Reposição de testosterona tem ligação com infarto e AVC

Terapia hormonal pode aumentar em 29% risco de eventos cardiovasculares

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/11/2013

O uso da reposição de testosterona em homens está associado com um risco aumentado de morte por infarto ou AVC isquêmico, de acordo com os resultados de um estudo feito pela VA Eastern Colorado Health Care System (EUA). O trabalho foi publicado em 06 de novembro no Journal of the American Medical Association.

A pesquisa incluiu 8.709 homens com baixos níveis de testosterona, que foram submetidos à angiografia coronariana entre 2005 e 2011. Dentre os participantes, 20% tinham uma história prévia de infarto do miocárdio, 50% tinham diabetes e mais de 80% possuíam doença arterial coronariana. No decorrer do estudo, 1.223 homens começaram a terapia de reposição de testosterona.

Após um seguimento médio de 27 meses, 748 homens morreram, 443 sofreram um infarto e 519 e tiveram um AVC. Separando a porcentagem de eventos cardiovasculares entre quem fez ou não reposição, ao final de um ano 10,1% daqueles que não receberam testosterona sofreram algum episódio, contra 11,3% que fizeram. Ao fim de dois anos, a taxas absolutas foram para 15,4 % e 18,5 %, respectivamente, e em três anos, as taxas absolutas foram para 19,9% e 25,7 %, respectivamente.

Em geral, a utilização de terapia de testosterona foi associada com um aumento no risco de morte por infarto ou AVC em 29%, e o risco permaneceu inalterado após o ajuste para a presença de doença da artéria coronária e outros fatores. Não houve diferença significativa entre as formulações e vias de administração para a testosterona - embora sejam necessários mais estudos para avaliar esse aspecto.

Segundo os autores, foi descoberta uma associação que não é causal, dada a natureza observacional do estudo. Entretanto, ele fornece algumas evidências de que a terapia com testosterona pode estar associada a algum risco aumentado de eventos cardiovasculares adversos. Para os pacientes que estão iniciando a terapia ou que estão atualmente em tratamento, isso pode justificar uma discussão com seus médicos sobre os potenciais benefícios da terapia versus o risco potencial. Os cientistas afirmam que a decisão deve ser individualizada para cada paciente.

No momento, não se sabe muito sobre o possível mecanismo que possa contribuir para o aumento do risco de eventos cardiovasculares em pacientes tratados com testosterona, mas os estudiosos afirmam que a testosterona pode aumentar os níveis de hematócrito, afetando a agregação plaquetária e piorando a apneia do sono. Mais estudos são necessários para abordar o possível mecanismo.

Nove sinais que indicam baixa testosterona em homens
O efeito dos hormônios na personalidade das mulheres é bem conhecido, principalmente na fase da TPM. Mas, e os homens? Eles também são afetados pela produção hormonal? Sim, a testosterona, principal hormônio presente no organismo masculino, influencia o comportamento, o desempenho sexual e também algumas características físicas. A endocrinologista Ruth Clapauch, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que os níveis de testosterona no sangue do homem caem naturalmente com o passar da idade, aproximadamente 1% ao ano a partir dos 40. "Dessa forma, é importante incluir a dosagem de testosterona em seus exames de rotina a partir dessa idade, pois uma baixa dosagem nesse período pode ser um sinal de alerta para problemas com a deficiência desse hormônio no futuro", diz. No geral, os níveis adequados de testosterona variam entre 300 a 900 nanogramas por decilitro de sangue. Entretanto, alguns homens podem sofrer com taxas reduzidas desse hormônio mais cedo do que o esperado, causando uma série de alterações e sintomas pelo corpo todo, sendo necessária a reposição hormonal. "Obesidade e doenças crônicas, como bronquite e problemas cardíacos, são fatores que podem acarretar na alteração do hormônio", explica a endocrinologista. Entenda como a deficiência de testosterona pode afetar seu organismo e, na dúvida, converse com seu médico:

Baixo interesse sexual

Esse é o sintoma mais específico para desconfiar de baixos níveis de testosterona no organismo. "Inclusive, pode ser possível perceber uma perda da potência sexual, ou mesmo uma disfunção erétil", explica a endocrinologista Ruth Clapauch, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Um sinal mais claro para a deficiência desse hormônio pode ser a falta de ereções matinais - aquelas ereções "involuntárias", que se tem ao acordar. O endocrinologista Pedro Saddi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que homens com essa característica também têm maiores chances de sofrer com infertilidade. Entretanto, os baixos níveis de testosterona por si só raramente são a única razão para ereções mais fracas - outros problemas como doenças cardíacas e diabetes, também podem estar associados.

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