Uso prolongado de pílula anticoncepcional pode elevar risco de glaucoma

Baixos níveis de estrogênio estão ligados com aparecimento da doença, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 19/11/2013

Mulheres que usam pílula anticoncepcional por três anos ou mais têm o dobro de risco de desenvolver um glaucoma mais tarde na vida, de acordo com uma nova pesquisa conduzida por cientistas da University of California (EUA), da Duke University School of Medicine (EUA) e da Third Affiliated Hospital of Nanchang University (China). O glaucoma é uma doença que danifica o nervo óptico do olho e é a principal causa de cegueira irreversível no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Esse é o primeiro projeto a sugerir um aumento do risco de glaucoma em mulheres que usaram contraceptivos orais por três ou mais anos, e a descoberta foi apresentada dia 18 de Novembro na 117ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia, em Nova Orleans.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 3.400 mulheres com 40 anos ou mais de várias regiões dos Estados Unidos. Elas responderam a questionários sobre a sua saúde reprodutiva e fizeram exames oftalmológicos. Analisando os dados, os autores concluíram que as mulheres que tomam pílula anticoncepcional por mais de três anos são duas vezes mais propensas a sofrer de glaucoma.

Estudos anteriores mostram que baixos níveis de estrogênio após a menopausa contribuem para o desenvolvimento do glaucoma nas mulheres. Os cientistas não sabem exatamente por que isso acontece. Mas os anos de uso de pílulas anticoncepcionais, que também podem reduzir os níveis de estrogênio, provavelmente aumentam as chances da doença pelo mesmo mecanismo.

Os cientistas firmam que o próximo passo é examinar os olhos dessas mulheres com cuidado e investigar exatamente o que está acontecendo com a visão de uma mulher quando ela está tomando pílulas anticoncepcionais.

Pílula anticoncepcional: quando ela é um problema para a saúde?
"A pílula anticoncepcional é o medicamento mais estudado no mundo", afirma o ginecologista Hugo Miyahira, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Isso porque ela é usada por milhões de mulheres anos a fio e afeta todos os órgãos com receptores hormonais. Seu uso previne não só a gravidez como ainda garante um ciclo menstrual regular. A evolução do método atingiu seu ponto mais alto com a combinação de dois hormônios, o estrógeno e o progestágeno (a pílula combinada), em níveis baixíssimos e mais eficazes do que nunca, mas, como todo medicamento, ela possui efeitos colaterais. Por isso, hábitos de vida, condições de saúde e histórico familiar de doenças são determinantes na adoção ou não da pílula. Em caso negativo, outros métodos podem ser usados sem riscos à saúde feminina. Confira abaixo quando a pílula combinada é contraindicada:

Hipertensão

A hipertensão costuma apresentar sintomas apenas em estágio muito avançado e, por isso, é fundamental medir a pressão arterial da mulher antes de recomendar o uso de uma pílula anticoncepcional. Segundo o ginecologista e obstetra Pedro Awada, do Hospital e Maternidade Brasil, mulheres hipertensas já apresentam risco elevado de doenças cardiovasculares. Isso porque o coração fica hipertrofiado devido ao grande esforço para bombear o sangue nas artérias e, com o tempo, as artérias perdem a elasticidade, favorecendo o entupimento e rompimento das mesmas. Junto com a pílula, a probabilidade de sofrer um AVC ou outros problemas ligados aos vasos sanguíneos, como a trombose, é muito maior.

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