para saber como cada um funciona, portanto, conversamos com uma equipe de experts para esclarecer tudo sobre o assunto. Confira:

1. Quais os pré-requisitos para indicação da cirurgia?
"A indicação da cirurgia, independente da técnica, é baseada em quatro fatores: grau de obesidade, tempo de evolução da doença, tentativas de tratamentos anteriores e a presença de doenças associadas", explica o cirurgião do aparelho digestivo Denis Pajecki, membro do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

2. O que define a escolha de uma ou outra técnica?
Primeiramente, é necessário reforçar que a escolha da técnica a ser usada é do médico e não do paciente, afirma o cirurgião bariátrico Almino Ramos, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). "Só ele saberá avaliar qual o melhor procedimento para tratar a obesidade e possíveis doenças associadas, como diabetes, sem oferecer grandes riscos ao paciente", aponta. Um paciente que precisa perder muito peso, por exemplo, deveria ser submetido ao tipo de cirurgia bariátrica mais invasivo, pois ele resulta em uma perda maior da porcentagem de peso. Se esse paciente apresentar idade avançada, entretanto, o médico pode optar por um procedimento menos complexo para não colocar a vida do indivíduo em risco. "A escolha é feita caso a caso e depende de inúmeras variáveis", complementa.

3. Como ocorre a perda de peso?
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Denis, a perda de peso ocorre por conta da restrição alimentar a que o paciente é submetido com a cirurgia, a menor absorção de nutrientes e do aumento do metabolismo. Com a Banda Gástrica há perda de 20 a 30% do peso inicial; com a Gastrectomia Vertical, 30 a 40% do peso inicial; com o Bypass é possível perder de 40 a 45% do peso inicial e com a Derivação Bileopancreática, o paciente perde de 40 a 50% do peso inicial.

4. Há risco de engordar novamente?
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Denis, uma recuperação de 10 a 15 quilos do peso mínimo atingido é considerado normal. "Ganhos mais acentuados estão, na maior parte das vezes, relacionados ao abandono do programa e à adoção de maus hábitos, como consumo excessivo de carboidratos e intervalos grandes em jejum", explica.

Gastrectomia Vertical

A Gastrectomia Vertical remove de 70 a 85% do estômago do paciente, transformando-o em um tubo estreito. Desta maneira, há redução do hormônio grelina, associado à fome e a absorção de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B não é afetada. Se não funcionar, pode ser transformada em Bypass Gástrico ou Derivação Bileopancreática, mas não é reversível, como a Banda Gástrica. Além disso, por envolver procedimentos mais complexos também está ligada a um risco maior de complicações. Corresponde a 15% dos procedimentos.

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