Obesidade aumenta risco cardíaco independente dos fatores de risco

Ameaça existe mesmo se pessoa não apresentar colesterol ou glicemia altos, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 03/11/2013

A ideia de que algumas pessoas podem estar com sobrepeso ou obesidade e ainda manterem-se saudáveis pode ser um mito, de acordo com um novo estudo desenvolvido na Universidade de Toronto, no Canadá. Segundo o trabalho, mesmo sem a pressão arterial elevada, diabetes ou outros problemas metabólicos, pessoas com sobrepeso e obesidade têm maiores taxas de morte por qualquer causa, infarto e AVC em um período de 10 anos. O relatório foi publicado online dia 03 de dezembro na revista Annals of Internal Medicine.

Os autores revisaram oito estudos que analisaram as diferenças entre as pessoas acima do peso e aquelas mais magras em termos de saúde geral e risco de ataque cardíaco, AVC e morte. Esses trabalhos incluíram mais de 61.000 participantes. Em estudos com acompanhamento de uma década ou mais, aqueles que estavam com sobrepeso ou obesidade, mas não tem pressão alta, doença cardíaca ou diabetes ainda tinha um risco 24% maior de ataque cardíaco, AVC e morte, em comparação com as pessoas com peso normal, segundo os pesquisadores.

Um risco ainda maior foi observado entre aqueles com síndrome metabólica (como colesterol elevado e altos níveis de glicose no sangue), independentemente do peso. Segundo os cientistas, esses dados sugerem que o aumento do peso corporal não é uma condição benigna, mesmo na ausência de anormalidades metabólicas. Isso porque há a possibilidade dessas pessoas parecerem metabolicamente saudáveis, mas terem baixos níveis de alguns fatores de risco que pioram ao longo do tempo.

Obesidade favorece desde enxaqueca até câncer
Os dados inéditos do Ministério da Saúde são alarmantes. Pela primeira vez, o percentual de pessoas com excesso de peso supera mais da metade da população brasileira. A pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 51% da população (acima de 18 anos) está acima do peso ideal. O estudo também revela que a obesidade cresceu no país, atingindo o percentual de 17% da população. Se compararmos com o ano de 2006, no qual o índice era de 11%, perceberemos que o aumento foi significativo.

Apesar da obesidade e do sobrepeso serem epidemias desse porte no Brasil, a população ainda não considera o excesso de peso uma doença. Um trabalho desenvolvido pela farmacêutica Allergan em parceria com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) e a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SBED) entrevistou mil indivíduos em diferentes estados e descobriu que 55% da amostragem não acreditava que a obesidade fosse uma doença. Além disso, 93,5% dos entrevistados não sabia seu próprio Índice de Massa Corpórea (IMC (Descubra seu peso ideal) ), sendo que 64% se enquadravam na faixa da obesidade. Mais do que uma doença grave, a obesidade é um problema que pode favorecer diversas outras condições em nosso organismo. "O quadro pode prejudicar a saúde de uma forma global e em vários sistemas no corpo", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ainda não está convencido? Veja como essa doença pode afetar todo o funcionamento do seu corpo:

Coração em alerta!

Quanto mais elevado é o nosso peso, mais esforço o coração precisa fazer para bombear sangue e deixar tudo funcionando plenamente. Isso sobrecarrega o órgão, que terá que bater mais rápido do que o ideal. "O tecido adiposo é um grande produtor de substâncias inflamatórias - e os adipócitos (células de estoque da gordura) aumentam em número e volume com a obesidade", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ele explica que o organismo se cansa de corrigir o erro alimentar e o sedentarismo, e vai progressivamente lançando de volta na circulação o colesterol e os triglicerídeos que não conseguiu armazenar no fígado e tecido adiposo. Essa gordura em excesso no sangue pode formar placas e entupir as artérias, causando um infarto ou AVC. Esse estado inflamatório também pode favorecer a oxidação do colesterol bom (HDL), que se transformará em colesterol ruim (LDL). Todo esse cenário favorece doenças como hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, entre outros.

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